Método Barsi explicado: o filtro BEST, os números reais e o que a Louise mudou

Barsi recebeu R$ 1,65 bilhão em dividendos entre 2014 e 2024 com ações que nunca vendeu. Entenda o filtro BEST, os critérios de seleção e o efeito da nova tributação.

⏰ 7 min de leitura

Louise Barsi tinha 18 anos e uma vida normal de classe média em São Paulo: escola pública, apartamento comum, nenhum sinal externo de riqueza. Sabia que o pai investia em ações — mas muita gente investe em ações e nunca fica rica.

Até que, numa aula da faculdade de economia, ela viu uma revista. Na capa, os maiores investidores da bolsa brasileira. E lá estava o rosto do pai, Luiz Barsi Filho. Ela voltou pra casa e perguntou se era verdade. A resposta foi curta e resume o vídeo inteiro:

“O patrimônio não é importante.”

Um homem com bilhões na bolsa dizendo que o patrimônio não importa. Parece contradição — não é. O patrimônio é consequência. O que importa é o processo.

👆 Assistiu ao vídeo? Então vai entender muito melhor tudo que vem a seguir.

Antes do bilionário, o engraxate

Barsi nasceu em 1939. Aos 9 anos já trabalhava como engraxate. Depois foi para uma gráfica, virou auxiliar de contabilidade e então auditor. Enquanto muita gente procurava atalho, ele procurava aprendizado: fez faculdade de contabilidade, direito e economia.

No fim dos anos 60 decidiu investir na bolsa. Imagina o cenário: sem internet, sem relatório gratuito, sem home broker no celular. Bolsa era sinônimo de especulação.

E ele enxergou uma coisa diferente. Enquanto as pessoas olhavam o preço das ações, ele olhava as empresas. Enquanto procuravam a próxima oportunidade de ganhar, ele procurava negócios capazes de gerar renda por décadas.

A diferença parece pequena e muda tudo: a maioria entra na bolsa perguntando “quanto eu posso ganhar”. Barsi entrou perguntando “quanto essa empresa pode me pagar”. Uma mentalidade busca valorização, a outra busca geração de renda.

A estratégia é simples demais para ser levada a sério

Comprar boas empresas, receber o dividendo, reinvestir o dividendo e repetir. Décadas. Sem ação da moda, sem tentar adivinhar o próximo movimento, sem comprar e vender toda semana.

Mas tem um detalhe: ele não comprava qualquer empresa. Paciência sozinha não resolve — você pode ser paciente por 30 anos com uma empresa ruim e continuar sem resultado. O que o transformou em bilionário foi a combinação de paciência e seleção.

O filtro BEST

Faz um teste rápido: qual dessas contas você pagou este mês? Luz, internet, seguro, água — e todas via banco.

Você pode cancelar a Netflix, trocar de celular, adiar a compra de um carro. Agora tenta ficar sem energia elétrica. Tenta viver sem conta bancária. Tenta passar meses sem água.

É aí que está o raciocínio: Barsi não procurava empresas da moda, procurava empresas que vendem necessidade — porque necessidade continua existindo em qualquer governo, qualquer crise, qualquer eleição.

B de Bancos

O brasileiro reclama do banco e continua usando o banco: recebe salário, faz Pix, paga boleto, usa cartão, financia imóvel. Por isso os grandes bancos atravessam décadas gerando lucro.

E de Energia

A mais fácil de entender. Você corta várias despesas, mas a conta de luz continua chegando. E empresas com linhas de transmissão ou ativos regulados operam num ambiente mais previsível. Previsibilidade é amiga do dividendo.

S de Saneamento

Água, esgoto, serviços essenciais. Em muitas regiões há praticamente monopólio natural. As cidades crescem, a demanda continua.

S de Seguros

Quanto mais patrimônio uma sociedade acumula, mais proteção ela precisa: vida, residencial, empresarial, automotivo. É um setor que cresce junto com o desenvolvimento econômico.

T de Telecomunicações

Você corta streaming, mas não corta a internet. Conectividade virou serviço essencial.

Os números reais

Considerando os dividendos de 2014 a 2024, Barsi recebeu cerca de R$ 1,65 bilhão. Abrindo por posição:

  • Unipar (UNIP6): cerca de R$ 874 milhões
  • Taesa (TAEE11): cerca de R$ 151 milhões
  • ISA CTEEP (ISAE4): cerca de R$ 126 milhões

No pico, em 2021, chegou a algo próximo de R$ 1 milhão por dia em dividendos — com ações que ele nunca vendeu.

Os critérios de seleção

Para uma ação entrar no radar, o filtro básico era:

  • Dividend yield histórico de pelo menos 6%
  • Empresa de setor perene
  • Posição dominante no mercado
  • Histórico de pagar dividendo mesmo em anos ruins, de crise

Louise já mencionou publicamente parte da carteira dela, e o padrão BEST aparece inteiro: saneamento, seguros (BBSE3), elétricas (CMIG), banco (BBAS3) e telecom (VIVT3). Como referência, o dividendo projetado da BBSE3 para 2026 está por volta de 11,9%, e a Taesa pagou R$ 0,91 por ação em maio de 2026. Faça sua própria análise antes de qualquer decisão.

Mas o ponto central não é qual ação comprar. É a consistência da compra mensal e o reinvestimento do dividendo — independentemente da ação escolhida.

A mesada que era dividendo

Aos 14 anos, Louise pediu mesada. Barsi não deu dinheiro: deu ações da Ultrapar, que pagavam dividendos regulares. A mesada era o dividendo — cerca de R$ 300 por mês.

A mensagem: o que você está recebendo não é dinheiro, é uma empresa gerando renda para você. E empresa não some no fim do mês como a mesada some.

Barsi começou engraxando sapato. Louise começou com R$ 300 por mês. O primeiro dividendo não aposenta ninguém. O trigésimo ano, talvez.

E a tributação de dividendos muda o método?

Desde 1º de janeiro de 2026, dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagos por uma única fonte passam a ter 10% de imposto de renda retido na fonte.

Para quem recebe R$ 3 mil por mês, isso não muda nada — o limite é alto. Já para Barsi, que recebe algo como R$ 165 milhões por ano, a conta é bem diferente.

A posição dele: a Constituição proíbe bitributação, e o juro sobre capital próprio já paga 15% — então, na prática, não seria grande novidade.

Mas há um efeito colateral que ele mesmo antecipou, e que já aconteceu no Brasil: antes de 1995, quando dividendos eram tributados, as empresas simplesmente pararam de pagar dividendos e migraram para recompra de ações. O acionista continua sendo beneficiado — só que via valorização, e não via dinheiro na conta.

Ou seja: a estratégia não morre com a tributação, ela se adapta. Porque no fundo é uma aposta em empresas que geram caixa, não em política fiscal.

O que a Louise fez diferente

Ela não copiou o método idêntico. Enquanto o pai sempre foi praticamente 100% em ações, ela defende também uma parcela em renda fixa. E usa operações com opções — venda coberta, venda de puts.

Não porque o método original estivesse errado, mas porque pessoas são diferentes e têm necessidades diferentes. Investimento não é religião. O objetivo nunca foi defender um produto — foi construir renda.

E uma frase dela cabe bem no momento: anos eleitorais costumam criar oportunidades, porque volatilidade gera desconto, e desconto vira oportunidade para quem tem caixa e soube esperar.

FAQ — método Barsi

O que significa BEST na estratégia do Barsi?

Bancos, Energia, Saneamento, Seguros e Telecomunicações — setores perenes, de serviços que as pessoas não conseguem dispensar, com fluxo de caixa previsível e dividendo regular.

Qual dividend yield mínimo o Barsi usa como filtro?

Historicamente, pelo menos 6% ao ano, combinado com setor perene, posição dominante e histórico de pagamento mesmo em anos ruins.

Quanto o Barsi recebeu de dividendos?

Cerca de R$ 1,65 bilhão entre 2014 e 2024, com destaque para Unipar (R$ 874 milhões), Taesa (R$ 151 milhões) e ISA CTEEP (R$ 126 milhões).

A nova tributação de dividendos acaba com a estratégia?

Não. A retenção de 10% vale para valores acima de R$ 50 mil mensais de uma mesma fonte pagadora, o que não afeta a maioria dos investidores. Historicamente, quando dividendos foram tributados no Brasil, as empresas migraram para recompra de ações — o benefício muda de forma, não desaparece.

Dá para começar com pouco dinheiro?

É exatamente o ponto do método. Barsi começou comprando com salário de auditor, e a filha começou com dividendos de cerca de R$ 300 por mês. O que faz diferença é a repetição do processo por décadas, não o tamanho do primeiro aporte.

O que fica

A história do Barsi não é sobre bilhões nem sobre dividendos. É sobre processo: um menino que engraxava sapatos, comprou empresas, reinvestiu dividendos e repetiu o mesmo comportamento por décadas até construir uma máquina de renda.

Por isso a frase do começo continua sendo a mais importante: o patrimônio não é importante — o processo é.

Se quiser ver o método destrinchado com os números na tela, assiste o vídeo completo:
👉 Assista: Método Barsi de dividendos em 19 minutos

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👉 youtube.com/@investirecocar

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