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Vale a pena investir no Banco do Brasil? O Goldman Sachs disse que não
Enquanto meio mercado brasileiro está com medo da bolsa, o banco mais desconfiado de Wall Street resolveu comprar pesado. O Goldman Sachs publicou uma lista com 13 ações preferidas na B3 — e fez questão de deixar um nome de fora: o Banco do Brasil (BBAS3).
Não foi esquecimento. O relatório, de 10 de julho de 2026, coloca o BB explicitamente entre as ações “preteridas” da casa. Do outro lado do balcão, Petrobras e Itaú aparecem como os pratos principais do cardápio. Se você tem BBAS3 na carteira, ou está pensando em comprar achando que “banco estatal com dividendo alto nunca erra”, este artigo é pra você entender por que o Goldman pensa diferente — com os números que sustentam essa aposta.
Por que o Goldman Sachs está comprando bolsa brasileira agora?
A resposta curta: desconto. A bolsa brasileira caiu 17% desde as máximas de abril de 2026. Hoje, o Ibovespa negocia a 10,1x o lucro projetado para 2026 — um múltiplo 7% mais barato que a própria média dos últimos 5 anos.
Pra maioria dos investidores de varejo, queda de 17% é sinal de “sai fora”. Pra um banco como o Goldman, que compra em ciclo e não em pânico, é sinal de “a ação ficou mais barata do que o valor que ela entrega”. O relatório trata essa correção como oportunidade, não como alerta.

Quais são as 13 ações preferidas do Goldman Sachs na B3?
O relatório lista 13 nomes como preferidos, com destaque para dois:
- Petrobras (PETR4/PETR3): preço sobre lucro de apenas 4 vezes — o papel mais descontado que o próprio Goldman enxerga entre as grandes petroleiras do mundo. Dividendo projetado de até 17% em 2027.
- Itaú (ITUB4): ROE de 24,8% no primeiro trimestre — o maior entre os grandes bancos brasileiros. Lucro de R$12,3 bilhões só nos três primeiros meses do ano.
Além desses dois, o relatório cita outros nove nomes entre as ações preferidas, incluindo BTG Pactual, Nubank, Cyrela, Rede D’Or e Sabesp — companhias de setores diferentes, mas com o mesmo denominador comum: geram retorno consistente sobre o capital investido, mesmo com a Selic ainda em patamar elevado.
Por que o Banco do Brasil ficou de fora da lista?
Aqui está o contraste que dá nome a este artigo. Enquanto o Itaú rendeu 24,8% sobre o patrimônio no primeiro trimestre, o Banco do Brasil rendeu 7,3% no mesmo período — no mesmo país, com a mesma Selic, emprestando dinheiro pro mesmo Brasil.
O lucro do BB caiu 53,5% em um único trimestre. Não foi crise externa, nem juro alto derrubando margem. O motivo está dentro de casa: a inadimplência da carteira rural saltou de 3,5% para 6,22%, dentro de uma carteira de R$418 bilhões emprestados ao agronegócio.

Traduzindo o jargão: de cada R$100 que o BB emprestou pra produtor rural, mais de R$6 hoje têm risco real de não voltar — quase o dobro do que era um ano atrás. É esse buraco na carteira rural que derrubou o lucro do banco, e é esse buraco que fez o Goldman riscar o BB da lista.
| Indicador (1º trimestre 2026) | Itaú (ITUB4) | Banco do Brasil (BBAS3) |
|---|---|---|
| ROE | 24,8% | 7,3% |
| Variação do lucro | Crescimento | -53,5% |
| Inadimplência da carteira sensível | Controlada | Rural: 3,5% → 6,22% |
| Posição no relatório Goldman | Preferida | Preterida |
Isso significa que o Banco do Brasil vai continuar caindo?
Não necessariamente — e é aqui que vale desacelerar antes de sair vendendo tudo. Analistas de mercado citados no relatório apontam que a recuperação da carteira rural deve levar pelo menos quatro trimestres. Isso sustenta uma recomendação mais neutra para o papel, não necessariamente negativa. O banco não quebrou, não teve um evento de crédito sistêmico — teve concentração de risco numa carteira específica que piorou mais rápido do que o mercado esperava.
A diferença entre o Itaú e o BB, na leitura do Goldman, não é sorte nem tamanho — é pra quem cada um empresta. O Itaú manteve retorno alto mesmo com juro elevado, prova de disciplina na concessão de crédito. O BB concentrou parte relevante da carteira num setor (agro) que sofreu mais que o previsto com o ciclo de juros e a variação de preços de commodities.

O que fazer se você já tem ações do Banco do Brasil?
Isso não é recomendação de compra nem de venda — é leitura de dado. Mas alguns pontos ajudam a pensar com a cabeça fria:
- O problema é setorial, não sistêmico. A inadimplência subiu numa carteira específica (agro), não no banco inteiro.
- O prazo de recuperação já está estimado — pelo menos quatro trimestres, segundo analistas citados no relatório. Isso é 2027 chegando.
- Dividendo alto no passado não garante dividendo alto no futuro. Lucro menor tende a significar provento menor no próximo ciclo, mesmo que o payout percentual se mantenha.
- Diversificação segue sendo a resposta padrão — concentrar a carteira num único banco estatal, torcendo pra carteira rural se recuperar, é aposta, não estratégia.
Se você quer entender melhor como montar uma carteira de ações menos dependente de um único setor ou tese, vale a pena conferir a Carteira Grande Reset da EQI Research — um relatório gratuito com 10 ações selecionadas para o cenário atual.
Como o Goldman Sachs escolhe essas 13 ações?
Vale entender o processo por trás da lista antes de tratar qualquer nome dela como verdade absoluta. Bancos como o Goldman rodam esse tipo de relatório com times setoriais — um analista cobre bancos, outro cobre petróleo e gás, outro cobre varejo — e cada um monta a tese da própria cobertura. Depois, uma mesa de estratégia consolida os nomes com maior convicção relativa dentro de cada setor numa carteira “top picks”.
Isso significa duas coisas práticas para quem lê o relatório de fora. Primeiro: a lista não é uma previsão de curto prazo, é uma fotografia de convicção relativa — o Itaú está na lista porque, entre os bancos brasileiros, é o que a mesa do Goldman prefere hoje, não porque a ação vai necessariamente subir amanhã. Segundo: “preterida” não é sinônimo de “ruim”. Significa que, dentro do conjunto de bancos cobertos, o BB perdeu posição relativa para o Itaú, o Bradesco ou outro nome do setor.
Um detalhe que costuma passar batido: bancos de investimento como o Goldman também fazem negócios com as próprias empresas que cobrem — assessoria, operações de crédito, emissão de dívida. Isso não invalida a análise técnica por trás do relatório, mas é sempre saudável tratar relatório de sell-side como um input a mais na decisão, não como sentença final. A regra vale tanto para elogio quanto para crítica: releia o dado, não empreste fé cega ao logotipo do banco.
O histórico de dividendos do Banco do Brasil muda com essa piora?
Essa é a pergunta que mais dói pra quem comprou BBAS3 pensando em renda passiva. O Banco do Brasil historicamente paga bem — é um dos nomes clássicos de carteira de dividendos na B3, ao lado de Petrobras, Bradesco e Taesa. O problema é que dividendo alto é consequência de lucro alto, não uma promessa isolada da empresa.
Com o lucro caindo 53,5% no trimestre, a conta é direta: mesmo mantendo o mesmo percentual de distribuição sobre o lucro (o chamado payout), o valor em reais que chega no bolso do acionista tende a encolher enquanto a carteira rural não se recuperar. Não é diferente de qualquer empresa que depende de um setor específico — quando aquele setor sofre, o caixa disponível pra distribuir sofre junto.
Isso não decreta o fim do BB como pagador de dividendos. Bancos estatais brasileiros têm histórico de resiliência de longo prazo, e o próprio relatório do Goldman fala em recuperação, não em colapso. Mas quem constrói carteira de renda passiva baseada só no dividend yield do ano anterior — sem olhar a origem daquele lucro — corre o risco clássico de comprar o pico e assistir o provento derreter no ano seguinte.
Se dividendo é o seu foco principal na bolsa, vale simular diferentes cenários de carteira antes de concentrar posição num único papel. A EQI Research tem um simulador gratuito de Vivendo de Renda com Ações que ajuda a visualizar isso na prática, testando diferentes composições de carteira ao longo do tempo.
Por que a bolsa brasileira ficou tão barata?
Voltando ao pano de fundo: a queda de 17% desde abril tem várias causas — fluxo de capital estrangeiro migrando pra outros mercados emergentes, incerteza fiscal doméstica e um ciclo de juros que ainda não terminou de cair. O resultado prático é um Ibovespa negociando com desconto real sobre a própria média histórica.
É esse desconto que fez o Goldman comprar sem esperar o resto do mercado se convencer. A lógica de banco grande é simples: quando o preço já reflete o pessimismo, o risco de comprar caro desaparece — o que resta é escolher as empresas certas dentro desse desconto geral. E, na leitura deles, Itaú e Petrobras entram nessa conta; Banco do Brasil, por enquanto, não.
Banco do Brasil vs Itaú: qual comprar hoje?
Não é uma pergunta de resposta única — depende do que você já tem na carteira e do que está buscando. Mas dá pra separar os dois casos com clareza:
Itaú hoje entrega o que o mercado chama de “qualidade previsível”: ROE alto, carteira de crédito diversificada, resultado consistente trimestre após trimestre. É o banco que o Goldman está disposto a pagar mais caro por ele, justamente porque errar menos vale prêmio.
Banco do Brasil é, nesse momento, uma aposta em recuperação. Se a carteira rural normalizar dentro dos quatro trimestres estimados pelos analistas, o papel pode voltar a entregar o retorno histórico — e, nesse caso, quem comprou barato durante a piora sai na frente. Se a recuperação demorar mais do que o esperado, o desconto atual pode continuar ou aumentar.
A diferença central não é “qual banco é melhor” no sentido absoluto — é que o Itaú cobra prêmio por previsibilidade, e o Banco do Brasil oferece desconto por incerteza. Nenhuma das duas escolhas está errada; elas servem perfis diferentes de tolerância a risco.
Perguntas frequentes
O Goldman Sachs recomendou vender Banco do Brasil?
Não. O relatório coloca o BB entre as ações “preteridas”, ou seja, fora da lista de preferidas — o que é diferente de uma recomendação explícita de venda. A leitura de mercado tende a ser mais neutra do que negativa enquanto a carteira rural não mostrar sinais claros de recuperação.
Por que o lucro do Banco do Brasil caiu tanto em um trimestre?
Principalmente pela piora da carteira de crédito rural: a inadimplência acima de 90 dias saltou de 3,5% para 6,22% numa carteira de R$418 bilhões emprestados ao agronegócio, o que exigiu provisionamento maior e derrubou o lucro em 53,5% no trimestre.
Petrobras está barata mesmo segundo o Goldman?
Sim. O relatório aponta Petrobras negociando a um preço sobre lucro de 4 vezes, com dividendo projetado de até 17% em 2027 — o múltiplo mais descontado entre as grandes petroleiras globais analisadas pelo banco.
Vale a pena comprar ações agora com a bolsa em queda?
Depende do horizonte e do perfil de cada investidor. O ponto levantado pelo Goldman é que a queda de 17% deixou o Ibovespa 7% mais barato que a própria média de 5 anos — historicamente, esse tipo de desconto tende a ser oportunidade para quem tem prazo longo, mas isso não elimina o risco de curto prazo.
Quais outras ações o Goldman colocou entre as preteridas, além do Banco do Brasil?
O relatório de 10 de julho de 2026 lista também CSN, CSN Mineração, Engie Brasil e Telefônica Brasil entre as ações preteridas, ao lado do Banco do Brasil.
Conclusão
O Goldman continua achando a Petrobras barata e o Itaú imbatível. E decidiu, por escrito, que o Banco do Brasil não entra na lista — não por antipatia a banco estatal, mas porque o número da carteira rural fala mais alto que qualquer discurso. Quem sente essa conta primeiro: o produtor rural que devia, ou você, se é acionista do BB?
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