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As ações dos grandes bancos brasileiros fecharam a segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição de Lula, com perdas de 4,5% a 29,3%. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,33%, a R$ 17,47, o BTG Pactual (BPAC11) 24,83% e o Bradesco (BBDC4) 21,7%, segundo o fechamento oficial da B3. Com a queda, todos os cinco terminaram o dia abaixo do preço de 2 de outubro, a sexta-feira antes do 1º turno.
O dia em que o rali do 1º turno virou prejuízo nos bancos
Entre o 1º e o 2º turno, a bolsa se posicionou para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). O BTG subiu 20,9% entre 2 e 23 de outubro, o Itaú 7,7% e o Bradesco 5,9%. Na segunda, o mercado desfez a aposta numa sessão só: o BTG apagou o ganho do mês inteiro e ainda fechou 9,1% abaixo do preço de 2 de outubro.
O Banco do Brasil é o caso mais pesado. Tinha subido só 4,2% no período, e mesmo assim caiu quase 30% num dia. Segundo o Valor Investe, o banco perdeu R$ 41,6 bilhões em valor de mercado e foi a ação mais negociada da sessão. Analistas ouvidos pelo portal lembram que o BB já carregava o peso da inadimplência no crédito rural antes da eleição, e que estatal costuma ser a primeira a sentir a troca de expectativa política.
O fundo do poço foi ainda mais fundo durante o pregão. Na mínima do dia, o BTG chegou a R$ 48,93, queda de 38,7% sobre sexta. Quem vendeu nesse momento levou para casa R$ 6.130 a cada R$ 10 mil que tinha na sexta. No fechamento, a mesma posição valia R$ 7.517.
Quanto valiam R$ 10 mil em cada banco no fechamento
| Ação | Sexta (23) | Segunda (26) | Variação | R$ 10 mil viraram | Contra 2/10 |
|---|---|---|---|---|---|
| Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 24,72 | R$ 17,47 | -29,33% | R$ 7.067 | -26,4% |
| BTG Pactual (BPAC11) | R$ 79,82 | R$ 60,00 | -24,83% | R$ 7.517 | -9,1% |
| Bradesco (BBDC4) | R$ 20,37 | R$ 15,95 | -21,70% | R$ 7.830 | -17,1% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 48,30 | R$ 41,70 | -13,66% | R$ 8.634 | -7,0% |
| Santander Brasil (SANB11) | R$ 27,53 | R$ 26,30 | -4,47% | R$ 9.553 | -6,4% |
| B3 (B3SA3) | R$ 23,65 | R$ 15,07 | -36,28% | R$ 6.372 | -20,7% |
A B3, dona da própria bolsa, entrou na tabela porque apanhou mais que qualquer banco. Um analista ouvido pelo Times Brasil já listava empresas ligadas ao mercado de capitais, como BTG e B3, entre as mais sensíveis ao cenário econômico. Na mínima, a ação chegou a valer metade do preço de sexta. O Santander caiu pouco porque já vinha de baixo: foi o único dos cinco bancos que recuou entre os dois turnos.
Por que o juro futuro pesou em BBAS3, BPAC11 e BBDC4
Banco vive de emprestar, e o custo desse dinheiro subiu de uma vez. O DI para janeiro de 2031 fechou em 15,185% ao ano, 2,54 pontos acima da sexta, segundo o Money Times. Juro mais alto por mais tempo encarece o crédito, esfria a procura por empréstimo e aumenta o risco de calote, que é exatamente onde o Banco do Brasil já estava machucado.
A curva também mudou a conta da Selic, em 13,75% ao ano em 26 de outubro de 2026 (BCB). Na sexta, o mercado dava quase como certo um corte de 0,25 ponto no Copom da próxima semana. Na segunda, chegou a embutir alta. Um relatório de banco de investimento citado pelo Times Brasil, apontou o Itaú como o grande banco mais preparado para juro alto, o que bate com a queda menor do ITUB4.
Para quem tem esses papéis pelo dividendo, o efeito imediato é no preço, não no pagamento: o dinheiro distribuído sai do lucro, e o lucro do trimestre já foi feito. O que muda é quanto vale a fatia da carteira que gera essa renda. Quem tinha R$ 10 mil em BB e R$ 10 mil em Itaú viu a diferença entre os dois chegar a R$ 1.567 em um dia. O índice como um todo está no nosso texto sobre o fechamento do Ibovespa, e o que aconteceu com o Tesouro está em Tesouro cancela leilões. Para saber quanto oscilação dessas cabe no seu bolso, dá para fazer o quiz Perfil de Cagaço.
Por que o Santander caiu tão menos que o Bradesco?
Porque a aposta no 1º turno não passou por ele. Enquanto o Bradesco subiu 5,9% entre 2 e 23 de outubro, o Santander caiu 2%. Com menos rali para devolver, a queda de segunda foi de 4,5%, e a perda desde 2 de outubro ficou parecida com a do Itaú.
O BB perdeu mais de um quarto do valor em um dia. O dividendo dele acaba?
Não automaticamente. O pagamento depende do lucro e da fatia que o banco decide distribuir, e nenhum dos dois mudou na segunda. O risco que o mercado colocou no preço é o de o lucro cair com a inadimplência e o juro mais alto, ou de o controlador mexer na política de distribuição, e isso só aparece nos próximos balanços.
Dados: B3, cotações históricas (COTAHIST) de 02/10, 23/10 e 26/10/2026



