XP é Acusada de Esquema de Pirâmide: A Reação do Mercado e a Defesa da Empresa
A XP Inc. (XPBR31), uma das maiores corretoras do Brasil, está no centro de uma polêmica após a Grizzly Research, casa de análise norte-americana, publicar um relatório em relatório nesta quarta-feira (12) acusando a empresa de sustentar lucros via um suposto “esquema de pirâmide financeira” ligado aos fundos Gladius e Coliseu. As ações da XP caem 3,27% na B3 e 2,97% na Nasdaq no mesmo dia.
A XP respondeu às acusações em nota oficial, classificando o relatório como “falso, incorreto e impreciso” e afirmando que cumpre rigorosamente as normas da CVM, SEC e Banco Central. A empresa também ameaçou tomar “medidas legais cabíveis” contra a Grizzly.
As Acusações da Grizzly Research
O relatório destaca dois pontos principais:
Retornos Anormais dos Fundos Gladius e Coliseu:
O fundo Gladius FIM CP IE teria registrado 2.419% de retorno em 5 anos com volatilidade “incrivelmente baixa” – desempenho considerado impossível sem manipulação.
Segundo a Grizzly, sem esses fundos, a XP seria não lucrativa.
COEs como Combustível do Esquema:
A Grizzly alega que os Certificados de Operações Estruturadas (COEs), vendidos massivamente a clientes de varejo, geram fluxo de caixa repassado à XP como “lucro operacional”.
Ex-funcionários não identificados teriam comparado o modelo a um “esquema Ponzi tipo Madoff”, dependente de novos investidores para manter o sistema.
A Resposta da XP
Em comunicado ao Estadão E-Investidor, a XP rebateu:
Cumprimento Regulatório: “Operações auditadas regularmente por instituições independentes.”
Transparência: “Compromisso com ética e conformidade.”
Ameaça Legal: “Serão tomadas todas as medidas legais cabíveis contra a Grizzly.”
A empresa não detalhou como os fundos Gladius e Coliseu geram retornos tão elevados, limitando-se a negar as acusações de forma genérica.
O Que São COEs e Por Que São Polêmicos?
Os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) são produtos complexos que misturam renda fixa e variável, com liquidez travada por 3 a 5 anos. Críticos apontam que:
São vendidos de forma agressiva por assessores, que recebem comissões de até 5%.
Muitos clientes reclamam de retornos abaixo do CDI ou prejuízos.
A XP domina 70% do mercado brasileiro de COEs, segundo o relatório.
Para a Grizzly:
“A XP extraiu R$ 27,66 bi dos fundos Gladius/Coliseu entre 2020−2024, mas seu lucro líquido foi de apenas R$ 17,52 bi. Sem esses fundos, a empresa teria prejuízo.”
Entenda a Comparação com Madoff
Bernie Madoff orchestrou o maior esquema Ponzi da história, usando dinheiro de novos investidores para pagar “lucros” aos antigos. A Grizzly sugere similaridades:
Dependência de Novos Clientes: Se o crescimento de COEs estagnar, o fluxo de caixa seca.
Complexidade: Estrutura dos fundos Gladius envolve 15+ classes de ativos, dificultando auditorias.
Próximos Passos: Riscos para Investidores
Reguladores: CVM e SEC podem investigar as operações dos fundos.
Ações (XPBR31): Volatividade alta até esclarecimentos.
Clientes de COEs: Risco de perdas se o modelo for fraudulento.
O Mercado Reage:
BTG Pactual e Itaú BBA mantêm recomendações neutras, aguardando desdobramentos.
Especialistas recomendam cautela com COEs e diversificação de carteiras.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A XP vai processar a Grizzly?
Sim. A XP afirmou que tomará medidas legais, mas não especificou prazos.
2. Como acompanhar o caso?
Monitore comunicados da CVM e relatórios da XP a partir do próximo trimestre.
Conclusão: Um Caso que Divide o Mercado
Enquanto a Grizzly aponta para um suposto esquema bilionário, a XP insiste em sua legalidade. Investidores devem:
Evitar pânico: Ações já descontaram parte do risco.
Exigir transparência: Cobrar da XP detalhes sobre os fundos Gladius.
Diversificar: Sempre diversifique seus investimentos