Itaú, Bradesco, Santander ou Banco do Brasil: qual bancão paga mais dividendos em 2026?

Yield de 7-8% igual pra três bancões, mas qualidades completamente diferentes. Entenda qual bancão paga dividendo com qualidade e qual está fora da disputa em 2026.

⏰ 10 min de leitura

Nos 12 meses até 07/10/2026, Itaú, Bradesco e Santander pagaram entre 5,7% e 7,8% em proventos, e o investidor olha esses números e pensa: “tanto faz qual eu compro.” Erro. O yield de cima pode esconder situações completamente diferentes por baixo: um banco saudável pagando com sobra, um banco em recuperação pagando com aperto, e um pagando com o lucro caindo pela metade. Antes de comprar qualquer um, você precisa entender o que sustenta aquele dividendo.

Comparativo feito com os balanços do 1º trimestre de 2026. Os proventos do Banco do Brasil atualizados até outubro de 2026, com datas e payout, estão em BBAS3 dividendos 2026.

A ilusão do yield igual

Quando você vê Itaú, Bradesco e Santander todos entre 5,7% e 7,8% de dividend yield, parece que estão no mesmo patamar. Com R$ 100 mil, a diferença entre o maior e o menor dos três foi de R$ 2,1 mil em 12 meses: R$ 7.832 no Santander contra R$ 5.730 no Bradesco. E o número de cima não conta a história toda.

O yield é um resultado — dividendo pago dividido pelo preço da ação. O problema é que esse número sobe por dois motivos completamente opostos: porque o dividendo cresceu (ótimo) ou porque o preço da ação caiu (péssimo). Se um banco está com resultado pressionado, inadimplência subindo e preço em queda, o yield vai ser lindo — e o investidor vai entrar achando que fez um bom negócio.

O que separa um bancão do outro não é o yield. É o lucro que está sustentando esse dividendo.

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O critério que importa: ROE e qualidade do lucro

ROE é a sigla em inglês para retorno sobre o patrimônio. Simplificando: de cada R$100 que o banco tem de patrimônio, quanto ele gera de lucro? Um ROE de 26% significa que o banco é extremamente eficiente — gera muito lucro com pouco capital. Um ROE de 7% quer dizer que o banco quase não remunera o próprio patrimônio.

Para dividendos sustentáveis, você quer um ROE consistentemente alto. ROE fraco gera dividendo frágil — qualquer pressão de inadimplência ou aumento de custo de crédito e o payout cai. E aí o yield “atrativo” que você comprou some.

A outra peça é o crescimento do lucro. Banco com lucro crescendo trimestre a trimestre tem gordura para aumentar dividendo. Banco com lucro caindo 50% no ano está pagando dividendo com o que sobrou — e pode não sobrar muito por muito tempo.

Os 4 bancões analisados: quem está onde

Vamos ao que interessa. Dados do primeiro trimestre de 2026 e resultados recentes:

Banco Ticker Lucro 1T26 Crescimento a.a. ROE DY pago em 12 meses* Inadimplência
Itaú ITUB4 R$ 12,3 bi +10,4% 26,4% (Brasil) 6,4% Controlada
Bradesco BBDC4 R$ 6,8 bi +16,1% 15,8% 5,7% Em queda
Santander SANB11 R$ 3,8 bi Comprimido 16,0% 7,8% Subindo (3,3%)
Banco do Brasil BBAS3 R$ 3,4 bi -53,5% 7,3% 2,8% Rural em 6,22%

Lucro recorrente e ROE do 1T26 nos relatórios de RI de cada banco (Santander: lucro gerencial recorrente e ROAE recorrente). *Proventos brutos (dividendos e JCP) com data-com entre 08/10/2025 e 07/10/2026, sobre o fechamento de 07/10/2026: Itaú R$ 3,17 por ação sobre R$ 49,11; Bradesco PN R$ 1,26 sobre R$ 21,96; Santander R$ 2,31 por unit sobre R$ 29,46; Banco do Brasil R$ 0,68 sobre R$ 24,18 (proventos declarados pelas empresas à B3 e ao RI; fechamento no COTAHIST da B3).

Itaú (ITUB4) — o dividendo com mais colchão

Não existe bancão mais consistente do que o Itaú para dividendos. Lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 10,4% sobre o mesmo período do ano anterior, e ROE de 26,4% na operação no Brasil (24,8% no consolidado) — um dos maiores do setor bancário global, não só no Brasil.

O que isso significa na prática? Significa que quando o Itaú paga dividendo, ele paga com sobra. Não está espremendo resultado para manter yield. Nos 12 meses até 07/10/2026, o Itaú declarou R$ 3,17 por ação: 6,4% sobre o fechamento de R$ 49,11. Mais da metade veio de um dividendo complementar de R$ 1,87 por ação, com data-com em 09/12/2025.

O único porém: justamente por ser o favorito indiscutível, o Itaú negocia com P/L de 10,1x e P/VP de 2,4x. Não está barato. Mas dividendo de qualidade tem preço.

Bradesco (BBDC4) — o jogo de valor

O Bradesco passou por uma das piores fases da sua história recente. Inadimplência subiu, provisões explodiram, ROE caiu. Mas o 1T26 foi o nono trimestre consecutivo de expansão de lucro: R$ 6,8 bilhões, crescimento de 16,1% ano a ano.

O banco negocia próximo ao valor patrimonial — múltiplo historicamente baixo para um banco desse tamanho. No 2T26 veio o décimo: lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, 16,2% acima do 2T25, e ROAE de 16,2%.

Nos 12 meses até 07/10/2026, a BBDC4 pagou R$ 1,26 por ação, tudo em JCP: 5,7% sobre o fechamento de R$ 21,96. É o menor dos três bancos privados.

A tese do Bradesco não é “melhor banco” — é “melhor negócio no preço atual”. Se a recuperação se confirmar, o upside é expressivo. Mas é uma aposta com horizonte de 24 a 36 meses, não de dividendo imediato. Quem compra Bradesco hoje compra a promessa de um dividendo maior no futuro, não a certeza de um hoje.

Santander (SANB11) — yield atrativo, resultado preocupante

O Santander está na situação mais delicada dos três primeiros. A SANB11 pagou R$ 2,31 por unit nos 12 meses até 07/10/2026: 7,8% sobre o fechamento de R$ 29,46, o maior dos quatro. Parte desse número vem do preço, não do lucro: a unit fechou 2025 a R$ 34,06 e caiu 13,5% até 07/10/2026. A inadimplência acima de 90 dias foi de 2,8% para 3,3% — é um sinal ruim quando está subindo, não apenas quando está alto.

O resultado gerencial de R$ 3,8 bilhões fica aquém do Itaú e do Bradesco, com ROAE de 16,0% que olhando isolado parece razoável, mas o contexto de inadimplência crescente pressiona as perspectivas. No 2T26 a pressão apareceu: o lucro gerencial recorrente caiu para R$ 3,0 bilhões (−17,6% em um ano) e o ROAE, para 12,5%.

Se você quer dividendo sustentável, o Santander pede cautela. O número atrativo de cima esconde uma deterioração nos indicadores de crédito que pode pesar nos próximos trimestres.

O caso Banco do Brasil: ele está fora da disputa de dividendos em 2026

O Banco do Brasil não é um competidor dos outros três para quem busca renda em 2026. É outra categoria.

O lucro do 1T26 foi de R$ 3,4 bilhões — uma queda de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025. Isso não é variação normal. O custo de crédito disparou 86% para R$ 18,9 bilhões, puxado pela inadimplência rural que saltou de 2,76% para 6,22%. A seca e as condições climáticas do agronegócio estão no resultado do BB de um jeito que não aparece nos outros bancões.

Com esse cenário, o BB reduziu o payout para 30% e revisou o guidance 2026 para R$ 18–22 bilhões. Nos 12 meses até 07/10/2026, o BB declarou R$ 0,68 por ação, só em JCP: 2,8% sobre o fechamento de R$ 24,18. Os outros três pagaram entre 5,7% e 7,8% no mesmo período. Com R$ 100 mil, foram R$ 2.812 no BB contra R$ 5.730 a R$ 7.832 nos outros.

Isso não quer dizer que o BB é um investimento ruim para sempre. Quer dizer que ele não compete como pagador de dividendos neste ciclo. Quem compra BB agora está fazendo uma aposta na recuperação do agronegócio e na normalização da inadimplência rural — não na renda imediata. Horizontes diferentes.

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Para quem é cada bancão?

Você quer dividendo confiável e previsível? Itaú. ROE de 26%, lucro crescendo, resultado mais consistente do setor. Você paga mais caro, mas dorme tranquilo sabendo que o dividendo tem colchão.

Você quer upside maior e aceita esperar? Bradesco. Nono trimestre consecutivo de melhora, múltiplo historicamente baixo, recuperação em curso.

Você quer segurança e está com pressa? Santander fica fora por ora. Aguarde a inadimplência estabilizar antes de entrar.

Você quer renda passiva em 2026? Banco do Brasil fica fora também. Não é o timing certo para esse objetivo.

A lição do duelo dos bancões é simples: yield igual na superfície não significa risco igual nem qualidade igual por baixo. Dois bancos com yield parecido podem estar em mundos completamente diferentes — um com ROE de 26% e lucro crescendo, outro com lucro caindo pela metade.

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Perguntas frequentes sobre dividendos de bancões em 2026

Qual bancão paga mais dividendos em 2026?
Nos 12 meses até 07/10/2026, o Santander (SANB11) pagou 7,8%, o Itaú (ITUB4) 6,4% e o Bradesco (BBDC4) 5,7%, sobre o fechamento daquele dia. O Banco do Brasil (BBAS3) fica abaixo: pagou 2,8% no mesmo período, depois da queda de 53,5% no lucro no 1T26 e da redução do payout para 30%.
Itaú ou Bradesco: qual escolher para dividendos?
Para dividendo de qualidade imediata, Itaú. Para quem aceita esperar e quer mais upside, Bradesco — está em recuperação e negociando próximo ao valor patrimonial. São teses diferentes: consistência vs. valor.
Por que o dividend yield do Santander está alto se o resultado está pressionado?
Porque o yield sobe tanto quando o dividendo cresce quanto quando o preço da ação cai. No caso do Santander, o preço recuou no ano enquanto a inadimplência subiu de 2,8% para 3,3%. Yield inflado por queda de preço é uma armadilha clássica.
O Banco do Brasil vai recuperar dividendos em 2026?
É improvável que o BB volte a competir com os outros bancões em termos de dividendo em 2026. O lucro caiu 53,5% no 1T26, o payout foi reduzido para 30% e o guidance revisado aponta para R$ 18–22 bilhões — bem abaixo do lucro dos anos anteriores.
Dá para viver de dividendos de ações de bancos?
Depende de quanto o banco lucra para sustentar o que paga. O Itaú tem histórico de dividendo consistente, e o Banco do Brasil mostrou em 2026 como o pagamento cai quando o lucro cai. O erro é escolher pelo yield maior sem olhar o lucro por baixo. ROE alto e lucro crescente são os filtros que separam um do outro.

Conclusão: o yield de cima engana, o lucro por baixo não

Se você está construindo uma carteira de dividendos, não olha só para o número de cima. 7% de yield pode ser excelente — ou pode ser um sinal de alerta. O que importa é a qualidade do lucro que está pagando aquele dividendo.

Em 2026, o ranking dos bancões para dividendos é claro: Itaú na frente por consistência e qualidade, Bradesco como aposta de valor com horizonte mais longo, Santander pedindo cautela enquanto a inadimplência não se estabilizar, e Banco do Brasil fora da disputa de renda neste ciclo.

Não é que os outros são ruins. É que cada um está em um momento diferente, e comprar o certo para o objetivo errado é o jeito mais fácil de se decepcionar com um investimento perfeitamente razoável.

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Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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