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Tanaka, seu cunhado mostrou aquele gráfico do Bitcoin subindo reto no fim de 2025 e disse que você era otário por deixar dinheiro “parado” no Tesouro Selic. Seis meses depois, os números fecharam: quem entrou em Bitcoin no início de 2026 perdeu 30%. Quem ficou no Tesouro Selic ganhou 6,73%. Numa aplicação de R$ 100 mil, a diferença é de R$ 36.730 — o preço de um carro popular zero, ou uns 15 meses de aluguel em qualquer capital brasileira. E o pior: o cara que inventou a tese de “nunca vender Bitcoin” vendeu Bitcoin.
Vale a pena ainda apostar em Bitcoin depois desse tombo, ou o CDI ganhou o jogo de vez? Neste artigo eu separo o que os números mostram do que é só ressaca de quem comprou no topo.
Quanto o Bitcoin caiu no 1º semestre de 2026 — e quanto isso custou de verdade
De janeiro a junho de 2026, o Bitcoin caiu 30% em dólar, segundo dados do Coinglass reproduzidos pelo InfoMoney (30/jun/2026). O topo histórico foi em outubro de 2025, em US$ 126.000. Em junho de 2026 o ativo rondava US$ 60.000 — quem comprou lá em cima está com prejuízo de 52% no preço em dólar, sem contar o câmbio.
Traduzindo pra reais e pra decisão real de investimento — os “3 pratos do cardápio” que qualquer um tinha disponível em janeiro com R$ 100 mil:
| Ativo | Retorno no semestre | R$ 100.000 viraram |
|---|---|---|
| Bitcoin | -30% | R$ 70.000 |
| Tesouro Selic | +6,73% | R$ 106.730 |
| Ibovespa | +7,5% | R$ 107.500 |
Quem escolheu Bitcoin “pediu o primeiro prato” — aquele que parecia mais empolgante na foto do WhatsApp — e comeu R$ 36.730 de prejuízo relativo em relação a quem simplesmente deixou no Tesouro Selic, o investimento mais chato e mais seguro que existe no Brasil.

Por que a tese do “hedge anti-inflação” não se sustentou
Bitcoin foi vendido nos últimos anos como proteção contra três coisas: inflação, governo gastador e desvalorização de moeda. A tese até fazia sentido no papel. Só que ela dependia de um cenário específico continuar — e ele mudou.
Três fatores explicam a queda:
1. Postura dura do novo Fed. Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve com discurso rígido contra inflação, sem sinalizar corte de juros no curto prazo. Juro americano alto tira o apetite por ativo de risco sem renda — e Bitcoin não paga dividendo, não paga cupom, não paga nada.
2. O “debasement trade” perdeu força. A aposta era: governos endividados vão desvalorizar suas moedas, então ouro, prata e Bitcoin sobem juntos como proteção. No 1º semestre de 2026, os três caíram juntos. A tese de que Bitcoin seria “ouro digital” não segurou quando o ouro de verdade também recuou.
3. Fuga de dinheiro dos ETFs. Os ETFs de Bitcoin nos EUA registraram US$ 7 bilhões em resgates desde maio de 2026. Isso é gente institucional saindo, não só o Tanaka do grupo de família vendendo no pânico. Resgate de ETF vira venda forçada de Bitcoin no mercado — pressão de preço para baixo, direto.
Michael Saylor vendeu Bitcoin — e isso é mais grave do que parece

Michael Saylor construiu a Strategy (antiga MicroStrategy) inteira em cima de uma promessa: comprar Bitcoin com dívida da empresa e nunca vender. Ele é, sem exagero, o maior pregador público do ativo nos últimos cinco anos.
Em maio de 2026, pela primeira vez desde dezembro de 2022, Saylor vendeu 32 BTC (Exame, mai/2026). O valor em si é pequeno perto do total que a empresa carrega. Mas o simbolismo não é pequeno: quando o pregador para de rezar, alguma coisa mudou no discurso interno, mesmo que ele não admita publicamente. Hoje a Strategy vale menos em bolsa do que o total de Bitcoins que guarda em carteira — o mercado está precificando desconfiança na própria tese que a empresa vende.
O Tesouro Selic venceu por ser chato — e é isso que ninguém quer admitir
O Tesouro Selic rendeu 6,73% no semestre, mais do que o dobro da inflação do período. Não teve notícia, não teve gráfico parabólico, não teve ninguém postando print no grupo da família. Só foi rendendo, quietinho, todo santo dia.
Essa é a parte que dói mais que os R$ 36.730: o ativo mais chato do mercado brasileiro bateu o ativo mais hypado do planeta. Não porque o Bitcoin seja necessariamente um investimento ruim para sempre — é porque quem comprou no calor do hype, sem entender o que estava comprando, pagou o preço de comprar caro.
O que vem por aí: o gatilho de 14 de julho
O próximo capítulo se decide com a divulgação do CPI (índice de inflação) dos Estados Unidos em 14 de julho de 2026. Se a inflação americana vier acima do esperado, o Fed mantém os juros altos, e o ambiente segue ruim para Bitcoin — o cunhado vai ter que esperar mais uns 6 meses pra postar o próximo gráfico.
As projeções estão divididas. Gestoras como a 21Shares apostam em recuperação até US$ 100.000 até o fim do ano. Outras, como a Mercado Bitcoin, falam em cenário de US$ 50.000 no pior caso (InfoMoney, 30/jun/2026). Ninguém sabe ao certo — e desconfie de quem disser que sabe.
Vale a pena ter Bitcoin na carteira depois dessa queda?
Não é sobre nunca ter Bitcoin. É sobre não confundir convicção com tese de investimento e não colocar dinheiro que você precisa nos próximos 2 anos num ativo que balança 30% em seis meses. Bitcoin pode fazer sentido como uma fatia pequena da carteira, para quem já tem a base de renda fixa e reserva de emergência resolvida — não como aposta principal baseada em print de gráfico.
Se quiser entender melhor a lógica por trás de Renda Fixa e como ela pode compor a base da sua carteira antes de qualquer aposta em ativos de risco, tenho vídeos toda semana no canal explicando isso com calma.
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FAQ — Bitcoin vs Tesouro Selic em 2026
1. Quanto o Bitcoin caiu em 2026?
O Bitcoin caiu 30% no primeiro semestre de 2026 (janeiro a junho), segundo dados do Coinglass e InfoMoney. Em relação ao topo histórico de outubro de 2025 (US$ 126.000), a queda até junho de 2026 chegou a 52%.
2. Quanto rendeu o Tesouro Selic no mesmo período?
O Tesouro Selic rendeu 6,73% no primeiro semestre de 2026, mais do que o dobro da inflação acumulada no período.
3. Por que Michael Saylor vendeu Bitcoin?
Saylor vendeu 32 BTC em maio de 2026, a primeira venda desde dezembro de 2022. A Strategy, empresa que ele fundou com a tese de nunca vender Bitcoin, passou a valer menos em bolsa do que o total de Bitcoins que guarda em carteira.
4. O que pode fazer o Bitcoin subir de novo?
Um CPI (inflação) americano mais fraco que o esperado em 14 de julho de 2026 pode abrir espaço para o Fed sinalizar corte de juros, o que tende a favorecer ativos de risco como o Bitcoin.
5. Vale a pena comprar Bitcoin depois dessa queda?
Depende do seu perfil e do que já está na sua carteira. Bitcoin é um ativo de alta volatilidade — não é recomendável para quem ainda não tem reserva de emergência e renda fixa como base. Para quem já tem essa base resolvida, uma fatia pequena da carteira pode fazer sentido, desde que a decisão não seja baseada em hype ou print de gráfico.
Conclusão
O cunhado vai continuar postando gráfico. Só que agora ele tem que escolher qual: o de outubro de 2025, quando o Bitcoin estava em US$ 126 mil, ou o de junho de 2026, quando estava em US$ 60 mil. Você, Tanaka, não precisa postar nada. O extrato do Tesouro Selic já fala por si.
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