O que é Stablecoin? USDT, USDC e como funcionam

Stablecoin é criptomoeda com preço estável, geralmente atrelado ao dólar. Entenda os tipos (USDT, USDC, DAI), os riscos de cada um e como usar no Brasil.

⏰ 5 min de leitura

O que é Stablecoin?

Stablecoin é uma criptomoeda projetada para manter um valor estável — geralmente atrelado ao dólar americano, em uma proporção de 1 para 1. É o melhor dos dois mundos do cripto: a velocidade e programabilidade das criptomoedas, sem a volatilidade extrema do Bitcoin.

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O que é Stablecoin, em resumo?

Stablecoins são criptomoedas lastreadas em ativos estáveis — normalmente o dólar americano — para manter um preço constante. Enquanto o Bitcoin pode cair 20% em um dia, uma stablecoin como USDT ou USDC vale sempre aproximadamente US$1,00. Elas são amplamente usadas no mercado cripto como porto seguro em momentos de volatilidade, como meio de pagamento internacional e para operações de DeFi (finanças descentralizadas). Em 2024, o volume de transações de stablecoins ultrapassou o de Visa e Mastercard combinados — o que dá dimensão de sua adoção real.

Tipos de Stablecoins

Existem quatro modelos principais, com riscos e garantias muito diferentes:

1. Lastreadas em fiat (off-chain collateral)

Para cada stablecoin emitida, o emissor guarda US$1 em conta bancária ou ativos equivalentes. É o modelo mais simples e dominante. Exemplos: USDT (Tether), USDC (Circle), BUSD (Binance).

Vantagem: estabilidade confiável. Risco: depende da honestidade e solvência do emissor. A Tether por anos não demonstrou reservas completas — hoje divulga relatórios de auditoria.

2. Lastreadas em cripto (crypto-collateral)

São garantidas por outras criptomoedas, geralmente com supercolateralização — para emitir US$100 em stablecoins, trava-se US$150+ em ETH, por exemplo. Exemplo: DAI (MakerDAO).

Vantagem: descentralizada, sem emissora central. Risco: se o colateral cripto cair muito rápido, pode ocorrer liquidação forçada e quebra do peg.

3. Algorítmicas (sem colateral real)

Usam algoritmos e contratos inteligentes para ajustar a oferta automaticamente, mantendo o preço em $1. Exemplo mais famoso (e fracasso): TerraUSD (UST) — colapsou em maio de 2022, destruindo US$40 bilhões em valor e derrubando todo o mercado cripto.

Risco extremo: sem reservas reais, um colapso de confiança pode ser irreversível. A maioria dos reguladores considera stablecoins algorítmicas como produto altamente especulativo.

4. Lastreadas em commodities

Atreladas ao ouro, petróleo ou outros commodities. Exemplo: PAXG (Pax Gold) = 1 PAXG = 1 troy ounce de ouro físico armazenado.

Menos comum, mais nicho, mas genuinamente lastreada em ativo tangível.

As maiores Stablecoins do mercado

Stablecoin Emissor Market Cap (2024) Lastro
USDT (Tether) Tether Limited ~US$110 bilhões Fiat + ativos
USDC (USD Coin) Circle ~US$35 bilhões Fiat (auditado)
DAI MakerDAO (DeFi) ~US$5 bilhões Cripto (ETH)
PYUSD PayPal ~US$0,5 bilhão Fiat

Stablecoin no Brasil: DREX e o real digital

O Banco Central do Brasil está desenvolvendo o DREX — o real digital. Tecnicamente é uma stablecoin soberana: um real digital em blockchain permissionada, lastreado 1:1 em reais físicos. A diferença das stablecoins privadas: emitida e garantida pelo próprio Banco Central.

O DREX está em fase de testes com bancos e corretoras e deve ser expandido nos próximos anos. A ideia é permitir contratos inteligentes em reais — por exemplo, liquidação automática de compra de imóveis, tokenização de títulos do governo, etc.

Como usar Stablecoins no Brasil

Stablecoins são amplamente usadas por brasileiros para:

  • Dolarização da reserva: manter parte do patrimônio em dólares digitais sem conta bancária nos EUA
  • Transferências internacionais: enviar dinheiro para o exterior com custo menor que remessa bancária tradicional
  • DeFi (finanças descentralizadas): emprestar USDC e ganhar rendimento em protocolos como Aave, Compound
  • Trading cripto: sair do Bitcoin para USDT em momentos de bear market sem converter para reais

Você compra stablecoins nas principais corretoras de cripto brasileiras (Mercado Bitcoin, Binance BR). No exterior, Circle (USDC) permite compra direta com cartão.

Tributação de Stablecoins no Brasil

A Receita Federal trata stablecoins como criptoativos — mesmas regras do Bitcoin:

  • Ganho de capital ao vender ou trocar stablecoins: 15% de IR
  • Isenção para vendas totais no mês abaixo de R$35.000
  • Obrigação de declarar no IRPF se o saldo superar R$5.000

Atenção: a conversão de USDT para BTC (ou qualquer troca cripto-para-cripto) é considerada um evento tributável — mesmo sem converter para reais.

Resumo: o que você precisa saber sobre Stablecoins

  • Stablecoin = criptomoeda com preço estável, geralmente atrelado ao dólar (1 USDT = 1 USD).
  • Tipos principais: lastreadas em fiat (USDT, USDC), cripto (DAI) ou algorítmicas (alto risco).
  • Stablecoins algorítmicas sem reservas reais já causaram colapsos bilionários (TerraUSD em 2022).
  • No Brasil: usadas para dolarização, remessas e DeFi. Tributadas como criptoativos.
  • DREX é o real digital do Banco Central — a versão soberana brasileira do conceito.

Perguntas frequentes sobre Stablecoins

USDT e USDC são a mesma coisa?

Não. USDT (Tether) é o maior em market cap mas tem histórico controverso de transparência nas reservas. USDC (Circle) é considerado mais transparente — auditorias regulares, reservas 100% em caixa e títulos do governo americano. Para quem prioriza segurança, USDC é preferível; para quem prioriza liquidez, USDT domina no mercado global.

Stablecoin pode “desatrelar” do dólar?

Sim, e já aconteceu. USDC perdeu o peg brevemente em março de 2023 quando o Silicon Valley Bank (onde a Circle mantinha reservas) foi fechado — caiu para US$0,88 antes de se recuperar em 48h. USDT também perdeu o peg em episódios de mercado. Stablecoins bem lastreadas tendem a recuperar o peg rapidamente; as algorítmicas, não.

Consigo rendimento com Stablecoins?

Sim, em protocolos DeFi como Aave, Compound ou em algumas corretoras centralizadas. Rendimentos de 4-8% ao ano em dólares eram comuns antes de 2022. Após o colapso da FTX e regulação crescente, as corretoras centralizadas reduziram essas ofertas. No DeFi ainda existem, mas com risco de smart contract. Compare com o rendimento “sem risco” do Tesouro americano (T-bill) antes de entrar em posições de stablecoin com rendimento.

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Denis Miyabara
Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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