O que é Tesouro Prefixado? Definição, como funciona e exemplos práticos

Entenda o que é Tesouro Prefixado de forma simples: definição, como funciona na prática, exemplos com valores reais e quando usar. Guia completo para o investidor brasileiro.

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O que é Tesouro Prefixado?

Tesouro Prefixado é um título público em que você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento antes mesmo de investir. A taxa é definida no momento da compra e não muda — independente do que aconteça com a inflação ou os juros ao longo do tempo.

O que é Tesouro Prefixado, em resumo?

Quando você compra um Tesouro Prefixado, o governo federal pega o seu dinheiro emprestado e te paga uma taxa de juros fixa combinada na hora da compra. Se o título diz 13,50% ao ano, é exatamente isso que você vai receber — nem mais, nem menos.

Isso é diferente de investimentos que seguem a Selic ou o IPCA, onde o rendimento final só é conhecido no vencimento. Com o Prefixado, a previsibilidade é total: você já sabe hoje quanto terá no futuro se ficar com o título até o prazo final. É uma das formas mais simples de renda fixa disponíveis no Brasil, acessível a partir de cerca de R$ 30.

Como funciona o Tesouro Prefixado na prática?

O Tesouro Prefixado é emitido pelo Tesouro Nacional e negociado pela plataforma do Tesouro Direto. Atualmente existem duas modalidades: o Tesouro Prefixado simples, que paga tudo no vencimento, e o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, que distribui cupons a cada seis meses.

A lógica de precificação funciona assim: cada título tem valor de face de R$ 1.000,00 no vencimento. Quando você compra, paga um preço menor do que esse valor e a diferença representa os seus juros. Por exemplo, se um título vence em 2028 com taxa de 13,50% ao ano, você paga hoje algo em torno de R$ 650 e recebe R$ 1.000 no vencimento — o ganho é justamente aquele percentual acordado.

A fórmula básica de capitalização é:

Montante = Capital × (1 + taxa)^n

Onde n é o número de anos. Um investimento de R$ 10.000 a 13,50% ao ano por 3 anos resulta em aproximadamente R$ 14.608 brutos antes do Imposto de Renda.

Falando em IR: o Tesouro Prefixado segue a tabela regressiva do imposto de renda. Quem resgata em até 180 dias paga 22,5%. Acima de 720 dias, a alíquota cai para 15% — o menor nível possível. Por isso, títulos com vencimento longo tendem a ser mais eficientes do ponto de vista tributário.

Um ponto importante: se você vender o título antes do vencimento, o preço de mercado pode ser maior ou menor do que o que você pagou, dependendo do movimento das taxas de juros. Se os juros subirem depois da sua compra, o preço do título cai — e você pode ter prejuízo no resgate antecipado. Se os juros caírem, o preço sobe e você pode vender com lucro antes do prazo. Isso é o que o mercado chama de marcação a mercado.

Exemplo prático de Tesouro Prefixado

Imagine que você investe R$ 5.000 no Tesouro Prefixado 2028, com taxa de 13,50% ao ano, em maio de 2026. O vencimento é em janeiro de 2028 — pouco menos de dois anos.

Cálculo bruto aproximado: R$ 5.000 × (1,135)^1,67 ≈ R$ 6.170

Sobre o ganho de R$ 1.170, incide IR de 17,5% (prazo entre 361 e 720 dias): R$ 1.170 × 17,5% = R$ 204,75 de imposto.

Resultado líquido aproximado: R$ 5.965 — um retorno real de cerca de 19,3% sobre o capital inicial.

Agora compare: se esse mesmo dinheiro ficasse no CDI (hoje em 14,65% ao ano), o retorno bruto seria ligeiramente superior. A diferença está na previsibilidade: com o Prefixado, você já sabia esse número no dia da compra. Com o CDI, o resultado final depende de como a Selic vai se comportar nos próximos meses — algo que ninguém sabe ao certo.

Tesouro Prefixado vs Tesouro IPCA+: qual a diferença?

A diferença central é o que protege o seu dinheiro. O Tesouro Prefixado garante uma taxa nominal fixa. O Tesouro IPCA+ garante uma taxa real fixa somada à variação da inflação — por isso o nome IPCA+.

Com a inflação atual em torno de 5,5% ao ano, um Tesouro IPCA+ que rende IPCA + 7% ao ano equivale a um retorno nominal próximo de 12,5% — inferior à taxa do Prefixado hoje. Mas se a inflação acelerar para 9% ao ano, o IPCA+ entrega 16%, enquanto o Prefixado continua pagando os mesmos 13,50%.

Regra prática: use o Tesouro Prefixado quando acredita que a inflação vai ficar controlada ou cair, e os juros também devem recuar. Use o Tesouro IPCA+ quando quer proteção contra cenários de inflação mais alta ou imprevisível, especialmente em horizontes longos como aposentadoria. Para objetivos de curto e médio prazo com data definida, o Prefixado costuma ser mais simples e eficiente.

Vale a pena? Quando usar Tesouro Prefixado?

Vale a pena quando três condições se alinham. Primeiro, você tem uma data de uso definida para o dinheiro — casamento, entrada de imóvel, viagem. Segundo, você acredita que os juros vão cair ao longo do período (o que valoriza o título antes do vencimento e ainda permite resgate antecipado com lucro). Terceiro, você quer previsibilidade total sobre o valor final.

Não faz sentido usar o Prefixado como reserva de emergência — para isso, prefira o Tesouro Selic, que não sofre com marcação a mercado. Também não é a escolha ideal se você teme que a inflação vá surpreender para cima no longo prazo. O Prefixado é um instrumento de precisão: funciona bem quando você sabe onde quer chegar e quando.

Resumo: o que você precisa saber sobre Tesouro Prefixado

  • A taxa é definida na compra e não muda — você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento.
  • Se vender antes do prazo, o preço pode ser maior ou menor dependendo do mercado — o risco de perda existe no resgate antecipado.
  • O IR segue tabela regressiva: 22,5% até 180 dias, chegando a 15% acima de 720 dias.
  • É mais vantajoso quando a perspectiva é de queda de juros e inflação controlada.
  • Ideal para objetivos com prazo definido; não substitui reserva de emergência.

Perguntas frequentes sobre Tesouro Prefixado

O Tesouro Prefixado tem risco de perda?

Se você ficar com o título até o vencimento, não há risco de perda nominal — você recebe exatamente o combinado. O risco aparece apenas no resgate antecipado, quando o preço de mercado pode estar abaixo do que você pagou, especialmente se os juros subirem depois da sua compra.

Qual a diferença entre Tesouro Prefixado e CDB prefixado?

Ambos oferecem taxa fixa, mas o Tesouro Prefixado é emitido pelo governo federal — considerado o emissor mais seguro do país. O CDB prefixado é emitido por um banco e coberto pelo FGC até R$ 250 mil por instituição. O Tesouro tende a ser mais seguro; o CDB pode oferecer taxas ligeiramente maiores para compensar o risco do banco emissor.

Posso perder dinheiro com o Tesouro Prefixado?

Perda nominal (receber menos do que investiu) só ocorre em resgate antecipado em momento ruim de mercado. Se você aguardar o vencimento, o retorno acordado está garantido pelo Tesouro Nacional. A inflação pode corroer o poder de compra do seu ganho, mas o valor nominal em reais estará intacto.

Qual o melhor prazo para investir no Tesouro Prefixado?

Depende do seu objetivo. Prazos curtos (1 a 2 anos) reduzem a exposição à volatilidade de mercado e ainda se beneficiam da alíquota menor de IR. Prazos mais longos amplificam o efeito dos juros compostos, mas exigem mais convicção sobre o cenário econômico futuro. O critério principal deve ser sempre o alinhamento com a data em que você vai precisar do dinheiro.

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Denis Miyabara
Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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