R$ 100 mil em PETR4 compram R$ 19 mil de lucro por ano; na Vale, R$ 3,6 mil ou R$ 13 mil: o que é P/L

P/L é o preço da ação dividido pelo lucro por ação de 12 meses. A conta com R$ 100 mil em PETR4 e VALE3, por que a Vale tem dois P/L, e como ciclo, lucro em queda e crescimento mudam a leitura.

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Atualizado em 8 de outubro de 2026.

P/L é o preço da ação dividido pelo lucro por ação dos últimos 12 meses. Ele diz quantos anos do lucro atual você está pagando. No fechamento de 07/10/2026, a PETR4 tinha P/L de 5,3: R$ 100 mil compravam ações que somaram R$ 19 mil de lucro em um ano. A VALE3 tinha P/L de 27,8 pelo balanço, ou 7,7 sem dois lançamentos que não se repetem. O mesmo dinheiro na Vale comprava R$ 3,6 mil ou R$ 13,1 mil de lucro, dependendo de qual número você usa.

Resposta curta: P/L = preço da ação ÷ lucro por ação dos últimos 12 meses. Um P/L de 10 quer dizer que você paga 10 anos do lucro de hoje. O número engana em três casos: quando o lucro tem itens que não se repetem, quando a empresa está no topo ou no fundo de um ciclo e quando o lucro vai crescer ou cair muito. Por isso o P/L se compara com empresas do mesmo setor e com o crescimento esperado, nunca sozinho.

Como calcular o P/L?

Primeiro, o lucro por ação (LPA): lucro líquido dos últimos quatro trimestres dividido pelo número de ações. Depois, divida o preço da ação pelo LPA.

A Petrobras lucrou R$ 133,4 bilhões para os acionistas entre o 3º trimestre de 2025 e o 2º trimestre de 2026, segundo os relatórios de desempenho da empresa. Dividido por 12,9 bilhões de ações, dá R$ 10,35 por ação. Com a PETR4 a R$ 54,33 em 07/10/2026, o P/L é 54,33 ÷ 10,35 = 5,3.

Outro jeito de ler o mesmo número é inverter a conta: lucro ÷ preço. Na PETR4, 1 ÷ 5,3 = 19%. Cada R$ 100 aplicados na ação correspondiam a R$ 19 de lucro da empresa em 12 meses. Isso não é o que cai na sua conta. Cai o dividendo, que é a parte do lucro que a empresa decide distribuir. O resto fica na empresa para investir ou pagar dívida.

Fonte: B3, COTAHIST de 07/10/2026 (fechamento); relatórios do 4º trimestre de 2025 e do 2º trimestre de 2026 da Petrobras e da Vale; dólar PTAX de venda de 07/10/2026 (R$ 4,9935, Banco Central). Lucro dos 12 meses entre o 3º trimestre de 2025 e o 2º trimestre de 2026, atribuído aos acionistas. Lote inteiro que R$ 100 mil compravam.
Ação Preço (07/10/2026) Lucro por ação (12 meses) P/L Lucro das ações que R$ 100 mil compram
PETR4 (Petrobras) R$ 54,33 R$ 10,35 5,3 R$ 19.041 (1.840 ações)
VALE3, lucro contábil R$ 68,75 R$ 2,47 27,8 R$ 3.592 (1.454 ações)
VALE3, sem itens não recorrentes R$ 68,75 R$ 8,98 7,7 R$ 13.058 (1.454 ações)
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Por que a Vale tem dois P/L?

Porque o lucro do balanço trouxe dois lançamentos que não se repetem. No 4º trimestre de 2025, a Vale teve prejuízo de US$ 3,8 bilhões. Ali entraram uma baixa de US$ 3,5 bilhões no valor das minas de níquel no Canadá e outra de US$ 2,8 bilhões em créditos fiscais. Nenhuma das duas tirou dinheiro do caixa naquele trimestre: foram ajustes no valor de coisas que a empresa já tinha.

Com esses itens, o lucro de 12 meses foi de US$ 2,1 bilhões, ou R$ 2,47 por ação no dólar de 07/10/2026. P/L de 27,8. Sem eles, foi de US$ 7,7 bilhões, ou R$ 8,98 por ação. P/L de 7,7.

Quem olha só o 27,8 acha a Vale cara. Quem olha só o 7,7 esquece que a baixa do níquel mostra um negócio que vale menos do que o balanço dizia. Os dois números contam uma parte. A regra prática: quando o P/L de uma empresa grande pula de um ano para o outro, procure no relatório do trimestre a linha de “itens não recorrentes” ou “lucro ajustado” antes de tirar conclusão. A comparação completa das duas empresas está em PETR4 ou VALE3.

P/L baixo quer dizer ação barata?

Não sozinho. O P/L usa o lucro do passado, e o preço da ação olha para o lucro do futuro. Duas situações deixam o P/L baixo sem que a ação esteja barata.

Empresa de ciclo no topo

Petroleiras, mineradoras e siderúrgicas vendem um produto com preço definido lá fora. A Petrobras é o exemplo: o barril do Brent subiu 87% entre 07/10/2025 e 06/10/2026, segundo a série diária da EIA, a agência de energia dos Estados Unidos. Os R$ 133,4 bilhões de lucro carregam esse petróleo caro. Se o barril voltar ao preço de um ano atrás, o lucro cai e o mesmo preço de ação passa a ter um P/L bem maior. Em empresa de ciclo, o P/L costuma parecer mais baixo justamente quando o lucro está no pico.

Lucro em queda

O lucro ajustado do Banco do Brasil caiu de R$ 11,2 bilhões no 1º semestre de 2025 para R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026, segundo o sumário de resultados do banco. O próprio banco calculou um P/L de 12 meses de 7,84 com a ação a R$ 19,90 no fim de junho. Parece baixo até você ver que o lucro do denominador é de um período melhor que o atual. A conta do banco com o patrimônio está no guia de P/VP.

Como o crescimento muda a leitura do P/L?

Um P/L mais alto pode sair mais barato se o lucro crescer. Faça a conta com duas empresas hipotéticas, as duas a R$ 100 por ação e lucro de R$ 10 por ação hoje (P/L de 10):

  • A empresa A mantém o lucro em R$ 10 por ação. Daqui a 5 anos, o P/L sobre o preço que você pagou continua 10.
  • A empresa B cresce o lucro 10% ao ano. Em 5 anos, o lucro chega a R$ 16,11 por ação, e o P/L sobre o preço que você pagou cai para 6,2.

Se a empresa B estivesse custando R$ 140 hoje (P/L de 14), em 5 anos o P/L sobre o seu preço seria 8,7, ainda abaixo do 10 da empresa A. É por isso que o mercado aceita P/L maior em empresa que cresce lucro com consistência. O Itaú, por exemplo, teve lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no 2º trimestre de 2026, 7,8% acima do mesmo trimestre de 2025, segundo o comunicado de resultados. Esse crescimento é parte do motivo de o banco valer mais por real de lucro que o Banco do Brasil.

O risco mora na premissa. Se o crescimento não vem, quem pagou P/L alto fica com uma ação cara. Para testar quanto uma ação valeria com o lucro e o crescimento que você espera, use a calculadora de preço justo.

Dá para comparar o P/L com a renda fixa?

Dá, com cuidado. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17/09/2026, segundo o Banco Central. O inverso do P/L (lucro ÷ preço) mostra quanto de lucro cada real aplicado na ação compra: 19% na PETR4, 3,6% na Vale pelo balanço e 13,1% na Vale sem os itens não recorrentes.

A comparação tem dois limites. O lucro da empresa não é renda garantida, e só a parte distribuída como dividendo chega a você. E o lucro pode crescer com a inflação, coisa que um título prefixado não faz. Qual dos dois pesa mais depende de quanto sobe e desce você aguenta ver no saldo; o teste de Perfil de Cagaço ajuda a medir isso.

Perguntas frequentes

P/L negativo: o que significa?

Que a empresa teve prejuízo nos últimos 12 meses. O preço é positivo e o lucro por ação é negativo, então a divisão dá negativo. Nesse caso o indicador não diz quantos anos de lucro você paga, porque não há lucro. Vale olhar se o prejuízo veio de item não recorrente, como as baixas da Vale no 4º trimestre de 2025, ou da operação.

Existe P/L ideal?

Não existe um número que sirva para todas as empresas. Empresa de ciclo pode ter P/L baixo no pico do lucro, e empresa que cresce pode merecer P/L alto. Compare com empresas do mesmo setor, com o histórico da própria ação e com o crescimento esperado do lucro.

P/L alto significa que a ação está cara?

Não necessariamente. Pode ser lucro deprimido por um item que não se repete (a VALE3 tinha P/L de 27,8 no contábil e 7,7 sem as duas baixas) ou expectativa de crescimento. Fica cara quando o preço pede um crescimento que a empresa não entrega.

P/L e P/VP: qual a diferença?

O P/L compara o preço com o lucro; o P/VP compara o preço com o patrimônio líquido. O P/L funciona melhor em empresas com lucro estável; o P/VP, em bancos e fundos imobiliários. Os dois se ligam pelo ROE (lucro ÷ patrimônio): P/L = P/VP ÷ ROE. Um banco com P/VP de 2,60 e ROE de 24,3%, como o Itaú no 2º trimestre de 2026, tem P/L perto de 10,7.

Fontes:

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Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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