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A Justiça de São Paulo aprovou nesta quarta-feira (21) a recuperação judicial do Grupo Casas Bahia (BHIA3) e de outras nove empresas da varejista. A decisão, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, cobre R$ 17,3 bilhões em dívidas declaradas no pedido de agosto. Quem colocou R$ 100 mil na ação há um ano tem hoje R$ 45,3 mil.

O que aconteceu
A juíza Taina Maria Leonardo de Oliveira considerou que o grupo cumpre os requisitos para seguir com a recuperação judicial, mesmo com papéis faltando. A lista inclui demonstrações de fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas do grupo, projeções financeiras separadas por empresa e uma relação de credores atualizada. A companhia tem 30 dias para entregar tudo, sob pena de a decisão ser revogada.
Na decisão, a juíza escreveu que não se trata de “deficiência documental grave e absoluta”, e que os problemas podem ser corrigidos durante o processo.
A Casas Bahia pediu a recuperação em 16 de agosto. Dos R$ 17,3 bilhões em dívidas, R$ 16,4 bilhões são quirografários, ou seja, sem nenhum bem dado em garantia. O pedido veio depois de um segundo trimestre com prejuízo de R$ 10,1 bilhões, 18 vezes o prejuízo de R$ 555 milhões do mesmo período de 2025. A auditoria EY apontou “incerteza relevante” sobre a continuidade da empresa.
O laudo da perícia, entregue no começo de outubro, mostrou que o valor dos estoques caiu 40,5% entre abril e agosto e que 4.647 pessoas saíram do quadro de funcionários só em agosto. Lojas, centros de distribuição e o site seguem funcionando. Na segunda-feira (19), os acionistas já tinham ratificado o pedido em assembleia.
Quanto a ação perdeu e quanto voltou
A conta abaixo usa R$ 100 mil aplicados em BHIA3 em cada data, pelo preço de fechamento, até o fechamento de terça-feira (20), a R$ 1,43. Na manhã desta quarta, a ação era negociada perto de R$ 1,46.
| Quando comprou | Preço da ação | R$ 100 mil viraram |
|---|---|---|
| Máxima histórica (2020, preço ajustado) | R$ 489,00 | R$ 292 |
| 21/10/2025 (um ano atrás) | R$ 3,16 | R$ 45,3 mil |
| 14/08/2026 (véspera do pedido) | R$ 0,66 | R$ 216,7 mil |
| 27/08/2026 (fundo) | R$ 0,34 | R$ 420,6 mil |
No primeiro pregão depois do pedido, em 17 de agosto, a ação caiu 33%, para R$ 0,44. Dez dias depois tocou R$ 0,34. A virada começou em 31 de agosto: a Justiça antecipou por 180 dias a suspensão das cobranças contra o grupo, e a ação subiu 65% naquele dia. De lá para cá, o papel mais que quadruplicou a partir do fundo.
O que muda para quem investe
Para quem tem BHIA3, a aprovação tira da mesa o risco de o pedido ser negado logo de cara, mas abre a parte mais delicada do processo. Na recuperação judicial, quem decide o plano são os credores, divididos em classes. Acionista não vota nessa assembleia e é o último da fila: recebe o que sobrar depois de todos os credores.
A lei de recuperação permite que o plano converta dívida em ações. Com R$ 16,4 bilhões em dívidas sem garantia, essa é a hipótese que mais pesa para o acionista de hoje: se parte da dívida virar ação, cada papel passa a representar um pedaço menor da empresa. Os R$ 216,7 mil de quem comprou na véspera do pedido valem pelo preço de hoje, sem saber ainda quantas ações novas o plano vai criar.
O exemplo mais próximo é o da Americanas, que saiu da recuperação judicial nesta semana: R$ 100 mil postos na ação antes do rombo valem R$ 582. Também no varejo, o GPA teve o plano de recuperação extrajudicial homologado, e a conta de quem ficou na ação mudou com o plano.
Ação que sobe 320% em menos de oito semanas e pode ser diluída no mês seguinte pede saber quanto risco cabe na carteira. O quiz Perfil de Cagaço, do site, mede isso em poucas perguntas antes de olhar a cotação.
Próximos passos
- 30 dias a partir da decisão desta quarta: prazo para a Casas Bahia entregar os documentos que faltam.
- Até 60 dias da publicação da decisão: a lei obriga a empresa a apresentar o plano de recuperação. É nele que aparece se haverá conversão de dívida em ações.
- Depois do plano: assembleia de credores para aprovar, mudar ou rejeitar a proposta.
- 15 de fevereiro de 2027: fim do prazo de 180 dias de suspensão das cobranças, contado desde 19 de agosto.
Perguntas frequentes
A Casas Bahia vai fechar as lojas?
Não há decisão nesse sentido. A perícia confirmou que lojas físicas, centros de distribuição e canais digitais seguem funcionando. O grupo já havia anunciado o fechamento de 298 lojas na frente de reestruturação citada no pedido.
O que acontece com as ações da Casas Bahia na recuperação judicial?
As ações BHIA3 continuam negociadas na B3. O acionista só recebe algo depois dos credores, e o plano pode transformar dívida em ações novas, o que diminui a fatia de quem já é sócio.
Qual é a diferença para a recuperação extrajudicial de 2024?
Em 2024 a empresa negociou R$ 4,1 bilhões com parte dos credores e levou o acordo pronto para a Justiça só homologar. Agora são R$ 17,3 bilhões, com cobranças suspensas e o plano votado por todos os credores sob supervisão da Justiça.
Fontes: InfoMoney · Tribuna do Norte · InfoMoney (suspensão das cobranças) · InfoMoney (histórico da ação) · Lei 11.101/2005 · Yahoo Finance (cotações BHIA3)



