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A ação preferencial da Braskem (BRKM5) subiu 16,35% nesta terça-feira (27), um dia depois de cair 23,6%. No meio do sobe e desce está a conta que os credores apresentaram para fechar a reestruturação da dívida: um aporte de US$ 1,85 bilhão dos acionistas, cerca de R$ 9,87 bilhões. É quase quatro vezes o que a empresa inteira valia na bolsa no fechamento de segunda-feira (26), R$ 2,56 bilhões.
O aporte de US$ 1,85 bi que separa a Braskem dos credores
A Braskem pediu recuperação extrajudicial em agosto para renegociar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras, perto de R$ 58 bilhões. O prazo para um acordo sobre os termos principais venceu em 9 de outubro e foi esticado. No sábado (24), a petroquímica informou em fato relevante que nenhuma proposta foi aceita, e a nova data passou a ser sexta-feira (30).
As duas pontas já não estão tão longe. Na sexta (23), a Braskem ofereceu um aporte de até US$ 1,7 bilhão, pago em parcelas. O comitê de credores respondeu pedindo US$ 1,85 bilhão de uma vez, segundo a Exame. No começo da negociação, os mesmos credores pediam entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões (os números variam conforme a fonte), valor que Petrobras e IG4, os dois maiores acionistas, recusaram.
O pedido não para no dinheiro novo. Os credores querem trocar outros US$ 1,85 bilhão de dívida por ações quando o acordo for fechado, o que, somado ao aporte, cortaria a dívida líquida em pelo menos US$ 3,7 bilhões. Se a alavancagem passar de quatro vezes o Ebitda, mais US$ 500 milhões viram ações até junho de 2029. O grupo também quer poder vetar investimentos grandes, como a expansão da fábrica de Duque de Caxias (RJ).
Braskem na bolsa contra o tamanho do aporte
A tabela usa o dólar PTAX de R$ 5,3346 desta terça, do Banco Central, e os fechamentos oficiais da B3 de segunda. O valor de mercado soma as cerca de 452 milhões de ações ordinárias (BRKM3, a R$ 3,23) e 345 milhões de preferenciais classe A (BRKM5, a R$ 3,18).
| Item | Em dólar | Em reais |
|---|---|---|
| Aporte oferecido pela Braskem (23/10) | até US$ 1,7 bi | R$ 9,07 bi |
| Aporte pedido pelos credores | US$ 1,85 bi | R$ 9,87 bi |
| Dívida convertida em ações no fechamento | US$ 1,85 bi | R$ 9,87 bi |
| Corte mínimo na dívida líquida | US$ 3,7 bi | R$ 19,74 bi |
| Valor da Braskem na bolsa (26/10) | — | R$ 2,56 bi |
A diferença entre as duas propostas é de US$ 150 milhões, perto de R$ 800 milhões. Parece pouco perto da dívida, mas equivale a quase um terço do valor de mercado da companhia.
O que o aporte bilionário faz com quem tem BRKM5
Um lote de 1.000 ações BRKM5 valia R$ 4.160 no fechamento de sexta (23). Na segunda, depois do fato relevante, caiu para R$ 3.180. Com a alta de 16,35% desta terça, apurada pelo InfoMoney, voltou para cerca de R$ 3.700. A alta de um dia devolveu pouco mais da metade do tombo, e o lote ainda está R$ 460 abaixo de sexta.
O ponto mais importante para o acionista não é o vaivém do preço, e sim a régua do acordo. Um aporte quase quatro vezes maior que a empresa na bolsa, mais quase R$ 10 bilhões de dívida virando ação, quer dizer que muitas ações novas vão aparecer. O preço dessas ações ainda não foi definido. Quanto mais baixo ele sair, menor fica a fatia de quem já tem BRKM5 e não colocar dinheiro novo. Em outubro, a proposta anterior da empresa previa vender as ações novas com 20% de desconto sobre o preço de mercado, segundo o Times Brasil.
Na semana passada, três fundos já tinham ido à Justiça americana contra o braço financeiro da empresa, como o site mostrou no texto sobre o pedido de Chapter 11 das Notas 2041. Quem pensa em entrar numa ação com esse grau de incerteza pode medir antes, no teste de perfil do site, quanta queda aguenta ver na tela sem vender.
Os prazos da Braskem até 22 de novembro
A primeira data é sexta-feira (30), quando vence o prazo para Braskem, acionistas e credores acertarem as condições principais. Nas conversas, 8 de novembro aparece como a data desejada para deixar os termos prontos. O limite legal é 22 de novembro, quando terminam os 90 dias do processo de recuperação extrajudicial aberto em agosto.
Se o acordo sair, a ação de quem não colocar dinheiro novo perde fatia da empresa?
Na conta proposta, sim. A entrada de dinheiro dos acionistas e a troca de dívida por ações aumentam o número total de papéis. Quem não participar do aumento de capital fica com uma fatia menor, e o tamanho da perda depende do preço das ações novas, que ainda está em negociação.
Por que a Petrobras não resolve sozinha?
A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse em setembro que a Petrobras não vai aportar sem os demais acionistas nem aumentar a participação na Braskem. A Petrobras tem 47% do capital votante, e o fundo Shine I, assessorado pela IG4, ficou com 50,11% depois da OPA de outubro.


