O que é FGC? O seguro que protege seu dinheiro no banco

FGC garante até R$250 mil por CPF por banco em caso de falência. Entenda o que é coberto (CDB, LCI, poupança), o limite total e como funciona na prática.

⏰ 4 min de leitura

O que é FGC?

FGC é o Fundo Garantidor de Créditos — o seguro que protege o dinheiro que você tem em bancos e corretoras no Brasil. Se uma instituição financeira quebrar, o FGC cobre até R$250 mil por CPF por instituição, com teto de R$1 milhão total em 4 anos.

O que é FGC, em resumo?

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada sem fins lucrativos que garante depósitos e investimentos em caso de falência de bancos, corretoras ou cooperativas de crédito associados. Criado em 1995, o FGC é financiado pelas próprias instituições financeiras (que pagam contribuições mensais ao fundo) e serve como colchão de segurança para o sistema bancário. Pense nele como o “seguro FDIC americano” do Brasil.

O FGC nunca precisou deixar um investidor sem receber em toda sua história — mesmo durante as quebras de bancos como o Banco Santos (2004), Cruzeiro do Sul (2012) e outros.

O que é coberto pelo FGC?

O FGC cobre os seguintes produtos quando emitidos por instituições associadas:

  • Poupança
  • CDB (Certificado de Depósito Bancário)
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
  • LC (Letras de Câmbio)
  • LH (Letra Hipotecária)
  • Depósitos à vista e depósitos a prazo
  • Depósitos de poupança de associações de poupança e empréstimo

O que não é coberto pelo FGC:

  • Fundos de investimento (CDB dentro de fundo, não)
  • Debêntures
  • CRI e CRA
  • Ações e FIIs (mercado de capitais em geral)
  • Títulos públicos (Tesouro Direto) — esses têm garantia direta do governo federal, não precisam do FGC
  • Contas de pagamento (cartões pré-pagos, contas de fintech — verificar caso a caso)

Limite de Cobertura

Os limites do FGC desde 2013:

  • R$250.000 por CPF/CNPJ por conglomerado financeiro
  • R$1.000.000 total por CPF/CNPJ, considerando todas as instituições, no prazo de 4 anos

O limite é por conglomerado financeiro — não por banco individual. Então CDB do Banco do Brasil e CDB do Banco BV são considerados separados; mas CDB do Itaú e CDB do Itaú Unibanco Private (mesmo conglomerado) são somados.

Exemplo prático:

  • R$250.000 em CDB do Banco A → 100% coberto
  • R$250.000 em CDB do Banco B → 100% coberto
  • R$300.000 em CDB do Banco A → R$250.000 coberto, R$50.000 não coberto

Como o FGC funciona na prática

Se uma instituição financeira tiver a liquidação decretada pelo Banco Central:

  1. O FGC é acionado automaticamente
  2. A instituição entra em intervenção ou liquidação extrajudicial
  3. O FGC paga os investidores cobertos em até 3 meses após a decretação da liquidação
  4. O pagamento inclui principal + rendimentos acumulados até a data da liquidação

O processo pode levar alguns meses, mas historicamente o FGC pagou todos os credores cobertos sem exceções.

FGC e CDBs de Bancos Pequenos

Bancos médios e pequenos frequentemente oferecem CDBs com taxas acima de 120-130% do CDI, enquanto grandes bancos pagam 80-100% do CDI. Por que? Bancos menores precisam competir com juros maiores para captar recursos.

Para o investidor que respeita o limite do FGC, isso é quase “free lunch”: pegar o melhor rendimento disponível, com cobertura do seguro. A condição: checar se a instituição é associada ao FGC (virtualmente todos os bancos regulados pelo Banco Central são), respeitar o limite de R$250 mil por conglomerado e não concentrar mais de R$1 milhão total.

O risco real de um banco menor quebrar existe — mas dentro do limite do FGC, você está protegido. O risco é o atraso no recebimento (meses), não a perda do principal.

Resumo: o que você precisa saber sobre o FGC

  • FGC garante até R$250 mil por CPF por conglomerado financeiro em caso de falência.
  • Limite total de R$1 milhão por CPF em 4 anos (somando todas as instituições).
  • Cobre: poupança, CDB, LCI, LCA, LC, depósitos à vista.
  • Não cobre: fundos, debêntures, CRI/CRA, ações, FIIs, Tesouro Direto.
  • Estratégia válida: distribuir CDBs de bancos menores (maior taxa) respeitando o limite por instituição.

Perguntas frequentes sobre FGC

O FGC tem dinheiro suficiente para cobrir todas as quebras?

O patrimônio do FGC é de dezenas de bilhões de reais, suficiente para cobrir quebras de bancos médios e pequenos. Para uma quebra sistêmica envolvendo grandes bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil), o FGC provavelmente não seria suficiente sozinho — mas o governo e o Banco Central atuariam com outros mecanismos. Na prática, o FGC é dimensionado para o risco real de falências de instituições pequenas e médias.

CDB de fintech (Nubank, C6, Inter) tem FGC?

Sim. Nubank, C6 Bank, Banco Inter e outras fintechs com licença bancária completa são associados ao FGC. Seus CDBs têm a mesma cobertura de qualquer banco tradicional. Fique atento a fintechs que operam apenas como instituição de pagamento (sem licença bancária) — nesse caso podem não ter FGC ou ter cobertura diferente.

Vale a pena dividir investimentos em vários bancos para ter mais FGC?

Sim, é uma estratégia legítima para quem tem mais de R$250 mil para alocar em renda fixa. Dividir R$500 mil em dois bancos diferentes, R$250 mil cada, garante cobertura total. Algumas plataformas (XP, BTG, Warren) facilitam isso com acesso a CDBs de vários bancos em uma única conta — você diversifica com menos burocracia.

Veja tambem no glossario

Denis Miyabara
Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

Artigos: 462