iFood compra a Caju por cerca de R$ 1 bi e passa a girar 1 em cada 5 reais do vale

O iFood Benefícios comprou a Caju, avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. Juntas, as duas movimentam perto de R$ 31 bilhões por ano, 1 em cada 5 reais do vale-refeição.

⏰ 4 min de leitura

O iFood Benefícios anunciou nesta terça-feira (20) a compra da Caju, startup de vale-refeição, vale-alimentação e gestão de RH. As empresas não divulgaram o preço, mas o Brazil Journal apurou que a Caju foi avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. Juntas, as duas movimentam perto de R$ 31 bilhões por ano em benefícios, num mercado de R$ 150 bilhões.

Resposta curta: o iFood dobra de tamanho no vale-refeição e passa a girar cerca de 1 em cada 5 reais do setor. Para quem recebe o cartão, nada muda até o Cade e o Banco Central aprovarem. Para quem investe, o recado vai para os donos das operadoras tradicionais, como a Alelo, de Bradesco e Banco do Brasil.

O que aconteceu

A compra foi comunicada ao Cade e, depois do aval do órgão de concorrência, ainda passa pelo Banco Central. Até lá, as duas operam separadas. Segundo o Brazil Journal, o negócio entra no plano de R$ 24 bilhões em investimentos que o iFood anunciou em setembro.

As duas empresas nasceram em 2020 e cresceram contra as quatro gigantes do setor: Alelo, Ticket, VR e Pluxee (a antiga Sodexo). Segundo dados reunidos pelo Cade e citados pela Bloomberg Línea, a Alelo tem cerca de 30% do mercado, e as quatro somam perto de 80%.

No ano passado, o iFood chegou a negociar a própria Alelo, num negócio que poderia chegar a R$ 5,5 bilhões. Preferiu a Caju, que sai por menos de um quinto disso. “Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos”, disse Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, que fica na empresa.

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Os números do negócio

iFood Benefícios Caju Juntas
Empresas clientes 65 mil 70 mil 135 mil
Trabalhadores com o cartão 1,7 milhão 1,3 milhão 3 milhões
Volume por mês R$ 1,3 bilhão R$ 1,3 bilhão R$ 2,6 bilhões
Volume por ano R$ 15,6 bilhões R$ 15,6 bilhões R$ 31,2 bilhões

A conta do volume anual é do Investir e Coçar, a partir dos R$ 1,3 bilhão mensais de cada uma publicados pelo Brazil Journal. Dividido pelos R$ 150 bilhões do mercado, dá 20,8%. As bases de clientes podem ter sobreposição, então os 3 milhões de trabalhadores são o teto, não o número exato.

O preço também diz muito. Com uma taxa média de 3% sobre o volume, o Brazil Journal estima receita de cerca de R$ 450 milhões por ano para a Caju. Os R$ 1 bilhão equivalem, então, a pouco mais de 2 anos de receita da empresa. A Caju levantou só US$ 50 milhões com fundos desde a fundação.

O que muda para quem investe

O iFood e a Caju não têm ação na B3. O efeito no bolso do investidor aparece em quem está do outro lado da briga.

A Alelo, líder do setor, pertence a Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3). Ticket e Pluxee são de grupos franceses listados em Paris. Todas perdem margem com as regras novas do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em decreto de novembro de 2025: a taxa cobrada de restaurantes e mercados ficou limitada a 3,6%, o repasse ao lojista caiu para até 15 dias e, a partir de novembro, qualquer cartão do PAT terá de passar em qualquer maquininha.

Para ter a escala: 3,6% sobre R$ 150 bilhões dá no máximo R$ 5,4 bilhões por ano em taxas para o setor inteiro dividir. Com um rival de R$ 31 bilhões em volume brigando por cliente, a fatia de cada operadora antiga tende a encolher. No banco, a Alelo é uma linha pequena perto do crédito, mas quem tem BBDC4 pelos dividendos ou acompanha o Banco do Brasil e a BB Seguridade passa a ter mais um negócio sob pressão na conta.

Há ainda um risco que vale para todos: as regras do PAT saíram por decreto e podem ser mudadas por um governo futuro sem passar pelo Congresso, como lembra o Brazil Journal. As operadoras tradicionais contestam parte delas na Justiça.

Próximos passos

  • Cade: analisa se a compra reduz a concorrência. Não há prazo divulgado.
  • Banco Central: dá o aval depois do Cade.
  • Novembro de 2026: começa a interoperabilidade plena do PAT, com cartão aceito em qualquer maquininha.
  • Integração: o plano de quem comanda a empresa combinada só sai depois das aprovações.

Perguntas frequentes

Quanto o iFood pagou pela Caju?

O valor oficial não foi divulgado. Segundo o Brazil Journal, a Caju foi avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, menos de um quinto dos R$ 5,5 bilhões que chegaram a ser negociados pela Alelo em 2025.

O que muda para quem tem cartão Caju?

Por enquanto, nada. As duas empresas seguem independentes até a aprovação do Cade e do Banco Central. A promessa é levar descontos do iFood para os usuários da Caju, mas os detalhes ainda não saíram.

Quem é dono da Alelo?

A Alelo é controlada por Bradesco e Banco do Brasil e lidera o setor de vale-refeição, com cerca de 30% do mercado segundo dados reunidos pelo Cade.

Fontes: Brazil Journal · Bloomberg Línea · InvestNews · InfoMoney · g1

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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