RARA11 vale a pena? O ETF de terras raras caiu 22% desde a estreia na B3

RARA11 estreou a R$ 20 em junho e valia R$ 15,45 em 25/09/2026. Carteira, taxa, por que o ETF de terras raras caiu e o que vence em novembro.

⏰ 9 min de leitura

RARA11 vale a pena? Depende de quanto sacode você aguenta. O primeiro ETF de terras raras da B3 estreou em 26 de junho de 2026 a R$ 20,00 por cota e fechou 25 de setembro a R$ 15,45. Quem colocou R$ 10 mil no primeiro dia tinha R$ 7.725 três meses depois, enquanto a Selic teria transformado os mesmos R$ 10 mil em cerca de R$ 10.338. O setor pode ter futuro. O preço de entrada é que decide quanto dói esperar por ele.

Abaixo: o que é o RARA11, o que tem dentro dele (spoiler: as duas maiores posições nem são de terras raras), por que ele caiu e o que ainda pode mexer com a cota até o fim do ano.

RARA11: cotação e desempenho desde a estreia

O RARA11 foi lançado pela gestora Investo e começou a ser negociado na B3 em 26/06/2026, com cota de R$ 20,00. Chegou a R$ 20,84 no dia 30 de junho. Um mês depois, em 29 de julho, estava em R$ 14,79, a mínima até agora. Em 25 de setembro, fechou em R$ 15,45: queda de 22,75% desde a estreia.

O ETF não caiu por conta própria. Ele copia o REMX, fundo americano de terras raras e metais estratégicos listado em Nova York, e o REMX caiu praticamente a mesma coisa no período: de US$ 86,53 em 26/06 para US$ 66,66 em 25/09, cerca de 23%. Como o dólar ficou parado perto de R$ 5,19 nesses três meses, a queda lá fora chegou inteira aqui.

rara11-desde-estreia-vs-selic.png” alt=”Gráfico: R$ 10 mil no RARA11 desde a estreia viraram R$ 7.725 em 25/09/2026, contra R$ 10.338 na Selic” />
R$ 10 mil aplicados no RARA11 no dia da estreia valiam R$ 7.725 em 25/09/2026. Na Selic, cerca de R$ 10.338, antes do imposto.
Data Cota do RARA11 O que aconteceu
26/06/2026 R$ 20,00 Estreia na B3
30/06/2026 R$ 20,84 Maior fechamento até agora
29/07/2026 R$ 14,79 Menor fechamento até agora
10/09/2026 R$ 16,52 Queda de 5% num dia com a notícia de reaproximação EUA-China
25/09/2026 R$ 15,45 -22,75% desde a estreia

Outro detalhe que pesa pra quem opera: o RARA11 ainda é pequeno. Em setembro, o volume negociado ficou perto de R$ 360 mil por dia. Pra quem compra R$ 1 mil, tanto faz. Pra quem quer entrar ou sair com seis dígitos de uma vez, a diferença entre o preço de compra e o de venda começa a importar.

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O que é o RARA11 e como ele funciona

O RARA11 é um ETF, um fundo de índice negociado na bolsa como se fosse ação. Ele replica o REMX (VanEck Rare Earth and Strategic Metals), que reúne mais de 30 empresas de mineração, refino e processamento de terras raras e metais estratégicos. Pra entrar no índice, a empresa precisa tirar pelo menos metade da receita desse setor.

Característica RARA11
Gestora Investo
O que replica REMX (VanEck Rare Earth and Strategic Metals), listado em Nova York
Taxa de administração 0,5% ao ano
Rebalanceamento Trimestral
Empresas na carteira Mais de 30
Dividendos Não distribui; o que as empresas pagam é reinvestido no fundo
Estreia na B3 26/06/2026, a R$ 20,00 por cota
Cotação em 25/09/2026 R$ 15,45

A vantagem é de logística: você compra na sua corretora, em reais, sem abrir conta lá fora. A contrapartida é que o preço anda com o dólar e com empresas australianas, chinesas e americanas que você provavelmente nunca vai ver de perto. Se a lógica de ETF internacional na B3 ainda é nova pra você, este texto sobre ETFs internacionais e proteção cambial explica o mecanismo, e este aqui explica como o câmbio mexe no seu investimento.

Carteira do RARA11: quais empresas e países estão dentro

Pela posição de 31/08/2026 divulgada pela Investo, as cinco maiores empresas somam pouco mais de 36% do fundo:

rara11-carteira-empresas-paises-agosto-2026.png” alt=”Gráfico da carteira do RARA11: cinco maiores empresas e divisão por país em 31/08/2026″ />
Cinco maiores posições e divisão por país da carteira que o RARA11 acompanha, em 31/08/2026.
Empresa País Peso
Albemarle EUA 8,29%
Pilbara Minerals Austrália 8,20%
MP Materials EUA 6,80%
Lynas Rare Earths Austrália 6,58%
China Northern Rare Earth China 6,48%

Aqui mora a primeira surpresa pra quem comprou pelo nome. As duas maiores posições, Albemarle e Pilbara, são produtoras de lítio, o metal da bateria. Terras raras “de verdade” aparecem logo abaixo, com MP Materials, Lynas e China Northern. O nome do fundo fala em “terras raras e metais estratégicos”, e a segunda metade do nome pesa tanto quanto a primeira. Na prática, você compra uma cesta de metais da transição energética, não uma aposta pura em ímã de motor elétrico.

A segunda surpresa está nos países. A China é o maior pedaço, com 30,17%, seguida de Austrália (24,06%), EUA (17,90%), Canadá (10,50%) e Chile (5,77%). Quer dizer: um terço do ETF que muita gente compra “contra a China” é feito de empresas chinesas.

O que são terras raras e por que a China manda nesse mercado

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos. O nome engana: eles não são tão raros na crosta terrestre. Raro é achar concentração que vire mina lucrativa, e mais raro ainda é ter a indústria que separa e refina esses elementos. Neodímio e disprósio, por exemplo, viram ímãs permanentes de motor de carro elétrico, turbina eólica e equipamento militar.

É no refino que a China ganha o jogo. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país respondeu por 91% da produção mundial de terras raras refinadas. Dá pra minerar em qualquer lugar. Se ninguém fora da China consegue refinar, a mina vira um monte de pedra esperando comprador chinês.

Por que o ETF de terras raras subiu tanto e depois caiu

remx-terras-raras-grafico-2025-2026.png” alt=”Gráfico do REMX, ETF de terras raras que o RARA11 replica, de janeiro de 2025 a setembro de 2026″ />
O REMX, fundo que o RARA11 replica, saiu de US$ 32,65 em abril de 2025 para US$ 109,53 em maio de 2026 e voltou a US$ 66,66 em setembro de 2026.

A subida. Em abril de 2025, a China passou a exigir licença pra exportar sete terras raras pesadas e os ímãs feitos com elas. Em outubro de 2025, ampliou a lista pra mais cinco elementos e incluiu equipamentos e tecnologia de refino. Quem precisava do material fora da China correu atrás de fornecedor alternativo, e as ações do setor dispararam. O REMX saiu de US$ 32,65 em 8 de abril de 2025 e bateu US$ 109,53 em 11 de maio de 2026. Mais que triplicou em treze meses.

A trégua. Em novembro de 2025, o Ministério do Comércio da China suspendeu até 10 de novembro de 2026 o pacote de restrições anunciado em outubro. É trégua com data pra acabar, não fim da briga.

A queda. O RARA11 chegou na B3 seis semanas depois do pico do REMX, quando o índice já tinha começado a devolver a alta. Em 25 de setembro de 2026, o REMX estava 39% abaixo do topo de maio. Num único dia, 10 de setembro, o fundo americano caiu 5% com notícias de uma possível cúpula entre Trump e Xi Jinping. A lógica do mercado é simples: se EUA e China fazem as pazes, some a urgência de comprar terras raras fora da China, e com ela parte do prêmio que essas ações carregavam.

Repara na ironia: o mesmo fator que levou o setor pra cima, a briga entre as duas potências, é o que derruba a cota quando aparece a palavra “acordo”. Quem tem RARA11 está, na prática, torcendo contra a paz comercial.

RARA11 vale a pena? Prós e contras

A favor Contra
Único jeito, na B3, de ter uma cesta global de terras raras e metais estratégicos em reais Já caiu 22,75% nos três primeiros meses de vida
Mais de 30 empresas em vez de apostar num único nome As duas maiores posições são de lítio, não de terras raras
Taxa de 0,5% ao ano, baixa pra um ETF temático internacional Cerca de 30% da carteira é de empresas chinesas
Demanda ligada a carro elétrico, energia eólica e defesa Preço depende de decisão política em Pequim e Washington
Dividendos das empresas são reinvestidos automaticamente Liquidez ainda baixa: perto de R$ 360 mil por dia em setembro

O RARA11 não é bom nem ruim no vácuo. É um ativo de tese geopolítica, sem fluxo de caixa previsível pra você ancorar uma conta de “quanto vale”. O paralelo mais próximo no site é o ouro: no texto sobre o GOLD11 a lógica também é comprar algo cujo preço depende de governos, não de lucro. Com metal industrial a coisa fica ainda mais nervosa, como mostra a história de duas empresas de cobre que foram pra lados opostos.

E não custa lembrar a régua mais chata do mercado: a maioria dos investidores na bolsa perde do Tesouro Selic. Nos três primeiros meses do RARA11, o placar foi esse também.

O que pode mexer com o RARA11 até o fim de 2026

  • 10 de novembro de 2026: vence a suspensão chinesa das restrições de outubro de 2025. Renovar, endurecer ou deixar vencer são três cenários com efeitos bem diferentes na cota.
  • Relação EUA-China: cada sinal de acordo tende a pesar contra o setor, como no dia 10 de setembro.
  • Dólar: o RARA11 é cotado em reais, mas a carteira é em moeda estrangeira. Dólar subindo ajuda; caindo, atrapalha.
  • Preço do lítio: com Albemarle e Pilbara no topo da carteira, o metal da bateria mexe tanto quanto as terras raras.

Perguntas frequentes sobre o RARA11

RARA11 vale a pena?

Depende do objetivo e do quanto você tolera oscilação. Desde a estreia, em 26/06/2026, a cota caiu de R$ 20,00 para R$ 15,45 (25/09/2026), enquanto a Selic rendeu cerca de 3,4% no mesmo período. É um ativo de tese de longo prazo e de risco geopolítico alto, não um lugar pra dinheiro que você pode precisar no curto prazo.

Qual a cotação do RARA11 hoje?

Em 25/09/2026, o RARA11 fechou a R$ 15,45. A cota muda todo dia na B3 e acompanha o REMX, em dólar, convertido pelo câmbio.

O que é o ETF de terras raras da B3?

É o RARA11, da gestora Investo, lançado em 26/06/2026. Ele replica o REMX, fundo americano com mais de 30 empresas de terras raras e metais estratégicos, e cobra 0,5% ao ano de taxa de administração.

O RARA11 paga dividendos?

Não. Como a maioria dos ETFs brasileiros, ele reinveste automaticamente o que as empresas da carteira distribuem.

Quais empresas fazem parte do RARA11?

Em 31/08/2026, as maiores posições eram Albemarle (8,29%), Pilbara Minerals (8,20%), MP Materials (6,80%), Lynas Rare Earths (6,58%) e China Northern Rare Earth (6,48%). China, Austrália e EUA somavam cerca de 72% da carteira.

Por que o RARA11 caiu?

Porque o REMX, que ele replica, estava devolvendo a alta de 2025 e começo de 2026. O fundo americano chegou a US$ 109,53 em maio de 2026 e estava em US$ 66,66 em setembro, 39% abaixo do topo, com o mercado apostando numa reaproximação entre EUA e China.

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Atualizado em 28/09/2026 com cotações de 25/09/2026. Denis Miyabara é sócio da EQI Investimentos. Este conteúdo é educacional e não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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