Banco do Brasil (BBAS3) ou Itaú (ITUB4): qual a melhor ação para dividendos em 2026?

BB lucrou 54% menos, Itaú subiu 10% — mas Barsi mantém o BBAS3. Veja a conta em R$/mês e qual ação rende mais dividendo em 2026.

⏰ 10 min de leitura

Banco do Brasil (BBAS3) ou Itaú (ITUB4): qual a melhor ação para dividendos em 2026?

Fachada do Banco do Brasil (BBAS3), ação no centro do debate sobre dividendos em 2026

Dois balanços do primeiro trimestre de 2026 caíram na mesma semana e contaram histórias opostas. O Banco do Brasil lucrou R$ 3,4 bilhões — uma queda de 54% — com a rentabilidade no chão. O Itaú lucrou R$ 12,3 bilhões, subiu 10% e cravou o melhor ROE entre os grandes bancos. O mercado fez o óbvio: surrou o BBAS3 e abraçou o ITUB4. Até aí, nenhuma surpresa. O problema é o seguinte: Luiz Barsi, o maior investidor pessoa física do Brasil em dividendos, tem ação do Banco do Brasil desde os anos 1970 e não vendeu uma única no meio dessa carnificina. Ele segurou justamente o papel que despencou. E não é teimosia de velho rico. É leitura de balanço. Neste artigo eu te mostro a conta, em R$ por mês, de quem coloca R$ 20 mil em cada um hoje — e por que essa decisão depende mais do seu estômago do que do seu Excel.

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Os números brutos do 1T26: dois bancos, dois mundos

Vamos começar pelo placar, sem anestesia. Mesmo país, mesma Selic a 14,25%, mesma economia. E olha o tamanho da diferença que dois bancos conseguiram produzir no mesmo trimestre:

Agência do Itaú (ITUB4), banco que entregou o melhor ROE entre os grandes no 1T26
O Itaú entregou ROE de 24,8% no 1T26 — o melhor entre os bancões. Foto: Money Times.

O Itaú reportou R$ 12,28 bilhões de lucro líquido, alta de 10,4% na comparação anual, com um ROE de 24,8%. Para quem não vive de sigla: ROE é o quanto o banco consegue gerar de lucro em cima do próprio patrimônio. Vinte e quatro por cento é número de máquina bem azeitada. A carteira de crédito chegou a R$ 1,482 trilhão, crescendo 9%.

Do outro lado do ringue, o Banco do Brasil mostrou R$ 3,4 bilhões de lucro — uma queda de 53,5% — e um ROE de 7,3%. Sete vírgula três. O BB historicamente rodava com rentabilidade acima de 20%. Caiu para um patamar que, sendo honesto, é rentabilidade de poupança mal administrada. O mercado não perdoou: a ação abriu o ano em R$ 21,48 e está em R$ 19,58, acumulando queda de quase 9% no ano, enquanto o ITUB4 subia 5,7% no mesmo período.

Por que o Banco do Brasil sangrou tanto?

Uma palavra explica quase tudo: agronegócio.

O BB tem a maior carteira de crédito rural do país. Quando o agro vai bem, isso é uma máquina de lucro. Quando a fazenda não paga — e no último ciclo muita fazenda não pagou —, vira uma fila de provisão. Provisão é o dinheiro que o banco separa porque desconfia que o empréstimo não volta. E separar dinheiro come o lucro na veia.

Os números do rombo são desconfortáveis. O custo de crédito foi revisado para a faixa de R$ 65 a 70 bilhões, contra os R$ 53 a 58 bilhões previstos antes. O guidance de lucro para 2026 foi cortado de R$ 22-26 bilhões para R$ 18-22 bilhões. O próprio CEO foi a público admitir que o ano vai ser “mais apertado”. Quando o presidente do banco te avisa que vem aperto, ele não está sendo pessimista — está sendo honesto, o que no mercado financeiro já é quase um milagre.

Aqui está o ponto que separa o investidor afobado do investidor que dorme à noite: o agro é cíclico. Chuva ruim, preço de commodity no chão e safra fraca não são permanentes. Eles giram. A pergunta de R$ 1 milhão é se você acredita que o ciclo vira nos próximos 2 ou 3 trimestres — ou se você acha que o BB virou um banco estruturalmente quebrado. São teses diferentes, e elas levam a botões diferentes na corretora.

A lógica do Barsi: comprar R$ 1 por R$ 0,65

Luiz Barsi Filho, maior investidor pessoa física do Brasil, manteve BBAS3 em 2026
Barsi tem BBAS3 desde os anos 1970 e não vendeu durante a queda. Foto: Investidor10.

Então por que o homem que construiu uma fortuna bilionária só comprando dividendo não se desfez do papel que mais caiu? Porque ele não está olhando o preço da tela. Está olhando o valor patrimonial.

O BBAS3 está sendo negociado abaixo do valor patrimonial — o famoso P/VP menor que 1. Traduzindo para a vida real: você compra R$ 1 de patrimônio do Banco do Brasil pagando cerca de R$ 0,65. É o banco em promoção de liquidação de fim de ano. O Itaú, no mesmo momento, negocia a um P/VP de aproximadamente 2,1 — você paga R$ 2,10 por cada R$ 1 de patrimônio. Pelo Itaú você paga caro porque ele é bom. Pelo BB você paga barato porque ele está no olho do furacão.

Barsi pensa em décadas, não em trimestres. Ele viveu a crise de 1994, quando o Banco do Brasil quase quebrou de verdade, e não vendeu. Na cabeça dele, agro cíclico + desconto patrimonial = paciência paga. Chuva volta, fazenda paga, provisão se dissolve, lucro reaparece, e quem comprou barato colhe o dividendo gordo na recuperação. É uma aposta. Mas é uma aposta com lastro contábil, não um chute.

Se quiser entender melhor antes de tomar qualquer decisão, gravei esse vídeo onde explico tudo com calma, balanço por balanço:
👉 Assista: Banco do Brasil ou Itaú — qual a melhor ação para dividendos em 2026?

A conta que importa: R$ 20 mil em cada, quanto pinga por mês?

Tanaka, chega de teoria. Vamos pôr R$ 20 mil em cada um hoje, 24 de junho de 2026, e ver quanto cai de dividendo bruto no seu bolso por mês. É essa conta que muda comportamento — não o discurso bonito.

Critério (R$ 20.000 aplicados) ITUB4 (Itaú) BBAS3 (Banco do Brasil)
Lucro 1T26 R$ 12,28 bi (+10,4%) R$ 3,4 bi (−53,5%)
ROE 1T26 24,8% (melhor entre grandes) 7,3% (mínima histórica)
P/VP (preço sobre patrimônio) ~2,1 (caro) <1 (R$1 por R$0,65)
Dividend Yield 12m ~7,8% 2,85%
Dividendo bruto hoje R$ 130/mês R$ 48/mês
Dividendo se guidance for cumprido (DY 7-8%) R$ 130/mês (estável) ~R$ 125/mês + valorização do papel
Tipo de risco Risco de mercado Risco político + cíclico

Lendo a tabela: hoje o ITUB4 paga R$ 130 por mês de dividendo bruto contra R$ 48 do BBAS3. Uma diferença de R$ 82 por mês a favor do Itaú, com o mesmo capital aportado. Itaú é o pagamento garantido na boca do caixa.

Mas olha a última linha do “se”. Se o Banco do Brasil cumprir o guidance e o dividend yield voltar para os 7-8% projetados, esses mesmos R$ 20 mil em BBAS3 passam a render cerca de R$ 125 por mês — quase empatando com o Itaú — só que com um bônus: a ação comprada barata ainda pode se valorizar quando o mercado perceber que a crise passou. Aí o jogo deixa de ser “qual paga mais” e vira “você quer R$ 130 garantido ou aposta R$ 125 com upside de valorização em cima?”.

O risco que ninguém te conta sobre o Banco do Brasil

Tem uma diferença entre os dois bancos que não aparece em nenhum DY e que muita gente ignora: a natureza do risco.

O Itaú decide a quem emprestar com base em uma única pergunta — isso dá retorno ajustado ao risco? É um banco privado, frio, calculista. Quando ele erra, errou na conta dele e ajusta na próxima.

O Banco do Brasil carrega uma mochila a mais: ele é instrumento de política pública. Empresta para o agro subsidiado, financia programa de governo, atende mandato político. Isso significa que parte das decisões de crédito não nasce de uma planilha de risco — nasce de Brasília. E quando essa conta dá errado, adivinha quem paga? O acionista. Você.

Resumindo o que você está comprando em cada papel:

  • Itaú (ITUB4): risco de mercado. Caro, eficiente, previsível. Você paga prêmio pela tranquilidade.
  • Banco do Brasil (BBAS3): risco político somado ao risco cíclico do agro. Barato, descontado, com upside — mas você assina embaixo de decisões que não são puramente econômicas.

Não existe resposta universal aqui. Existe o seu perfil. Quem entra hoje em BBAS3 não herda os 50 anos de paciência do Barsi — herda a crise no exato momento em que ela está mais feia. O Barsi tem reserva emocional e financeira para esperar o ciclo virar. A pergunta honesta é: você tem?

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Afinal, BBAS3 ou ITUB4 para dividendos em 2026?

A resposta sincera é: depende de qual problema você quer ter. Se o seu objetivo é renda passiva estável agora, dormir tranquilo e não acompanhar balanço trimestral com o coração na mão, o Itaú entrega — R$ 130 por mês limpos, banco rodando a 24,8% de ROE, previsibilidade de relógio suíço. Você paga caro por isso, e está pagando por um motivo.

Se o seu objetivo é comprar barato, aceitar volatilidade e apostar que o ciclo do agro vira nos próximos trimestres, o Banco do Brasil oferece desconto patrimonial real e um dividendo que pode reprecificar para cima junto com a recuperação da ação. É a tese do Barsi — e ela exige um estômago que a maioria não tem.

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Importante deixar claro: isto não é recomendação de compra de BBAS3 nem de ITUB4. É descrição de risco e perfil. O botão é seu — e a decisão também.

Perguntas frequentes (FAQ)

BBAS3 ou ITUB4: qual paga mais dividendo em 2026?

Hoje o ITUB4 paga mais: com R$ 20 mil aplicados, o Itaú rende cerca de R$ 130/mês de dividendo bruto (DY ~7,8%), contra R$ 48/mês do BBAS3 (DY 2,85%). Porém, se o Banco do Brasil cumprir o guidance e o yield voltar para os 7-8% projetados, o BBAS3 pode subir para cerca de R$ 125/mês, quase empatando com o Itaú — com potencial extra de valorização da ação.

Por que o lucro do Banco do Brasil caiu 54% no 1T26?

Por causa do agronegócio. O BB tem a maior carteira de crédito rural do país e precisou aumentar provisões porque parte dos produtores não pagou. O custo de crédito foi revisado para R$ 65-70 bilhões (era R$ 53-58 bi) e o guidance de lucro 2026 caiu para R$ 18-22 bilhões. O ROE despencou para 7,3%, contra os 20%+ históricos.

Por que Luiz Barsi não vendeu BBAS3 mesmo com a queda?

Porque ele olha o valor patrimonial, não o preço da tela. O BBAS3 negocia a P/VP menor que 1 — você compra R$ 1 de patrimônio por cerca de R$ 0,65. Barsi enxerga o problema do agro como cíclico e temporário, e pensa em décadas. Ele já segurou o papel na crise de 1994 e manteve a tese de recuperação.

O que significa P/VP menor que 1 na prática?

P/VP é o preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação. Quando é menor que 1, o mercado está pagando menos do que o patrimônio contábil do banco vale. No BBAS3, isso equivale a comprar R$ 1 de patrimônio por aproximadamente R$ 0,65 — um desconto. Não garante lucro, mas indica que o pessimismo já está embutido no preço.

É melhor investir em banco caro e bom ou barato e arriscado?

Depende do seu perfil. ITUB4 é o banco caro e previsível (P/VP ~2,1, ROE 24,8%): você paga prêmio por estabilidade e dividendo garantido. BBAS3 é o banco barato e arriscado (P/VP <1, ROE 7,3%): você compra com desconto apostando na virada do ciclo, mas assume risco político e cíclico. Não há resposta certa — há a resposta que combina com o seu estômago.

Conclusão

No fim, o duelo BBAS3 versus ITUB4 não é sobre qual banco é melhor. É sobre qual desconforto você prefere carregar: o de pagar caro por tranquilidade, ou o de comprar barato e segurar a mão enquanto o mercado xinga o seu papel. O Barsi escolheu o segundo desconforto há 50 anos e construiu uma fortuna com ele. Mas ele tinha tempo, reserva e sangue de barata. A pergunta que fica não é “qual ação comprar” — é “qual versão de risco você consegue dormir abraçado”.

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Denis Miyabara
Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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