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O Tesouro Nacional cancelou nesta segunda-feira (26) os leilões de títulos prefixados e corrigidos pela inflação marcados para esta semana, no primeiro dia útil depois da reeleição de Lula. No mesmo pregão, a taxa do DI futuro para janeiro de 2035 saltou de 12,68% para 15,375% ao ano por volta das 10h. Para um título prefixado com esse vencimento, isso equivale a perder cerca de 17% do valor numa manhã.

Tesouro tira da vitrine o prefixado e o IPCA+ até quinta
Saíram da agenda o leilão de NTN-B, os papéis atrelados ao IPCA, que seria na terça (27), e o de LTN e NTN-F, os prefixados, que seria na quinta (29). Ficou mantido só o leilão de LFT, o título que acompanha a Selic, na terça.
Esses leilões são o canal pelo qual o governo vende dívida aos bancos. Com a taxa disparando, vender prefixado hoje seria travar juro alto por anos. O Tesouro preferiu esperar. Em nota, o órgão disse que “continuará monitorando as condições de mercado”.
O cancelamento não fecha o Tesouro Direto, onde a pessoa física compra os mesmos papéis. Mas a plataforma atrasou a abertura em cerca de uma hora nesta manhã, como já tinha feito depois do 1º turno, quando só abriu às 11h28.
DI de 2029 e de 2035 sobem mais de 2,4 pontos numa manhã
A alta se concentrou nos prazos longos. O contrato que vence daqui a dois meses quase não saiu do lugar. Os de três e nove anos subiram como se o mercado tivesse apagado de uma vez o otimismo das últimas três semanas.
| DI futuro | Sexta (23/10) | Segunda (26/10), ~10h | Alta |
|---|---|---|---|
| Janeiro de 2027 | 13,475% | 13,898% | +0,42 ponto |
| Janeiro de 2029 | 12,595% | 15,030% | +2,44 pontos |
| Janeiro de 2035 | 12,680% | 15,375% | +2,70 pontos |
A B3 precisou mexer duas vezes nos limites de oscilação do dia. Às 9h23, o DI de janeiro de 2031 já tinha batido o teto de 14,46%, e os contratos voltaram a leilão com os novos limites, segundo o InfoMoney. Com isso, a curva deixou de apostar em qualquer corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano pelo Banco Central.
É a devolução do rali do 1º turno. Entre 2 e 23 de outubro, o Tesouro Prefixado 2032 tinha caído de 14,15% para 12,89% ao ano, e o IPCA+ 2050 de 7,06% para 6,42% acima da inflação. O mercado tinha colocado no preço a vitória de Flávio Bolsonaro. Hoje tira.
Quanto vale hoje R$ 10 mil em Tesouro Prefixado, IPCA+ e Selic
Título prefixado sobe de preço quando o juro cai e perde quando o juro sobe. Quanto mais longe o vencimento, maior o tranco. A conta do site, com as taxas do DI acima aplicadas a um prefixado sem cupom de mesmo vencimento:
- Vencimento em janeiro de 2029: R$ 10 mil viram cerca de R$ 9.550. São R$ 450 a menos, mais ou menos o que esse dinheiro renderia em quatro meses de CDI.
- Vencimento em janeiro de 2035: R$ 10 mil viram cerca de R$ 8.250. A perda de R$ 1.750 come mais de um ano de rendimento.
- Tesouro Selic: praticamente nada muda, porque o título acompanha a taxa do dia. Por isso foi o único leilão mantido.
No IPCA+ 2050 o efeito é mais forte, porque o prazo é maior. Pelas contas do InfoMoney, cada 1 ponto a mais na taxa tira cerca de 20% do preço desse título.
A perda só vira prejuízo de fato para quem vende antes do vencimento. Quem segura o papel até o fim recebe a taxa que contratou na compra. Para comparar o que um prefixado paga contra o CDI e a LCI, a calculadora de renda fixa do site faz a conta com a taxa nova. Em 23 de outubro, o site mostrou que R$ 534 no Prefixado 2032 viravam R$ 1.000 no vencimento; com a taxa mais alta, o mesmo R$ 1.000 sai mais barato para quem compra agora.
Copom de 4 de novembro e a escolha do ministro da Fazenda
O próximo teste para os juros é a reunião do Copom de 4 de novembro, dez dias depois da eleição. Antes dela, o mercado espera o nome do ministro da Fazenda e a meta de resultado das contas públicas para 2027. O Tesouro não marcou data para retomar os leilões de prefixado e IPCA+. Na bolsa, a queda da manhã já tinha disparado o circuit breaker no Ibovespa.
Quem já tem Tesouro Prefixado precisa fazer alguma coisa hoje?
Não há prazo vencendo. A queda aparece no extrato porque o título é recalculado todo dia pelo preço de mercado. Quem pretende ficar até o vencimento continua com a taxa contratada; quem precisa do dinheiro antes é que sente a perda.
Por que o juro de 2035 subiu seis vezes mais que o de 2027?
O contrato de 2027 vence em pouco mais de dois meses e depende quase só da Selic atual. O de 2035 carrega o risco das contas públicas pelos próximos dois mandatos, e é esse risco que o mercado reprecificou nesta segunda.
Dados: Money Times · InfoMoney



