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A Petrobras (PETR4) ofereceu R$ 2,97 bilhões em bônus de assinatura para levar 12 blocos exploratórios na Bacia de Campos no leilão da ANP desta quarta-feira (7). O valor equivale a 98,7% de tudo o que o governo arrecadou na rodada de concessão, que vendeu 49 blocos por R$ 3,01 bilhões. De manhã, no leilão do pré-sal, sete áreas saíram por R$ 530,5 milhões, com Prio (PRIO3), Petrobras, Equinor e CNOOC entre as vencedoras.
O que aconteceu
A ANP fez dois leilões no mesmo dia, no Rio de Janeiro. Pela manhã rodou o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, só com áreas do pré-sal. À tarde veio o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com blocos em terra e no mar de várias bacias.
Na concessão, ganha quem paga mais em bônus (o dinheiro pago à vista ao governo pela área) e promete mais trabalho de exploração. Foi aí que a Petrobras abriu a carteira. Em cinco blocos ela disputou com o consórcio da TotalEnergies e da QatarEnergy. Nesses cinco, a estatal ofereceu R$ 2,82 bilhões. O rival ofereceu R$ 71,5 milhões somando tudo. A Petrobras pagou quase 40 vezes o lance do segundo colocado.
O caso mais extremo foram os blocos C-M-115 e C-M-161: R$ 754 milhões cada. O lance mínimo do edital para cada um era de cerca de R$ 3,6 milhões. A ANP registrou ágio de 21.026%, ou seja, a estatal pagou mais de 200 vezes o preço de partida.
No pré-sal a regra é outra. O bônus é fixo no edital e vence quem oferece a maior fatia do petróleo para a União, o chamado excedente em óleo. Sete dos 13 blocos tiveram dono, o maior número desde que esse modelo começou. Nenhum deles teve disputa entre duas ofertas.
Os números do leilão
| Quem levou | Leilão | Blocos | Bônus |
|---|---|---|---|
| Petrobras | Concessão (Bacia de Campos) | 12 | R$ 2,97 bilhões |
| Petrobras (70%) e QatarEnergy (30%) | Concessão (Bacia do Ceará) | 7 | R$ 28,5 milhões |
| Eneva | Concessão (Bacia do Parnaíba) | 6 | R$ 1,5 milhão |
| PetroRecôncavo | Concessão (Potiguar e Recôncavo) | 2 | R$ 360 mil |
| Prio | Partilha (pré-sal, Campos) | 2 | R$ 94,6 milhões |
| Total da concessão | 6º Ciclo | 49 | R$ 3,01 bilhões |
| Total do pré-sal | 4º Ciclo | 7 | R$ 530,5 milhões |
Fonte: ANP, resultados dos leilões de 7 de outubro de 2026 (planilha de ofertas vencedoras e comunicado do 4º Ciclo).
No pré-sal, a Prio ficou com Magnetita e Hematita, perto dos campos de Frade e Wahoo, que ela já opera. Ofereceu 32,8% do excedente em óleo para a União em Magnetita. A Petrobras levou Azurita e Cruzeiro do Sul. CNOOC e Sinopec ficaram com Jade, e a Equinor levou Rubi sozinha e Rodocrosita com a Galp. Os investimentos mínimos prometidos somam R$ 1,58 bilhão na concessão e R$ 778,4 milhões no pré-sal, só na fase de exploração.
O que muda para quem investe
Para quem tem PETR4, a conta é simples de enxergar. São quase R$ 3 bilhões saindo do caixa por áreas onde ainda ninguém achou petróleo. Bônus de assinatura não volta se o poço vier seco. É dinheiro gasto antes da primeira perfuração, e quem paga dividendos é esse mesmo caixa.
O outro lado é a reposição de reservas. Petroleira que não compra área nova vê a produção minguar com o tempo. A Petrobras topou pagar 40 vezes o lance de duas gigantes estrangeiras, O lance mostra que a estatal dá a esses blocos de Campos um valor muito acima do que as duas estrangeiras estavam dispostas a pagar.
Na Prio, o valor é pequeno perto do porte da empresa: R$ 94,6 milhões, sendo R$ 93 milhões só em Magnetita. A aposta é usar o navio-plataforma Valente, já instalado em Frade, se a exploração der certo. Ligar poços novos a uma plataforma que já existe custa bem menos que montar uma do zero. A própria empresa avisou, em fato relevante, que ainda não tem estimativa de volume nem orçamento total.
Eneva (ENEV3) e PetroRecôncavo (RECV3) entraram com cheques de outra escala. A Eneva pagou R$ 1,5 milhão por seis blocos em terra na Bacia do Parnaíba, com compromisso de R$ 64,2 milhões em exploração. São valores que não pesam no balanço de nenhuma das duas.
Próximos passos
No pré-sal, a ANP prevê homologar o resultado até 18 de novembro. O prazo para pagar os bônus vai até 30 de dezembro, e os contratos de partilha devem ser assinados até 26 de fevereiro de 2027. Os vencedores da concessão também precisam entregar documentos e pagar os bônus antes da assinatura, seguindo o cronograma do edital do 6º Ciclo. Para a Prio, o programa mínimo prevê sísmica 3D e um poço exploratório, com prazo de até sete anos.
Leia também: Petrobras concentra 65% do lucro das estatais e o que a Noruega fez com o petróleo e o Brasil fez com o pré-sal.
Perguntas frequentes
Quanto a Petrobras pagou no leilão da ANP de outubro de 2026?
Na rodada de concessão, a Petrobras ofereceu R$ 2,97 bilhões em bônus por 12 blocos na Bacia de Campos. Também levou sete blocos no Ceará em sociedade com a QatarEnergy, por R$ 28,5 milhões, e duas áreas do pré-sal no leilão de partilha.
Qual a diferença entre leilão de concessão e de partilha?
Na concessão, vence quem paga o maior bônus e promete mais exploração, e o petróleo achado é da empresa, que paga royalties. Na partilha, usada no pré-sal, o bônus é fixo e vence quem entrega a maior parte do petróleo excedente para a União.
Quais blocos a Prio comprou no leilão do pré-sal?
A Prio levou Magnetita e Hematita, na Bacia de Campos, por R$ 94,6 milhões em bônus. As áreas ficam perto dos campos de Frade e Wahoo e podem ser ligadas ao navio-plataforma Valente se houver descoberta.
Fontes:
ANP: resultados do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão
ANP: 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha tem sete blocos arrematados
InfoMoney/Reuters: Petrobras arremata 12 blocos na Bacia de Campos
InvestNews: Prio arremata duas áreas do pré-sal
Money Times: Eneva leva 6 blocos na Bacia do Parnaíba

