R$ 100 mil compram R$ 131 mil de patrimônio no Banco do Brasil e R$ 38,5 mil no Itaú: o que é P/VP

P/VP é o preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação. A conta com R$ 100 mil no Banco do Brasil, no Itaú e em quatro FIIs, por que P/VP baixo não é barato sem o ROE e como o ágio come o rendimento do fundo.

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Atualizado em 8 de outubro de 2026.

P/VP é o preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação. Ele diz quanto você paga por cada R$ 1 que a empresa tem de patrimônio no balanço. No fechamento de 07/10/2026, R$ 100 mil em ações do Banco do Brasil compravam R$ 131 mil de patrimônio. Os mesmos R$ 100 mil no Itaú compravam R$ 38,5 mil. Nem por isso o Banco do Brasil é três vezes mais barato, e a conta abaixo mostra por quê.

Resposta curta: P/VP = preço da ação ÷ valor patrimonial por ação. Abaixo de 1, você paga menos que o patrimônio contábil; acima de 1, paga mais. O número sozinho não diz se a ação está barata: é preciso olhar quanto lucro esse patrimônio gera (o ROE). Em fundo imobiliário, o P/VP compara a cota da bolsa com o valor dos imóveis ou títulos do fundo, e pagar ágio reduz o rendimento que você leva.

Como calcular o P/VP?

São duas contas. Primeiro, o valor patrimonial por ação (VPA): patrimônio líquido da empresa dividido pelo número de ações. Patrimônio líquido é o que sobra quando você tira as dívidas do total de bens. Depois, divida o preço da ação pelo VPA.

No Banco do Brasil, o VPA era R$ 31,76 em junho de 2026, segundo o sumário do resultado do 2º trimestre. A ação BBAS3 fechou a R$ 24,18 em 07/10/2026. P/VP = 24,18 ÷ 31,76 = 0,76. Você paga R$ 0,76 por R$ 1 de patrimônio.

No Itaú, o VPA era R$ 18,92 em junho. A ITUB4 fechou a R$ 49,11. P/VP = 49,11 ÷ 18,92 = 2,60. Você paga R$ 2,60 por R$ 1 de patrimônio.

Repare que o preço vem do pregão e o patrimônio vem do último balanço. O patrimônio só muda quando sai resultado novo (a cada trimestre nas empresas, todo mês nos fundos imobiliários). Por isso o P/VP de um site pode diferir do de outro: um usa o balanço de junho, outro já usa o de setembro.

Fonte: B3, COTAHIST de 07/10/2026 (fechamento); RI do Itaú e do Banco do Brasil (VPA de 30/06/2026); Fundos.NET, informes mensais de 31/08/2026 (valor patrimonial da cota). Lote inteiro que R$ 100 mil compravam no fechamento.
Ativo Preço (07/10/2026) Valor patrimonial P/VP Patrimônio que R$ 100 mil compram
BBAS3 (Banco do Brasil) R$ 24,18 R$ 31,76 0,76 R$ 131.328
HGLG11 (galpões) R$ 156,49 R$ 165,95 0,94 R$ 106.042
BTLG11 (galpões) R$ 104,68 R$ 106,69 0,98 R$ 101.889
MXRF11 (papel e imóveis) R$ 9,45 R$ 9,26 1,02 R$ 97.989
KNCR11 (papel) R$ 105,59 R$ 102,64 1,03 R$ 97.200
ITUB4 (Itaú) R$ 49,11 R$ 18,92 2,60 R$ 38.521
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P/VP baixo quer dizer ação barata?

Não sozinho. Patrimônio parado não paga nada. O que paga é o lucro que esse patrimônio gera, e é isso que o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) mede: lucro do período dividido pelo patrimônio.

No 2º trimestre de 2026, o Itaú rodou com ROE recorrente de 24,3% ao ano, segundo o comunicado de resultados de 05/08/2026. O Banco do Brasil teve retorno sobre o patrimônio de 8,3% no mesmo trimestre, pelo sumário do resultado. Cada R$ 100 de patrimônio do Itaú geravam cerca de R$ 24 de lucro por ano. No BB, cerca de R$ 8.

Agora junte as duas pontas com os R$ 100 mil da tabela:

  • BBAS3: R$ 131.328 de patrimônio × 8,3% = cerca de R$ 10.900 de lucro por ano que pertencem às suas ações.
  • ITUB4: R$ 38.521 de patrimônio × 24,3% = cerca de R$ 9.360 de lucro por ano.

O desconto que parecia de 3,4 vezes no P/VP vira uma diferença de 16% no lucro que o seu dinheiro compra. Isso tem uma fórmula curta: ROE ÷ P/VP dá o lucro anual sobre o preço que você pagou. No BB, 8,3% ÷ 0,76 = 10,9%. No Itaú, 24,3% ÷ 2,60 = 9,4%.

E a conta ainda não pesa a direção do lucro. O lucro ajustado do Banco do Brasil caiu de R$ 11,2 bilhões no 1º semestre de 2025 para R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026, puxado pela inadimplência no agronegócio. O do Itaú subiu 7,8% no 2º trimestre contra o mesmo período de 2025. O mercado cobra P/VP alto de quem entrega ROE alto e estável, e dá desconto a quem tem o lucro em queda ou em risco. A comparação completa dos dois bancos, com dividendos, está em Banco do Brasil ou Itaú.

Há ainda a armadilha do patrimônio que encolhe. Empresa que dá prejuízo seguido queima patrimônio todo trimestre. O P/VP de 0,6 de hoje pode ser 0,9 amanhã com o mesmo preço, só porque o VPA caiu.

Como funciona o P/VP em fundo imobiliário?

A lógica é a mesma, mas o patrimônio é mais fácil de enxergar: são os imóveis, os títulos de dívida imobiliária (CRIs) e o caixa do fundo. Todo mês o administrador publica no Fundos.NET o informe mensal com o patrimônio líquido e o valor patrimonial da cota. Divida o preço da cota na bolsa por esse valor.

No HGLG11, a cota valia R$ 165,95 em patrimônio em 31/08/2026 e fechou a R$ 156,49 em 07/10/2026: P/VP de 0,94. Com R$ 100 mil, você leva R$ 106 mil em galpões avaliados. No KNCR11 é o contrário: cota a R$ 105,59 para um patrimônio de R$ 102,64 por cota, P/VP de 1,03.

Por que o ágio come o rendimento?

Num fundo de CRI, a carteira rende um tanto sobre o valor patrimonial. Quem paga ágio recebe esse rendimento sobre um preço mais alto. O relatório de agosto de 2026 do KNCR11 traz a conta pronta: pelo valor patrimonial, a carteira de CRIs rende CDI + 2,01% ao ano. Para quem compra a cota a R$ 105,50, o mesmo rendimento vira CDI + 0,87%. Os 3% de ágio levaram mais de um ponto percentual por ano do seu ganho.

Em fundo de imóveis, o desconto também não garante nada. O valor patrimonial vem de laudo de avaliação, feito uma vez por ano em muitos fundos. Se o mercado acha o laudo otimista, ou se a vacância (área vazia) sobe, a cota fica abaixo do patrimônio por anos. A diferença entre os dois tipos de fundo está em FII de papel ou tijolo.

Quando o P/VP ajuda e quando atrapalha?

Ele funciona melhor onde o balanço mostra o que gera o lucro:

  • Bancos e seguradoras: o patrimônio é a matéria-prima do negócio, porque o Banco Central limita quanto o banco empresta em relação ao capital. Aqui o P/VP com ROE é a dupla padrão.
  • Fundos imobiliários: o valor patrimonial é atualizado todo mês e corresponde a ativos que dá para listar.
  • Empresas de energia e indústria pesada: usinas, linhas e fábricas aparecem no balanço.

Ele atrapalha em empresas de software, marcas e serviços. O valor dessas empresas está em contratos, clientes e tecnologia que não aparecem no patrimônio. Um P/VP de 8 pode ser normal ali. Para essas, o P/L, que compara o preço com o lucro, diz mais.

Na prática, três perguntas resolvem a maior parte das leituras:

  1. Qual é o ROE, e ele está subindo ou caindo?
  2. O P/VP está alto ou baixo em relação a empresas do mesmo setor e ao próprio histórico?
  3. O patrimônio está crescendo, ou a empresa está queimando patrimônio com prejuízo?

Se você quer testar quanto uma ação valeria com o lucro e o crescimento que você espera, a calculadora de preço justo faz a conta. E antes de trocar um banco caro por um barato, vale saber quanto de queda você aguenta sem vender: o teste de Perfil de Cagaço mede isso em dois minutos.

Perguntas frequentes

P/VPA: o que é?

É o mesmo indicador com outro nome. P/VPA significa preço sobre valor patrimonial por ação. O próprio Banco do Brasil usa a sigla P/VPA no sumário de resultados. O cálculo é igual: preço da ação ÷ patrimônio líquido por ação.

Qual é o P/VP do Banco do Brasil?

0,76 no fechamento de 07/10/2026: ação a R$ 24,18 e valor patrimonial de R$ 31,76 por ação em 30/06/2026. O número muda todo dia com o preço e a cada trimestre com o balanço. O resultado do 3º trimestre de 2026 traz um VPA novo.

Existe P/VP ideal para FII?

Não existe um número que sirva para todos. Perto de 1 quer dizer que você paga o valor da carteira. Abaixo de 1, o mercado desconta alguma coisa (laudo, vacância, dívida do fundo); acima, você paga ágio e recebe um rendimento menor sobre o seu dinheiro, como mostra a conta do KNCR11 acima. Compare com fundos do mesmo tipo e olhe o motivo do desconto ou do ágio.

Qual é o P/VP do MXRF11?

1,02 em 07/10/2026: cota a R$ 9,45 e valor patrimonial de R$ 9,26 por cota no informe de 31/08/2026. Você pagava R$ 1,02 por R$ 1 de carteira, praticamente o valor do fundo. Rendimentos, emissões e a conta com R$ 100 mil estão em MXRF11 dividendos.

Fontes:

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Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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