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A Microsoft lucrou US$ 36,6 bilhões entre julho e setembro de 2026, alta de 32% sobre o mesmo período de 2025, segundo o comunicado de resultados divulgado nesta quarta-feira (28). No mesmo trimestre, a empresa gastou US$ 39,4 bilhões com data centers e equipamentos, o dobro de um ano antes. Com isso, o caixa que sobra depois desse gasto caiu 27%.

Microsoft gasta mais em data center do que lucra
O trimestre é o primeiro do ano fiscal de 2027 da Microsoft, que vai de julho a junho. A receita subiu 19%, para US$ 92,3 bilhões. A estrela foi a nuvem: a receita da Microsoft Cloud chegou a US$ 63,9 bilhões, alta de 30%, e o Azure cresceu 48%, contra 44,3% esperados pelos analistas, segundo o Valor Investe.
O gasto para sustentar esse crescimento aparece no fluxo de caixa. A linha de compras de imóveis e equipamentos, onde entram os servidores e prédios de data center, foi de US$ 39,4 bilhões, contra US$ 19,4 bilhões um ano antes. É mais do que todo o lucro do trimestre. Pelo dólar Ptax de venda desta quarta, R$ 5,342 segundo o Banco Central, são R$ 210 bilhões em três meses, ou R$ 2,3 bilhões por dia.
A parte que cresceu menos foi o PC. A receita de Windows vendido junto com computadores novos caiu 22%, e a de Xbox caiu 2%.
Os números do 1º trimestre fiscal de 2027
| Indicador | Jul–set 2025 | Jul–set 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita | US$ 77,7 bi | US$ 92,3 bi | +19% |
| Lucro líquido | US$ 27,7 bi | US$ 36,6 bi | +32% |
| Geração de caixa das operações | US$ 45,1 bi | US$ 58,0 bi | +29% |
| Data centers e equipamentos (capex) | US$ 19,4 bi | US$ 39,4 bi | +103% |
| Caixa livre (operações menos capex) | US$ 25,7 bi | US$ 18,6 bi | −27% |
De cada US$ 100 que entraram como receita, US$ 43 voltaram para obra e equipamento. Um ano antes, eram US$ 25. O lucro de 32% também tem um asterisco: no critério ajustado, que a própria Microsoft divulga para tirar efeitos que não se repetem, o lucro foi de US$ 36,4 bilhões e cresceu 18%. Os analistas consultados pela FactSet esperavam lucro ajustado de US$ 4,71 por ação, e veio US$ 4,89.
O que o balanço muda no MSFT34, o BDR da Microsoft na B3
Quem compra Microsoft pela bolsa brasileira usa o BDR MSFT34, que acompanha a ação em Nova York convertida pelo dólar. Pelo fechamento oficial da B3, o MSFT34 terminou esta quarta a R$ 122,51, alta de 3,6% no dia. No último pregão de 2025, em 30 de dezembro, valia R$ 110,91. Quem pôs R$ 1.000 ali no fim do ano passado tem hoje R$ 1.104,59, sem contar dividendos.
Em Nova York, a ação fechou o pregão regular estável, a US$ 531,01, e subia entre 2% e 4% no pós-mercado depois do balanço, conforme o horário, segundo o Valor e o Times Brasil. O mercado gostou de ver o Azure acelerar. A conta que fica para quem tem o papel é outra: o caixa livre é o dinheiro de onde saem dividendos e recompras de ações. A Microsoft devolveu US$ 10,2 bilhões aos acionistas no trimestre, mais da metade dos US$ 18,6 bilhões de caixa livre. Se o gasto com data center continuar dobrando e a nuvem não acompanhar, essa folga encolhe.
A corrida pelo dinheiro da inteligência artificial não é só da Microsoft. A Meta vendeu US$ 97,5 bilhões em ações neste mês para bancar a mesma conta, e as ações da Alphabet, dona do Google, despencaram no pós-mercado desta quarta depois de a empresa projetar mais investimento para 2027.
Por que o lucro subiu 32% se o caixa livre caiu 27%?
Porque o gasto com data center não entra inteiro no lucro do trimestre. O servidor comprado hoje é lançado como despesa aos poucos, ao longo de anos de uso, enquanto o dinheiro sai do caixa na hora da compra. Por isso o lucro pode crescer enquanto sobra menos dinheiro no fim do trimestre.
O dólar mexe no MSFT34 mesmo se a ação da Microsoft ficar parada?
Sim. O BDR é cotado em reais, então o preço muda com a ação em Nova York e com o câmbio. Se a ação ficar parada e o dólar cair 5%, o MSFT34 tende a cair perto disso. Quanto desse sobe e desce cabe no seu bolso, o teste do Perfil de Cagaço mede em 2 minutos.



