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Se você tem BBAS3 na carteira esperando aquele dividendo gordo de sempre, presta atenção nessa conta antes do próximo pagamento cair.
O Banco do Brasil virou, nos últimos dois anos, o pior nome da carteira recomendada de dividendos da Empiricus. Não foi uma crise no sistema financeiro inteiro — os bancos privados estão bem, obrigado. O problema foi dentro de casa: inadimplência no crédito agrícola, lucro em queda livre e um corte de payout que ninguém avisou que ia doer tanto.
Trimestre a trimestre, o lucro do BB foi de R$ 9 bilhões (2024) para R$ 7,3 bilhões (2025) e R$ 3,4 bilhões (2026). Uma queda de 62% em dois anos. E enquanto isso acontecia, o banco decidiu distribuir uma fatia menor do que sobrou: o payout caiu de 45% para 30%, valendo desde 2026.
O que aconteceu com o lucro do Banco do Brasil
Não foi um trimestre ruim isolado. Foi uma ladeira de dois anos seguidos:
- 2024: R$ 9 bilhões de lucro trimestral
- 2025: R$ 7,3 bilhões
- 2026: R$ 3,4 bilhões
O motivo apontado por quem acompanha o setor não é uma crise geral no sistema financeiro — é a inadimplência no crédito agrícola, um problema mais concentrado no BB do que nos bancos privados, que têm carteira de crédito mais diversificada.

Por que o payout caiu de 45% para 30%
Payout é a fatia do lucro que a empresa distribui aos acionistas como dividendo. Quando o lucro encolhe, o banco tem duas opções: manter o mesmo percentual de distribuição (e pagar menos em valor absoluto) ou reduzir o percentual também, retendo mais capital.
O Banco do Brasil escolheu o segundo caminho. Valendo desde 2026, o payout caiu de 45% para 30% — o que significa que o efeito na sua conta bancária não é só “o lucro caiu”, é “o lucro caiu E a fatia que sobra pra você também caiu”.
Por que justamente o crédito agrícola quebrou o resultado
O Banco do Brasil sempre foi, historicamente, o principal financiador do agronegócio brasileiro — papel que carrega desde a era do crédito rural subsidiado. Isso é bom quando a safra vai bem e o produtor paga em dia. É péssimo quando o cenário vira: preço de commodity em queda, custo de insumo em alta, clima ruim em praças importantes. O resultado é inadimplência concentrada justamente na carteira que o BB tem em maior proporção do que qualquer banco privado.
Bradesco, Santander e Itaú têm exposição ao agro, mas diluída dentro de uma carteira de crédito muito mais diversificada — pessoa física, cartão, crédito consignado, financiamento imobiliário. Quando um pedaço da carteira do BB quebra, o efeito no resultado consolidado é proporcionalmente maior, porque aquele pedaço pesa mais no total.
Isso não é uma falha de gestão pontual — é a consequência de décadas de o BB carregar um mandato semipúblico de fomento ao campo. O problema é que esse mandato não muda quando o ciclo agrícola vira ruim. O banco continua tendo que emprestar pro setor, mesmo quando o risco de calote sobe.
Quanto isso custa na prática: a conta com R$ 50 mil em BBAS3
Esquece por um segundo os percentuais e faz a conta em reais, que é o que cai na sua conta:
- Yield de 2024 (~11% ao ano): cerca de R$ 5.500/ano
- Yield de hoje (2,73% ao ano, últimos 12 meses): cerca de R$ 1.365/ano
São R$ 4.135 a menos por ano, todo ano, enquanto a posição continuar do mesmo tamanho — e olha que essa diferença não vem só do corte de payout. Vem do lucro que desabou junto. As duas coisas batendo ao mesmo tempo é o que transforma uma ação de dividendo boa numa decepção silenciosa.
Enquanto o BB cortava, o Itaú prometia mais
No mesmo período em que o Banco do Brasil cortava payout, o CEO do Itaú fechava 2025 prometendo dividendo “ainda maior” para 2026. Não foi coincidência de marketing: a carteira de dividendos que tinha o BB como titular trocou de banco — tirou o BB, colocou o Itaú.
Ninguém mandou um comunicado pra quem ainda segura BBAS3 esperando o dividendo de antes. O dinheiro institucional já fez a troca. Quem acompanha só o preço da ação, sem olhar o payout, é o último a saber.

| Banco do Brasil (BBAS3) | Itaú (ITUB4) | |
|---|---|---|
| Lucro trimestral 2024 | R$ 9 bi | Crescimento sustentado |
| Lucro trimestral 2026 | R$ 3,4 bi (-62%) | Sem corte reportado |
| Payout | Cortado de 45% para 30% | Prometido “ainda maior” para 2026 |
| Yield recente (12m) | 2,73% | Mantido/crescente |
| Risco extra | Estatal — pode ser usado como instrumento de política pública | Privado — foco em retorno ao acionista |
O que fazer se você já tem BBAS3 na carteira
Ninguém aqui está dizendo pra vender tudo amanhã de manhã. A decisão de manter, reduzir ou zerar posição depende do seu objetivo com a ação — se você comprou pensando em renda passiva mensal/trimestral, o cálculo mudou e vale reavaliar; se você comprou pensando em valuation (preço/lucro descontado, esperando recuperação de médio prazo), a tese é outra e o corte de payout entra como um dado a mais, não como veredito final.
O ponto prático é: quem segura BBAS3 só porque “sempre pagou bem” está operando com informação desatualizada. O payout de 45% que sustentava aquele yield de 11% não existe mais. Reavaliar não é pânico, é atualização de tese com dado novo.
Vale também acompanhar os próximos resultados trimestrais para ver se a inadimplência agrícola está sendo digerida ou se continua piorando. Um trimestre de estabilização já muda o quadro; uma sequência de pioras reforça o problema estrutural.
O risco que o BB tem e o Itaú não tem
Além do lucro em queda, o Banco do Brasil carrega um risco que banco privado não tem: por ser estatal, corre o risco de ser usado como instrumento de política pública — crédito direcionado, subsídio a setores estratégicos como o agro — em vez de priorizar retorno ao acionista.
Isso não é uma acusação, é a natureza do negócio. Um banco público responde a duas prioridades ao mesmo tempo: o lucro do acionista e a política do governo. Quando as duas colidem, adivinha qual costuma ceder primeiro.
E se o governo decidir usar o BB pra outra coisa que não é lucro? É a pergunta que quem segura BBAS3 hoje precisa se fazer antes do próximo pagamento.
BBAS3 x Bradesco x Santander: o BB está sozinho nessa?
Vale separar o joio do trigo: o setor bancário brasileiro como um todo não está em crise. Itaú fechou 2025 prometendo dividendo maior para 2026 — sinal de confiança, não de cautela. Bradesco e Santander também não reportaram o tipo de queda de lucro trimestral que o BB reportou.
O que isso mostra é que o problema não é “banco brasileiro” — é “Banco do Brasil especificamente”, por causa da concentração em crédito agrícola e da natureza estatal da instituição. Comparar BBAS3 com o setor inteiro esconde o problema; comparar BBAS3 com seus pares diretos (bancões privados) deixa o problema visível.
Vale a pena continuar com BBAS3 pensando em dividendo?
Depende do perfil de cada investidor — mas o dado objetivo é que o banco saiu do grupo de ações mais recomendadas para carteiras de dividendo justamente pela queda de lucro e pelo corte de payout. Não é opinião, é o que aconteceu na prática: a carteira trocou o BB pelo Itaú.
Se a tese que te fez comprar BBAS3 foi “banco estatal paga dividendo bom e é seguro”, essa tese está sob pressão pelos três lados: lucro caindo, payout cortado e risco de uso político do crédito.
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Perguntas frequentes sobre BBAS3 e o corte de dividendo
O que é payout e por que ele caiu?
Payout é a fatia do lucro que a empresa distribui aos acionistas como dividendo. O BB reduziu de 45% para 30% porque o lucro encolheu e a empresa optou por reter mais capital em vez de manter o mesmo percentual de distribuição.
Por que o lucro do Banco do Brasil caiu tanto?
O motivo apontado não é uma crise geral no sistema financeiro, mas a inadimplência no crédito agrícola — carteira mais concentrada no BB do que nos bancos privados.
Quanto eu perco de dividendo com R$ 50 mil em BBAS3?
Saindo de um yield de ~11% (2024) para 2,73% (últimos 12 meses), a diferença é de cerca de R$ 4.135 a menos por ano, para uma posição de R$ 50 mil.
O Itaú é melhor opção de dividendo agora?
O CEO do Itaú prometeu dividendo “ainda maior” para 2026, e carteiras recomendadas de mercado já trocaram BB por Itaú. Isso não é garantia de retorno futuro, mas reflete a leitura institucional atual.
Banco do Brasil tem algum risco que banco privado não tem?
Sim — por ser estatal, pode ser usado como instrumento de política pública (crédito direcionado, subsídio a setores) em vez de priorizar retorno ao acionista.
Devo vender BBAS3 agora?
Não existe resposta genérica — depende do seu objetivo com a posição. Quem comprou pensando em renda passiva recorrente precisa reavaliar, já que o payout que sustentava aquele yield não existe mais. Quem comprou pensando em valuation de longo prazo trata o corte como um dado a mais na análise, não como veredito automático de venda.
Os outros bancos brasileiros também cortaram dividendo?
Não. Itaú prometeu dividendo maior para 2026, e nem Bradesco nem Santander reportaram queda de lucro trimestral no mesmo padrão do BB. O problema é concentrado no Banco do Brasil, ligado à exposição ao crédito agrícola.
Como reavaliar uma ação de dividendo quando o payout muda
O caso do Banco do Brasil serve de aula prática pra qualquer investidor que monta carteira de dividendo: nunca trate o payout como número fixo. Empresas mudam política de distribuição quando o cenário muda, e isso pode acontecer de um trimestre pro outro, sem aviso prévio no seu extrato.
Três perguntas valem pra qualquer ação de dividendo, não só pra BBAS3:
- O lucro que sustenta o dividendo está crescendo, estável ou caindo? Dividendo alto sobre lucro em queda é sinal de alerta, não de oportunidade.
- O payout mudou recentemente? Se sim, o yield histórico que te atraiu não reflete mais a política atual da empresa.
- Existe algum fator estrutural (setorial, regulatório, político) que pode se repetir? No caso do BB, o vínculo com crédito agrícola e a natureza estatal são fatores que não desaparecem entre um trimestre e outro.
Quem aplica esse checklist antes de comprar — e não só depois que o resultado já veio ruim — evita boa parte da decepção de ver o yield despencar de um ano pro outro.
Conclusão
Lucro caindo 62% em dois anos, payout cortado de 45% para 30% e um risco de uso político que banco privado não carrega: essa é a foto do Banco do Brasil em 2026. Antes de aportar mais em BBAS3 pensando só no dividendo de antes, vale conferir se a tese que te trouxe até aqui ainda está de pé.
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