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RARA11 vale a pena? Depende de quanto sacode você aguenta. O primeiro ETF de terras raras da B3 estreou em 26 de junho de 2026 a R$ 20,00 por cota e fechou 25 de setembro a R$ 15,45. Quem colocou R$ 10 mil no primeiro dia tinha R$ 7.725 três meses depois, enquanto a Selic teria transformado os mesmos R$ 10 mil em cerca de R$ 10.338. O setor pode ter futuro. O preço de entrada é que decide quanto dói esperar por ele.
Abaixo: o que é o RARA11, o que tem dentro dele (spoiler: as duas maiores posições nem são de terras raras), por que ele caiu e o que ainda pode mexer com a cota até o fim do ano.
RARA11: cotação e desempenho desde a estreia
O RARA11 foi lançado pela gestora Investo e começou a ser negociado na B3 em 26/06/2026, com cota de R$ 20,00. Chegou a R$ 20,84 no dia 30 de junho. Um mês depois, em 29 de julho, estava em R$ 14,79, a mínima até agora. Em 25 de setembro, fechou em R$ 15,45: queda de 22,75% desde a estreia.
O ETF não caiu por conta própria. Ele copia o REMX, fundo americano de terras raras e metais estratégicos listado em Nova York, e o REMX caiu praticamente a mesma coisa no período: de US$ 86,53 em 26/06 para US$ 66,66 em 25/09, cerca de 23%. Como o dólar ficou parado perto de R$ 5,19 nesses três meses, a queda lá fora chegou inteira aqui.
| Data | Cota do RARA11 | O que aconteceu |
|---|---|---|
| 26/06/2026 | R$ 20,00 | Estreia na B3 |
| 30/06/2026 | R$ 20,84 | Maior fechamento até agora |
| 29/07/2026 | R$ 14,79 | Menor fechamento até agora |
| 10/09/2026 | R$ 16,52 | Queda de 5% num dia com a notícia de reaproximação EUA-China |
| 25/09/2026 | R$ 15,45 | -22,75% desde a estreia |
Outro detalhe que pesa pra quem opera: o RARA11 ainda é pequeno. Em setembro, o volume negociado ficou perto de R$ 360 mil por dia. Pra quem compra R$ 1 mil, tanto faz. Pra quem quer entrar ou sair com seis dígitos de uma vez, a diferença entre o preço de compra e o de venda começa a importar.
O que é o RARA11 e como ele funciona
O RARA11 é um ETF, um fundo de índice negociado na bolsa como se fosse ação. Ele replica o REMX (VanEck Rare Earth and Strategic Metals), que reúne mais de 30 empresas de mineração, refino e processamento de terras raras e metais estratégicos. Pra entrar no índice, a empresa precisa tirar pelo menos metade da receita desse setor.
| Característica | RARA11 |
|---|---|
| Gestora | Investo |
| O que replica | REMX (VanEck Rare Earth and Strategic Metals), listado em Nova York |
| Taxa de administração | 0,5% ao ano |
| Rebalanceamento | Trimestral |
| Empresas na carteira | Mais de 30 |
| Dividendos | Não distribui; o que as empresas pagam é reinvestido no fundo |
| Estreia na B3 | 26/06/2026, a R$ 20,00 por cota |
| Cotação em 25/09/2026 | R$ 15,45 |
A vantagem é de logística: você compra na sua corretora, em reais, sem abrir conta lá fora. A contrapartida é que o preço anda com o dólar e com empresas australianas, chinesas e americanas que você provavelmente nunca vai ver de perto. Se a lógica de ETF internacional na B3 ainda é nova pra você, este texto sobre ETFs internacionais e proteção cambial explica o mecanismo, e este aqui explica como o câmbio mexe no seu investimento.
Carteira do RARA11: quais empresas e países estão dentro
Pela posição de 31/08/2026 divulgada pela Investo, as cinco maiores empresas somam pouco mais de 36% do fundo:
| Empresa | País | Peso |
|---|---|---|
| Albemarle | EUA | 8,29% |
| Pilbara Minerals | Austrália | 8,20% |
| MP Materials | EUA | 6,80% |
| Lynas Rare Earths | Austrália | 6,58% |
| China Northern Rare Earth | China | 6,48% |
Aqui mora a primeira surpresa pra quem comprou pelo nome. As duas maiores posições, Albemarle e Pilbara, são produtoras de lítio, o metal da bateria. Terras raras “de verdade” aparecem logo abaixo, com MP Materials, Lynas e China Northern. O nome do fundo fala em “terras raras e metais estratégicos”, e a segunda metade do nome pesa tanto quanto a primeira. Na prática, você compra uma cesta de metais da transição energética, não uma aposta pura em ímã de motor elétrico.
A segunda surpresa está nos países. A China é o maior pedaço, com 30,17%, seguida de Austrália (24,06%), EUA (17,90%), Canadá (10,50%) e Chile (5,77%). Quer dizer: um terço do ETF que muita gente compra “contra a China” é feito de empresas chinesas.
O que são terras raras e por que a China manda nesse mercado
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos. O nome engana: eles não são tão raros na crosta terrestre. Raro é achar concentração que vire mina lucrativa, e mais raro ainda é ter a indústria que separa e refina esses elementos. Neodímio e disprósio, por exemplo, viram ímãs permanentes de motor de carro elétrico, turbina eólica e equipamento militar.
É no refino que a China ganha o jogo. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país respondeu por 91% da produção mundial de terras raras refinadas. Dá pra minerar em qualquer lugar. Se ninguém fora da China consegue refinar, a mina vira um monte de pedra esperando comprador chinês.
Por que o ETF de terras raras subiu tanto e depois caiu
A subida. Em abril de 2025, a China passou a exigir licença pra exportar sete terras raras pesadas e os ímãs feitos com elas. Em outubro de 2025, ampliou a lista pra mais cinco elementos e incluiu equipamentos e tecnologia de refino. Quem precisava do material fora da China correu atrás de fornecedor alternativo, e as ações do setor dispararam. O REMX saiu de US$ 32,65 em 8 de abril de 2025 e bateu US$ 109,53 em 11 de maio de 2026. Mais que triplicou em treze meses.
A trégua. Em novembro de 2025, o Ministério do Comércio da China suspendeu até 10 de novembro de 2026 o pacote de restrições anunciado em outubro. É trégua com data pra acabar, não fim da briga.
A queda. O RARA11 chegou na B3 seis semanas depois do pico do REMX, quando o índice já tinha começado a devolver a alta. Em 25 de setembro de 2026, o REMX estava 39% abaixo do topo de maio. Num único dia, 10 de setembro, o fundo americano caiu 5% com notícias de uma possível cúpula entre Trump e Xi Jinping. A lógica do mercado é simples: se EUA e China fazem as pazes, some a urgência de comprar terras raras fora da China, e com ela parte do prêmio que essas ações carregavam.
Repara na ironia: o mesmo fator que levou o setor pra cima, a briga entre as duas potências, é o que derruba a cota quando aparece a palavra “acordo”. Quem tem RARA11 está, na prática, torcendo contra a paz comercial.
RARA11 vale a pena? Prós e contras
| A favor | Contra |
|---|---|
| Único jeito, na B3, de ter uma cesta global de terras raras e metais estratégicos em reais | Já caiu 22,75% nos três primeiros meses de vida |
| Mais de 30 empresas em vez de apostar num único nome | As duas maiores posições são de lítio, não de terras raras |
| Taxa de 0,5% ao ano, baixa pra um ETF temático internacional | Cerca de 30% da carteira é de empresas chinesas |
| Demanda ligada a carro elétrico, energia eólica e defesa | Preço depende de decisão política em Pequim e Washington |
| Dividendos das empresas são reinvestidos automaticamente | Liquidez ainda baixa: perto de R$ 360 mil por dia em setembro |
O RARA11 não é bom nem ruim no vácuo. É um ativo de tese geopolítica, sem fluxo de caixa previsível pra você ancorar uma conta de “quanto vale”. O paralelo mais próximo no site é o ouro: no texto sobre o GOLD11 a lógica também é comprar algo cujo preço depende de governos, não de lucro. Com metal industrial a coisa fica ainda mais nervosa, como mostra a história de duas empresas de cobre que foram pra lados opostos.
E não custa lembrar a régua mais chata do mercado: a maioria dos investidores na bolsa perde do Tesouro Selic. Nos três primeiros meses do RARA11, o placar foi esse também.
O que pode mexer com o RARA11 até o fim de 2026
- 10 de novembro de 2026: vence a suspensão chinesa das restrições de outubro de 2025. Renovar, endurecer ou deixar vencer são três cenários com efeitos bem diferentes na cota.
- Relação EUA-China: cada sinal de acordo tende a pesar contra o setor, como no dia 10 de setembro.
- Dólar: o RARA11 é cotado em reais, mas a carteira é em moeda estrangeira. Dólar subindo ajuda; caindo, atrapalha.
- Preço do lítio: com Albemarle e Pilbara no topo da carteira, o metal da bateria mexe tanto quanto as terras raras.
Perguntas frequentes sobre o RARA11
RARA11 vale a pena?
Depende do objetivo e do quanto você tolera oscilação. Desde a estreia, em 26/06/2026, a cota caiu de R$ 20,00 para R$ 15,45 (25/09/2026), enquanto a Selic rendeu cerca de 3,4% no mesmo período. É um ativo de tese de longo prazo e de risco geopolítico alto, não um lugar pra dinheiro que você pode precisar no curto prazo.
Qual a cotação do RARA11 hoje?
Em 25/09/2026, o RARA11 fechou a R$ 15,45. A cota muda todo dia na B3 e acompanha o REMX, em dólar, convertido pelo câmbio.
O que é o ETF de terras raras da B3?
É o RARA11, da gestora Investo, lançado em 26/06/2026. Ele replica o REMX, fundo americano com mais de 30 empresas de terras raras e metais estratégicos, e cobra 0,5% ao ano de taxa de administração.
O RARA11 paga dividendos?
Não. Como a maioria dos ETFs brasileiros, ele reinveste automaticamente o que as empresas da carteira distribuem.
Quais empresas fazem parte do RARA11?
Em 31/08/2026, as maiores posições eram Albemarle (8,29%), Pilbara Minerals (8,20%), MP Materials (6,80%), Lynas Rare Earths (6,58%) e China Northern Rare Earth (6,48%). China, Austrália e EUA somavam cerca de 72% da carteira.
Por que o RARA11 caiu?
Porque o REMX, que ele replica, estava devolvendo a alta de 2025 e começo de 2026. O fundo americano chegou a US$ 109,53 em maio de 2026 e estava em US$ 66,66 em setembro, 39% abaixo do topo, com o mercado apostando numa reaproximação entre EUA e China.
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Atualizado em 28/09/2026 com cotações de 25/09/2026. Denis Miyabara é sócio da EQI Investimentos. Este conteúdo é educacional e não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.



