Meta lucra US$ 9,9 bi, mas gasta em data centers mais que o caixa gerado no trimestre

A Meta lucrou US$ 9,86 bilhões no 3º trimestre de 2026, mas investiu US$ 34,9 bilhões em data centers e servidores, mais que os US$ 32,8 bilhões gerados pela operação: o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 2,12 bilhões.

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A Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, lucrou US$ 9,86 bilhões (R$ 49,5 bilhões) no terceiro trimestre de 2026, 264% acima do mesmo período de 2025, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (21). O número esconde outro: a empresa investiu US$ 34,9 bilhões em data centers e servidores, mais do que o caixa que o negócio gerou, e o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 2,12 bilhões. Na sessão estendida de Nova York, as ações subiam 4,2% às 17h32.

Gráfico de barras: no 3º trimestre de 2026 a Meta gerou US$ 32,8 bi de caixa na operação e investiu US$ 34,9 bi, deixando fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,1 bi; um ano antes sobravam US$ 10,6 bi
Fonte: Meta Platforms, resultado do 3º trimestre de 2026 (21/10/2026)

O que aconteceu

A receita chegou a US$ 64,6 bilhões, alta de 26% em um ano e acima dos US$ 63,34 bilhões que os analistas consultados pela FactSet esperavam. Quase tudo vem de anúncio: o número de anúncios exibidos cresceu 10% e o preço médio de cada um subiu 14%. A família de aplicativos teve 3,64 bilhões de pessoas ativas por dia em setembro.

O lucro por ação, de US$ 3,83, ficou abaixo dos US$ 6,54 projetados. O motivo é uma despesa de US$ 9,89 bilhões ligada ao acordo fechado em agosto com 52 procuradores-gerais dos Estados Unidos nos processos sobre saúde mental de adolescentes nas redes sociais. O acordo prevê pagamentos de até US$ 18,59 bilhões. Sem essa conta, o lucro por ação teria sido de US$ 7,40, segundo a empresa.

A alta de 264% no lucro também tem explicação contábil. No terceiro trimestre de 2025, a Meta pagou US$ 18,95 bilhões de imposto e lucrou só US$ 2,71 bilhões. Neste ano, o imposto caiu para US$ 3,14 bilhões. Já o lucro operacional, que mede o negócio antes de imposto, recuou 37%, para US$ 12,99 bilhões, e a margem caiu de 40% para 20%.

O balanço vai até 30 de setembro e não inclui a multa de US$ 25 bilhões no caso Cambridge Analytica, fixada pela Justiça do Novo México nesta mesma quarta-feira.

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Os números do trimestre

Item (US$ bilhões) 3º tri 2025 3º tri 2026 Variação
Receita 51,24 64,60 +26%
Lucro operacional 20,54 12,99 -37%
Lucro líquido 2,71 9,86 +264%
Caixa gerado pela operação 30,00 32,79 +9%
Investimento (imobilizado e arrendamentos) 19,37 34,91 +80%
Fluxo de caixa livre 10,63 -2,12 –

A linha que mais mudou é a do investimento. Um ano atrás, depois de pagar data centers e servidores, sobravam US$ 10,6 bilhões no trimestre. Agora o caixa da operação cresceu 9%, mas o investimento subiu 80%, e a conta fechou no vermelho. Em reais, os US$ 34,9 bilhões do trimestre equivalem a cerca de R$ 175 bilhões, com o dólar a R$ 5,02 do fechamento desta quarta.

Para 2026 inteiro, a Meta estreitou a previsão de investimento para US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões (antes, de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões) e disse que vai continuar investindo “de forma agressiva” em 2027. A divisão de realidade virtual, a Reality Labs, deve perder de US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões neste ano.

O que muda para quem investe

No Brasil, a ação da Meta é negociada na B3 pelo BDR M1TA34, que acompanha o papel em Nova York convertido pelo dólar. Quem tem o BDR é sócio de uma empresa que, neste trimestre, gastou mais do que gerou. O buraco foi coberto pelo caixa: a Meta tinha US$ 82,45 bilhões em caixa e aplicações em 30 de setembro. No ritmo de US$ 2,12 bilhões negativos por trimestre, esse colchão duraria quase 39 trimestres, mas ele também paga os dividendos, que somaram US$ 1,36 bilhão no período.

A segunda mudança é a nova ação classe C, sem direito a voto. O conselho aprovou dar uma ação C para cada ação A ou B existente, com a nova classe valendo a partir de 19 de janeiro de 2027. Na prática, o acionista passa a ter duas ações em vez de uma, e o preço da classe A deve se ajustar, num efeito parecido com o de um desdobramento. A empresa diz que a nova classe serve para captar dinheiro, pagar funcionários e fazer aquisições sem mexer no controle de Mark Zuckerberg. A data de corte e a de pagamento ainda não foram definidas, e o ajuste no BDR depende do comunicado do emissor.

Para quem compara o sobe e desce de uma big tech com o de um título de renda fixa, o quiz do site mostra quanta oscilação cabe na carteira de cada um.

Próximos passos

Para o quarto trimestre, a Meta prevê receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões; antes do balanço, os analistas projetavam US$ 73,65 bilhões. A empresa também avisa que tem julgamentos sobre jovens e redes sociais marcados nos Estados Unidos nos próximos meses. A classe C passa a valer em 19 de janeiro de 2027, e o conselho ainda vai anunciar as datas da distribuição.

Perguntas frequentes

Quanto a Meta lucrou no 3º trimestre de 2026?

A Meta teve lucro líquido de US$ 9,86 bilhões, ou US$ 3,83 por ação. Sem a despesa de US$ 9,89 bilhões com o acordo sobre saúde mental de adolescentes, o lucro por ação teria sido de US$ 7,40.

Por que o fluxo de caixa livre da Meta ficou negativo?

Porque o investimento em data centers e servidores, de US$ 34,91 bilhões, passou o caixa gerado pela operação, de US$ 32,79 bilhões. A diferença deu US$ 2,12 bilhões negativos, contra uma sobra de US$ 10,6 bilhões um ano antes.

O que é a nova ação classe C da Meta?

É uma ação listada em bolsa, sem direito a voto, que a Meta vai distribuir na proporção de uma para cada ação A ou B. A nova classe passa a valer em 19 de janeiro de 2027, e as datas de corte e de pagamento ainda serão anunciadas.

Fontes: Meta Platforms, resultado do 3º trimestre de 2026 · InfoMoney · Times Brasil · Money Times (dólar)

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

Artigos: 522

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