⏰ 4 min de leitura
O Tesouro Nacional comprou de volta R$ 16,8 bilhões em títulos atrelados à inflação nesta terça-feira (27), no segundo dia útil depois da reeleição de Lula. Somada às duas recompras de segunda (26), a conta chega a R$ 31,6 bilhões em dois dias, segundo o resultado dos leilões do Tesouro. No Tesouro Direto, os prefixados devolveram parte da alta recorde da véspera, mas o IPCA+ 2040 voltou a subir.

A terceira recompra do Tesouro em dois dias
Às 9h22, o Tesouro cancelou o leilão de LFT, o título que acompanha a Selic. Era a última venda de dívida que sobrava na semana: os leilões de prefixados e de IPCA+ já tinham saído da agenda na segunda, como o site mostrou no dia. No lugar, o órgão anunciou a compra de até 4 milhões de NTN-B, 1 milhão por vencimento: 2030, 2035, 2040 e 2045.
Na prática, o governo deixou de vender papel e passou a comprar de quem quer sair. Isso dá um piso para o preço dos títulos num dia em que pouca gente quer ficar com eles. Na segunda, a mesma ferramenta já tinha sido usada duas vezes: de manhã com prefixados (NTN-F) e à tarde com IPCA+.
Enquanto a operação corria, o Tesouro Direto travou de novo. A plataforma abriu com atraso perto das 10h15, voltou a restringir os negócios às 11h20 e só normalizou por volta das 12h, segundo o Valor Investe.
Quanto o Tesouro pagou em cada vencimento de NTN-B
Dois vencimentos tiveram a oferta inteira aceita. Nos outros dois, o Tesouro comprou um pouco menos do que o limite.
| Título (NTN-B) | Quantidade comprada | Taxa | Valor |
|---|---|---|---|
| Vencimento 2030 | 1.000.000 | IPCA + 7,70% | R$ 4,58 bi |
| Vencimento 2035 | 895.750 | IPCA + 7,65% | R$ 3,98 bi |
| Vencimento 2040 | 1.000.000 | IPCA + 7,46% | R$ 4,26 bi |
| Vencimento 2045 | 919.700 | IPCA + 7,29% | R$ 3,97 bi |
A recompra desta terça, sozinha, passou as duas de segunda juntas, que somaram R$ 14,8 bilhões (R$ 7,1 bi em prefixados e R$ 7,7 bi em IPCA+). O dinheiro sai do caixa do Tesouro e volta para bancos e fundos, que trocam um título que estava perdendo valor por reais na conta, com liquidação na quarta (28).
Prefixado 2032 recupera R$ 1.019 e o IPCA+ 2040 perde mais 1,6%
Por volta das 12h15, o Tesouro Prefixado 2032 pagava 15,01% ao ano, contra 15,50% no fechamento de segunda, de acordo com o InfoMoney. O Prefixado 2029 foi de 15,26% para 14,79%. Os dois seguem longe de sexta (23), quando pagavam 12,89% e 12,76%.
Em reais, a conta do site para quem colocou R$ 50 mil no Prefixado 2032 na sexta: o saldo caiu para cerca de R$ 44.234 com a taxa de segunda e voltou a uns R$ 45.253 com a taxa desta terça. A volta foi de R$ 1.019, menos de um quinto dos R$ 5.766 que tinham sumido.
No IPCA+ a direção foi a oposta na ponta longa. O 2040 subiu de IPCA + 7,29% para IPCA + 7,41%. Para um título que vence em quase 14 anos, esse 0,12 ponto pesa: R$ 50 mil aplicados no fechamento de segunda viraram cerca de R$ 49.208, uma perda de R$ 792 em meio pregão. O IPCA+ 2032, mais curto, foi na contramão e caiu de 7,80% para 7,64%.
Isso só vira prejuízo para quem vender antes do vencimento. Quem segurar até o fim recebe a taxa contratada no dia da compra. Dá para ver o efeito em cada prazo no simulador de NTN-B do site. O Tesouro Selic, que paga a Selic de 13,75% ao ano em outubro de 2026, segundo o Banco Central, quase não se mexe nesses dias.
Fed na quarta (28) e o sinal fiscal que o mercado espera
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta manhã ter reafirmado a Lula a necessidade de dar um sinal ao mercado e afirmou que o governo tem medidas fiscais prontas. Sem esse anúncio, os prazos longos do IPCA+ seguem pedindo prêmio alto. Na quarta (28), o Federal Reserve decide os juros dos Estados Unidos, e na quinta (29) sai o PCE, a inflação americana que o Fed acompanha, segundo o InvestNews.
Por que o prefixado caiu e o IPCA+ 2040 subiu no mesmo dia?
O prefixado carrega juro e inflação juntos, e a correção desta terça veio pela parte do juro de curto e médio prazo, onde o DI futuro recuou. O IPCA+ longo paga um prêmio acima da inflação por 14 a 24 anos, e é esse prêmio que mede a dúvida sobre as contas públicas. Sem medida fiscal anunciada, ele não cedeu.
A recompra do Tesouro garante o preço do título de quem tem no Tesouro Direto?
Não. A recompra é feita com bancos e fundos, no mercado, e serve para a taxa não disparar por falta de comprador. O Tesouro Direto tem a própria recompra diária pelo preço de tela, que continua subindo e descendo com o mercado. O que a operação faz é tirar parte do vendedor desesperado da frente.


