Por que a família dona da LVMH está comprando uma corrida de obstáculos

Enquanto a LVMH perdia US$50 bi em valor, o fundo da família Arnault negociou até €1 bi na Hyrox. Entenda o paralelo com a SmartFit no Brasil.

⏰ 4 min de leitura

Ilustração associando a marca LVMH à competição de fitness Hyrox

Por que a família dona da LVMH está comprando uma corrida de obstáculos

Bernard Arnault perdeu quase US$ 50 bilhões de patrimônio em 2026. A LVMH, dona de Louis Vuitton e Dior, faturou 5% a menos e lucrou 13% a menos em 2025. E é bem nesse momento que o fundo ligado à família Arnault entrou em negociação exclusiva para comprar uma fatia da Hyrox — a competição de corrida com treino funcional que mais cresce no mundo. Enquanto o mercado duvida do luxo tradicional, o dinheiro esperto da mesma família já foi para outro lugar: o suor.

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O que é a Hyrox e por que a L Catterton quer entrar

A L Catterton é a gestora de fundos ligada à LVMH, com mais de US$ 34 bilhões sob gestão. Ela está em negociação exclusiva para comprar uma fatia da Hyrox, prova que mistura corrida com estações de treino funcional (empurrar trenó, carregar saco de areia, remar), por um valor entre € 700 milhões e € 1 bilhão.

Os números explicam o apetite. Na temporada 2024-25, entre 425 mil e 550 mil pessoas competiram em mais de 80 provas, em 30 países. A receita saltou de € 40 milhões em 2023 para uma projeção de € 200 milhões a € 270 milhões em 2026 — mais que sextuplicou em três anos.

O timing que ninguém comentou: o luxo tradicional patinando

Loja de luxo associada ao grupo LVMH

Repare no momento em que isso acontece. 2025 foi um ano ruim para o luxo: a LVMH faturou 5% a menos e o lucro caiu 13%. Bernard Arnault, que já foi o homem mais rico do mundo, perdeu cerca de US$ 50 bilhões de patrimônio só em 2026, por causa da queda das ações do grupo.

Enquanto o mercado duvidava da LVMH na bolsa, a família foi lá e fechou negociação para comprar fatia de gente correndo com pneu nas costas. Não é coincidência de calendário — é onde o capital da própria família está migrando enquanto o negócio principal desacelera.

Não é a primeira aposta: o precedente da Solidcore

Ambiente de treino funcional em estúdio de fitness premium

Em 2024, a mesma L Catterton já tinha comprado o controle da Solidcore — rede americana de pilates de alta intensidade — por até US$ 700 milhões. Testou a tese, gostou do retorno. Agora dobra a aposta com a Hyrox.

Estúdio da rede de pilates Solidcore, comprada pela L Catterton em 2024

Não é aposta isolada. É tese repetida: o mercado de fitness premium cresce quase 90% ao ano desde 2023, enquanto o luxo tradicional desacelera globalmente, principalmente na Ásia (Grazia Magazine, jun/2026).

Tabela: o padrão de investimento da L Catterton em fitness

Empresa Segmento Ano Valor
Solidcore Pilates de alta intensidade (EUA) 2024 Até US$ 700 milhões (controle)
Hyrox Corrida + treino funcional (global) 2026 (negociação exclusiva) Entre € 700 milhões e € 1 bilhão

O paralelo brasileiro: SmartFit (SMFT3)

Unidade da rede de academias SmartFit, listada na B3 como SMFT3

No Brasil, essa tese já roda há anos: a SmartFit (SMFT3), maior rede de academias da América Latina, listada na B3. O Itaú BBA colocou preço-alvo de R$ 35 para a ação — cerca de 91% acima da cotação atual — citando um negócio dentro da empresa que o mercado ainda subestima (Seu Dinheiro, mai/2026).

O luxo internacional levou dois anos para perceber o que a academia da esquina já sabia: suor vende mais que bolsa de couro.

Perguntas frequentes sobre a compra da Hyrox pela LVMH

A LVMH está comprando a Hyrox diretamente?

Não é a LVMH como empresa listada, e sim a L Catterton — gestora de fundos ligada à família Arnault, com mais de US$ 34 bilhões sob gestão — que está em negociação exclusiva por uma fatia da Hyrox.

Quanto vale a Hyrox nessa negociação?

O valor discutido está entre € 700 milhões e € 1 bilhão, segundo Bloomberg (13/jun/2026).

Por que a LVMH investiria em fitness enquanto o luxo vai mal?

Porque o dinheiro institucional segue o crescimento. Enquanto o luxo tradicional desacelerou globalmente em 2025, o mercado de fitness premium cresce quase 90% ao ano desde 2023 — e a L Catterton já tinha testado a tese com a Solidcore em 2024.

Existe algo parecido para investir no Brasil?

Sim. A SmartFit (SMFT3), listada na B3, segue tese semelhante. O Itaú BBA vê potencial de alta de 91% para a ação, citando um negócio dentro da empresa pouco enxergado pelo mercado.

Conclusão

O padrão se repete: o capital institucional migra para onde tem gente disposta a pagar mensalidade recorrente e postar o esforço nas redes — antes de a maioria perceber que isso virou um negócio bilionário. Quando o luxo de verdade racha, o dinheiro esperto já foi embora, para o suor.

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Denis Miyabara
Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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