Diesel ganha mais 30 dias de subsídio, e a Petrobras vende o litro R$ 1,87 abaixo do de fora

O governo prorrogou por 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro ao diesel. Com ela, o Goldman Sachs vê o preço da Petrobras (PETR4) parado até o fim do ano, R$ 1,87 abaixo da paridade de importação.

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O governo federal prorrogou nesta terça-feira (27) por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro ao óleo diesel, que acabaria nesta semana. No mesmo dia, o Goldman Sachs escreveu a clientes que, com a ajuda mantida, a Petrobras (PETR4) deve deixar o preço do diesel parado até o fim do ano, mesmo vendendo o litro R$ 1,87 abaixo do que ele custa para quem traz de fora.

Gráfico de barras: a Petrobras recebe R$ 5,43 por litro de diesel, contra paridade de importação de R$ 7,30, diferença de R$ 1,87
Preço do diesel da Petrobras contra a paridade de importação, por litro. Fonte: Goldman Sachs, 27/10/2026, via Reuters.

A ajuda de R$ 2,12 ao diesel que ia cair para R$ 1

O subsídio tem duas partes. A primeira, de R$ 1,12 por litro, nasceu de uma medida provisória de maio. A segunda, de R$ 1, entrou em setembro, pela MP 1.391, quando o petróleo voltou a subir com os conflitos no Oriente Médio. Sem a prorrogação, a parcela de maio venceria agora e a ajuda encolheria para R$ 1, segundo o Ministério do Planejamento.

A portaria sai no Diário Oficial e vale por 30 dias, com chance de nova renovação se o mercado de combustíveis lá fora continuar instável. O governo diz que o custo será coberto com receitas extras do próprio petróleo, sem mexer no resultado das contas públicas. O Brent segue acima de US$ 100 o barril, e mais de um quarto do diesel que o Brasil consome vem de fora.

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R$ 5,43 contra R$ 7,30: a diferença a cada 1.000 litros

As contas do Goldman mostram o tamanho do buraco que a subvenção tapa. A Petrobras recebe hoje cerca de R$ 5,43 por litro vendido às distribuidoras. Comprar o mesmo litro no exterior e trazer para cá sai por volta de R$ 7,30. É um diesel cerca de 25% mais barato que o de fora.

Por 1.000 litros de diesel Valor
Recebido pela Petrobras (R$ 5,43/litro) R$ 5.430
Custo de importar (R$ 7,30/litro) R$ 7.300
Diferença que fica na mesa R$ 1.870
Subvenção do governo mantida (R$ 2,12/litro) R$ 2.120
Subvenção se não fosse renovada (R$ 1/litro) R$ 1.000

A última linha é o que estava em jogo nesta semana. A cada 1.000 litros, produtores e importadores perderiam R$ 1.120 de ajuda de uma vez. Com essa conta, a pressão para reajustar o preço nas refinarias seria imediata.

O importador ainda tem um extra. Além dos R$ 2,12, recebe mais R$ 1,40 por litro até 6 de novembro, ou R$ 3,52 no total. Por isso, segundo o banco, as distribuidoras conseguem diesel importado a preços próximos aos da Petrobras, e a estatal tem pouco espaço para subir sozinha sem perder cliente. “Essa assimetria pode reduzir, embora não eliminar, o escopo para um aumento de preços”, escreveram os analistas.

O que o diesel parado muda na PETR4 e no Tesouro IPCA+

Na sexta-feira (23), antes do segundo turno, o mesmo Goldman via espaço para um aumento de cerca de 20% no diesel da bomba depois da eleição. Com o subsídio renovado, o cenário do banco passou a ser preço parado até dezembro. Para a PETR4, isso tem dois lados. Cada litro vendido R$ 1,87 abaixo da paridade é margem que fica fora do resultado do refino. Por outro lado, o risco de um choque de preço com desgaste político perde força no curto prazo. A ação perdeu R$ 59 bilhões em valor de mercado no pregão de segunda-feira (26).

Para quem tem título atrelado à inflação, o efeito é outro. O Goldman calculava que 20% a mais no diesel da bomba somariam de 0,21 a 0,24 ponto percentual ao IPCA, contando o frete. Com o reajuste adiado, esse empurrão sai do horizonte dos próximos meses. Um Tesouro IPCA+ ou uma NTN-B paga a taxa contratada mais a inflação do período, então inflação mais baixa significa correção menor no valor do título. Dá para simular o efeito no simulador de NTN-B do site.

6 de novembro e fim de novembro: as duas datas do subsídio ao diesel

A primeira data é 6 de novembro, quando acaba o adicional de R$ 1,40 para o diesel importado. Sem ele, o importador passa a receber os mesmos R$ 2,12 que o produtor nacional, e a vantagem que hoje segura a concorrência com a Petrobras diminui. A segunda é o fim dos 30 dias da prorrogação, no fim de novembro, quando o governo terá de decidir de novo se renova a ajuda.

Se o subsídio acabar em dezembro, o diesel sobe na hora?

Não necessariamente na mesma semana, mas a conta fica apertada. Sem os R$ 2,12, a distância entre o preço da Petrobras e o de importação deixaria de ser compensada, e o próprio Goldman já tinha falado em reajuste de cerca de 50% nas refinarias para alcançar o preço internacional.

Quem paga a subvenção, se o governo diz que ela não pesa nas contas?

O dinheiro sai do Tesouro, e o governo afirma que vai compensar com receitas extraordinárias do petróleo. Na prática, parte do que a União arrecada a mais com o petróleo caro volta para segurar o preço do diesel.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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