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O governo federal prorrogou nesta terça-feira (27) por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro ao óleo diesel, que acabaria nesta semana. No mesmo dia, o Goldman Sachs escreveu a clientes que, com a ajuda mantida, a Petrobras (PETR4) deve deixar o preço do diesel parado até o fim do ano, mesmo vendendo o litro R$ 1,87 abaixo do que ele custa para quem traz de fora.

A ajuda de R$ 2,12 ao diesel que ia cair para R$ 1
O subsídio tem duas partes. A primeira, de R$ 1,12 por litro, nasceu de uma medida provisória de maio. A segunda, de R$ 1, entrou em setembro, pela MP 1.391, quando o petróleo voltou a subir com os conflitos no Oriente Médio. Sem a prorrogação, a parcela de maio venceria agora e a ajuda encolheria para R$ 1, segundo o Ministério do Planejamento.
A portaria sai no Diário Oficial e vale por 30 dias, com chance de nova renovação se o mercado de combustíveis lá fora continuar instável. O governo diz que o custo será coberto com receitas extras do próprio petróleo, sem mexer no resultado das contas públicas. O Brent segue acima de US$ 100 o barril, e mais de um quarto do diesel que o Brasil consome vem de fora.
R$ 5,43 contra R$ 7,30: a diferença a cada 1.000 litros
As contas do Goldman mostram o tamanho do buraco que a subvenção tapa. A Petrobras recebe hoje cerca de R$ 5,43 por litro vendido às distribuidoras. Comprar o mesmo litro no exterior e trazer para cá sai por volta de R$ 7,30. É um diesel cerca de 25% mais barato que o de fora.
| Por 1.000 litros de diesel | Valor |
|---|---|
| Recebido pela Petrobras (R$ 5,43/litro) | R$ 5.430 |
| Custo de importar (R$ 7,30/litro) | R$ 7.300 |
| Diferença que fica na mesa | R$ 1.870 |
| Subvenção do governo mantida (R$ 2,12/litro) | R$ 2.120 |
| Subvenção se não fosse renovada (R$ 1/litro) | R$ 1.000 |
A última linha é o que estava em jogo nesta semana. A cada 1.000 litros, produtores e importadores perderiam R$ 1.120 de ajuda de uma vez. Com essa conta, a pressão para reajustar o preço nas refinarias seria imediata.
O importador ainda tem um extra. Além dos R$ 2,12, recebe mais R$ 1,40 por litro até 6 de novembro, ou R$ 3,52 no total. Por isso, segundo o banco, as distribuidoras conseguem diesel importado a preços próximos aos da Petrobras, e a estatal tem pouco espaço para subir sozinha sem perder cliente. “Essa assimetria pode reduzir, embora não eliminar, o escopo para um aumento de preços”, escreveram os analistas.
O que o diesel parado muda na PETR4 e no Tesouro IPCA+
Na sexta-feira (23), antes do segundo turno, o mesmo Goldman via espaço para um aumento de cerca de 20% no diesel da bomba depois da eleição. Com o subsídio renovado, o cenário do banco passou a ser preço parado até dezembro. Para a PETR4, isso tem dois lados. Cada litro vendido R$ 1,87 abaixo da paridade é margem que fica fora do resultado do refino. Por outro lado, o risco de um choque de preço com desgaste político perde força no curto prazo. A ação perdeu R$ 59 bilhões em valor de mercado no pregão de segunda-feira (26).
Para quem tem título atrelado à inflação, o efeito é outro. O Goldman calculava que 20% a mais no diesel da bomba somariam de 0,21 a 0,24 ponto percentual ao IPCA, contando o frete. Com o reajuste adiado, esse empurrão sai do horizonte dos próximos meses. Um Tesouro IPCA+ ou uma NTN-B paga a taxa contratada mais a inflação do período, então inflação mais baixa significa correção menor no valor do título. Dá para simular o efeito no simulador de NTN-B do site.
6 de novembro e fim de novembro: as duas datas do subsídio ao diesel
A primeira data é 6 de novembro, quando acaba o adicional de R$ 1,40 para o diesel importado. Sem ele, o importador passa a receber os mesmos R$ 2,12 que o produtor nacional, e a vantagem que hoje segura a concorrência com a Petrobras diminui. A segunda é o fim dos 30 dias da prorrogação, no fim de novembro, quando o governo terá de decidir de novo se renova a ajuda.
Se o subsídio acabar em dezembro, o diesel sobe na hora?
Não necessariamente na mesma semana, mas a conta fica apertada. Sem os R$ 2,12, a distância entre o preço da Petrobras e o de importação deixaria de ser compensada, e o próprio Goldman já tinha falado em reajuste de cerca de 50% nas refinarias para alcançar o preço internacional.
Quem paga a subvenção, se o governo diz que ela não pesa nas contas?
O dinheiro sai do Tesouro, e o governo afirma que vai compensar com receitas extraordinárias do petróleo. Na prática, parte do que a União arrecada a mais com o petróleo caro volta para segurar o preço do diesel.



