Petrobras tira 3,51 milhões de barris por dia, recorde; a PETR4 caiu 10,5% em 3 pregões

A Petrobras produziu 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no 3º tri de 2026, recorde, alta de 11,7% em um ano. A PETR4 caiu 10,5% desde a sexta antes do 2º turno.

⏰ 4 min de leitura

A Petrobras (PETR4) produziu em média 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no 3º trimestre de 2026, o maior volume da história da companhia. O número saiu no relatório de produção e vendas divulgado nesta quarta-feira (28) e supera o recorde anterior, de 3,336 milhões, registrado entre abril e junho. No mesmo dia, a ação preferencial fechou a R$ 52,51, 10,5% abaixo da sexta-feira antes do segundo turno.

Gráfico de barras: produção da Petrobras subiu de 3,14 milhões de barris de óleo equivalente por dia no 3º tri de 2025 para 3,51 milhões no 3º tri de 2026
Fonte: Petrobras, relatório de produção e vendas do 3º tri de 2026. O valor de 2025 foi calculado pela alta de 11,7% informada pela empresa.

Búzios e Mero puxam o recorde da Petrobras no 3º tri

A produção cresceu 5,3% sobre o trimestre anterior e 11,7% em um ano. A empresa atribui o salto a três coisas: as plataformas P-78 e P-79 ganhando ritmo no campo de Búzios, o navio-plataforma Alexandre de Gusmão no campo de Mero e menos paradas para manutenção. A eficiência operacional foi a melhor desde o fim de 2018, segundo o relatório.

O Alexandre de Gusmão foi projetado para 180 mil barris por dia e chegou a um pico de 190 mil. Em Búzios, a plataforma Almirante Tamandaré fez média de 263 mil barris por dia em julho, recorde mensal. O pré-sal sozinho respondeu por 2,454 milhões de barris de petróleo por dia, alta de 15,9% em um ano. Já o pós-sal recuou 4,2% no trimestre, com manutenção na Bacia de Campos e campos velhos produzindo menos.

“Estamos produzindo mais e aproveitando melhor o potencial dos nossos ativos”, disse Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção, no relatório.

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Produção, refino e exportação da Petrobras em números

Indicador (média por dia) 3º tri 2026 Variação
Produção total (óleo, LGN e gás) 3,512 milhões de boe +5,3% no trimestre; +11,7% no ano
Petróleo e LGN no Brasil 2,832 milhões de barris +12,4% no ano
Pré-sal 2,454 milhões de barris +15,9% no ano
Diesel produzido nas refinarias 769 mil barris recorde trimestral
Exportação de petróleo e derivados 1,251 milhão de barris +20,7% no ano
Saldo líquido de exportação 918 mil barris −14,6% no trimestre

O ponto fraco está na última linha. As importações mais que dobraram (+114,1%) de um trimestre para o outro, puxadas pela compra de petróleo e pela demanda de diesel e querosene de aviação. A venda de diesel no Brasil subiu 14,4% com o plantio da safra de verão. Mesmo com as refinarias rodando a 99% da capacidade, a empresa precisou comprar fora. É o mesmo diesel que hoje a Petrobras vende abaixo do preço lá de fora por causa do subsídio do governo.

A China também ganhou peso como cliente: passou a levar 40% do petróleo exportado pela estatal, contra 35% no 2º trimestre. A fatia da Índia caiu de 22% para 8%.

PETR4 cai 10,5% em três pregões mesmo com a produção no topo

O recorde chegou numa semana de queda forte na bolsa. A PETR4 fechou a R$ 58,68 na sexta-feira (23), antes do segundo turno, e a R$ 52,51 nesta quarta-feira (28). Quem tinha R$ 10 mil na ação na sexta tem hoje R$ 8.949: perdeu R$ 1.051 em três pregões, sem contar dividendo.

A conta da produção vai no sentido oposto. Os 176 mil barris diários a mais que no 2º trimestre somam 16,2 milhões de barris extras em 92 dias. Isso entra na receita do trimestre, mas a bolsa não está precificando barril: está precificando quem manda na estatal e quanto do caixa vira dividendo ou subsídio no próximo governo. Foi esse medo que fez a Petrobras perder R$ 59 bilhões de valor num único pregão depois da eleição.

Para quem recebe dividendo da PETR4, produção maior é o que sustenta o caixa. O lucro do trimestre e a proposta de proventos ainda não saíram: este relatório traz só volumes, sem preço de venda nem custo.

Produção recorde garante dividendo maior no 3º tri?

Não garante. O dividendo depende do lucro e do caixa livre, e esses números dependem do preço do petróleo, do câmbio e do preço que a Petrobras cobra pelo diesel e pela gasolina aqui dentro. Volume maior ajuda, mas um diesel vendido abaixo da paridade come parte do ganho.

Por que a Petrobras importa mais se produz mais?

Porque produzir petróleo e refinar são coisas diferentes. A estatal exporta boa parte do óleo cru do pré-sal e não tem refinaria suficiente para todo o diesel que o país consome na safra. Com as refinarias a 99%, a diferença veio de fora.

Dados: InfoMoney · Money Times · cotações de fechamento da B3 de 23/10 e 28/10/2026

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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