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Os dez brasileiros que aparecem entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam juntos US$ 14 bilhões, cerca de R$ 75,6 bilhões, na segunda-feira (26), o pregão em que o Ibovespa caiu 13,88% depois da reeleição de Lula. Foi a maior perda diária do grupo desde 2012, quando começa o Índice de Bilionários da Bloomberg, segundo o g1. O maior tombo individual foi o de André Esteves, sócio sênior do banco dono das units BPAC11: US$ 3,7 bilhões.
A régua da Bloomberg é o dólar, e isso pesa. Quem tinha R$ 10 mil na unit BPAC11 na sexta-feira (23) terminou a segunda com R$ 7.517. Convertido pela PTAX, o mesmo dinheiro caiu de US$ 1.985 para US$ 1.367, uma perda de 31,2%.

Os R$ 75,6 bilhões que as maiores fortunas do país perderam em um pregão
A segunda-feira começou com o circuit breaker da B3, acionado quando o Ibovespa passou de 10% de queda nos primeiros minutos. O índice fechou com perda de 13,88%. Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%) lideraram as quedas, mas foram os bancos que mais mexeram nas grandes fortunas, porque é neles que está o dinheiro de boa parte dos bilionários brasileiros.
Ao mesmo tempo, o dólar subiu. A PTAX, taxa de referência do Banco Central, passou de R$ 5,0377 na sexta para R$ 5,5007 na segunda, alta de 9,2% (série 1 do BCB). Uma fortuna feita de ações brasileiras e medida em dólar leva os dois golpes no mesmo dia: a ação cai e cada real passa a valer menos.
Esteves, Vélez e os Moreira Salles: quem perdeu quanto
Esteves perdeu US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões), perto de 24% do que tinha, e ficou com uma fortuna estimada em US$ 12 bilhões. David Vélez, fundador do Nubank, perdeu US$ 2,3 bilhões. Os irmãos Pedro e Fernando Moreira Salles, acionistas do Itaú, perderam juntos US$ 3 bilhões.
Somados, esses quatro nomes ligados a bancos perderam cerca de 16% do patrimônio num dia, e a fortuna conjunta caiu para US$ 45,6 bilhões. Os outros dois irmãos Moreira Salles, João e Walter, venderam suas ações do Itaú em 2022 e têm dinheiro em mineração e na Alpargatas, dona das Havaianas. Mesmo assim, perderam US$ 1,2 bilhão.
BPAC11, ITUB4, ROXO34 e ALPA4: o tombo de cada ação no pregão de 26/10
Os preços abaixo são os fechamentos oficiais da B3. A última coluna mostra o que sobrou de R$ 10 mil aplicados no fechamento de sexta, e quanto esse valor dá em dólar pela PTAX de segunda.
| Ação | Sexta (23/10) | Segunda (26/10) | Queda em reais | Queda em dólar | R$ 10 mil viraram |
|---|---|---|---|---|---|
| BPAC11 | R$ 79,82 | R$ 60,00 | -24,8% | -31,2% | R$ 7.517 (US$ 1.367) |
| ALPA4 (Alpargatas) | R$ 16,94 | R$ 13,30 | -21,5% | -28,1% | R$ 7.851 (US$ 1.427) |
| ITUB4 (Itaú) | R$ 48,30 | R$ 41,70 | -13,7% | -20,9% | R$ 8.634 (US$ 1.570) |
| ROXO34 (Nubank, BDR) | R$ 12,73 | R$ 11,35 | -10,8% | -18,3% | R$ 8.916 (US$ 1.621) |
Na sexta, R$ 10 mil compravam US$ 1.985. Em todas as quatro ações, a perda em dólar ficou de 6 a 8 pontos percentuais acima da perda em reais. Os outros bancos grandes caíram mais que o Itaú: BBAS3 perdeu 29,3% e BBDC4, 21,7%, como mostramos na análise das ações de bancos depois da reeleição.
O que a conta em dólar muda para quem tem BPAC11 ou ITUB4
Para quem investe em reais e gasta em reais, a perda que vale é a da primeira coluna: R$ 10 mil em BPAC11 viraram R$ 7.517, e não há câmbio no meio. A conta em dólar só entra para quem tem compromisso na moeda americana, como viagem, escola fora ou dívida em dólar. Esse investidor viu o mesmo dinheiro comprar US$ 618 a menos de uma sexta para uma segunda.
É por isso que a perda dos bilionários parece maior do que a da bolsa. Pela conta da Bloomberg, a fortuna de Esteves caiu 24%, enquanto a BPAC11 perdeu 24,8% em reais e 31,2% em dólar. Na terça-feira (27), o dólar devolveu parte da alta e a PTAX fechou a R$ 5,3346, o que já melhora a conversão para quem mede em dólar, mesmo sem a ação subir. Quem quer saber quanto de oscilação aguenta antes de decidir onde fica o dinheiro pode fazer o teste de perfil do site, que leva poucos minutos.
Por que a Bloomberg mede a perda dos brasileiros em dólar?
O índice compara fortunas do mundo inteiro e por isso usa uma moeda só. Quando o real se desvaloriza no mesmo dia em que a bolsa cai, a perda calculada em dólar sai maior do que a perda de quem conta o patrimônio em reais.
O pequeno investidor que tinha BPAC11 perdeu a mesma proporção que André Esteves?
Na ação, sim: cada unit caiu 24,8% em reais para todo mundo que a segurava. A diferença é o resto da carteira. A fortuna de Esteves, pela estimativa da Bloomberg, caiu menos que a unit medida em dólar (24% contra 31,2%), e uma carteira com renda fixa ou ativos no exterior também teria caído menos que a ação sozinha.


