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O IVVB11, ETF que replica o S&P 500 na B3, fechou esta segunda-feira (26) em alta de 8,80%, cotado a R$ 467,85, segundo a B3. No mesmo pregão, o BOVA11, que segue o Ibovespa, caiu 14,42%, a R$ 172,60. Quem tinha R$ 10 mil em cada um na sexta terminou o dia com R$ 10.880 de um lado e R$ 8.558 do outro.

O dólar fez quase toda a alta do IVVB11
As bolsas americanas tiveram um dia tranquilo. O S&P 500 subiu 0,70%, para 7.676,77 pontos, puxado pelo pedido de IPO da Anthropic e pela queda do petróleo, de acordo com o Money Times. Esse 0,70% explica uma fatia pequena dos 8,80% do ETF.
O resto veio do câmbio. O IVVB11 é negociado em reais, mas o que ele carrega são ações cotadas em dólar. Quando a moeda americana sobe, cada cota passa a valer mais reais, mesmo com as ações paradas. E o dólar PTAX, a cotação de referência do Banco Central, saltou 9,19% no dia, para R$ 5,5007, no primeiro pregão depois da reeleição de Lula.
Do lado brasileiro, aconteceu o contrário. A bolsa acionou o circuit breaker na abertura e o Ibovespa terminou com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, o pior dia em seis anos. O BOVA11 caiu um pouco mais que o índice que ele acompanha: 14,42%. No pior momento, a cota foi negociada a R$ 165,06, 18% abaixo de sexta.
IVVB11, NASD11 e BOVA11 no pregão de 26 de outubro
| Ativo | Fechamento | Variação no dia | R$ 10 mil de sexta viraram |
|---|---|---|---|
| IVVB11 (S&P 500) | R$ 467,85 | +8,80% | R$ 10.880 |
| NASD11 (Nasdaq 100) | R$ 21,91 | +8,73% | R$ 10.873 |
| BOVA11 (Ibovespa) | R$ 172,60 | −14,42% | R$ 8.558 |
| Ibovespa (índice) | 176.608 pontos | −13,88% | — |
Os dois ETFs americanos andaram quase colados, porque o motor dos dois foi o mesmo: o câmbio. A Nasdaq subiu 0,83% em Nova York, pouco mais que o S&P 500, e isso não mudou a foto.
Para dar escala ao ganho de R$ 880 do IVVB11: o CDI, que rende 0,0508% por dia útil pelo Banco Central, levaria cerca de 173 dias úteis para fazer os mesmos R$ 880 com R$ 10 mil. É mais de meio ano de renda fixa num pregão. A perda de R$ 1.442 do BOVA11 equivale a 284 dias úteis de CDI, mais de um ano.
O que a diferença faz numa carteira com BOVA11 e IVVB11
O caso mais comum entre quem investe em ETF é ter os dois. Uma carteira de R$ 10 mil dividida ao meio entre BOVA11 e IVVB11 fechou a segunda-feira valendo R$ 9.719, uma queda de 2,81%. Quem tinha tudo em BOVA11 perdeu 14,42%. O pedaço em dólar não impediu a perda, mas cortou o tombo para menos de um quinto.
Isso só acontece porque o real e a bolsa brasileira costumam cair juntos em dia de susto doméstico. Foi o que o mercado viu nesta segunda. O mesmo mecanismo funciona ao contrário: em 5 de outubro, depois do 1º turno, o dólar caiu e o IVVB11 recuou enquanto a bolsa brasileira subia. A proteção do câmbio aparece no dia ruim do Brasil e cobra o preço no dia bom.
Também tem um limite. O ganho do IVVB11 nesta segunda depende do dólar continuar onde está. Se a moeda devolver parte da alta nos próximos dias, a cota do ETF devolve junto, mesmo com Wall Street subindo. Antes de mexer em qualquer coisa, dá para ver quanto sobe e desce você aguenta ver na carteira no quiz Perfil de Cagaço do site. Para entender como os ETFs de fora funcionam na B3, o site tem um guia sobre ETFs internacionais e proteção cambial.
Comprar IVVB11 depois de um dia de alta de 8,8% é pagar o dólar no topo?
Quem compra agora paga a cota já com o dólar a R$ 5,50 na PTAX, contra R$ 5,04 na sexta. Se o câmbio voltar para perto do nível de sexta, essa diferença some da cota, mesmo que o S&P 500 fique parado. O ganho desta segunda ficou com quem já tinha o ETF antes do resultado.
Por que o BOVA11 caiu mais que o Ibovespa?
O ETF fechou com queda de 14,42%, e o índice, de 13,88%. Em dias de venda forte, a cota de um ETF pode ser negociada abaixo do valor das ações que estão dentro dele, e a diferença tende a fechar nos pregões seguintes, quando a negociação volta ao normal.
Dados: B3 · Money Times · Banco Central



