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A Movida (MOVI3) lucrou R$ 152 milhões no terceiro trimestre de 2026, 117% a mais que um ano antes, segundo o balanço divulgado na noite desta terça-feira (27). O número repete a prévia que a locadora já tinha soltado no começo do mês. O resultado chega dois pregões depois de a ação perder mais da metade do valor na queda da bolsa que se seguiu à eleição.
Como a Movida dobrou o lucro alugando mais e vendendo menos carro usado
A receita líquida subiu só 2,8%, para R$ 3,87 bilhões. O que puxou o lucro foi o aluguel: a diária média do aluguel de carros para pessoa física (o RAC) passou de R$ 159 para R$ 167, e o volume de diárias cresceu 22%, de acordo com os números publicados pelo InfoMoney e pelo Times Brasil. Em 12 meses, a empresa ganhou 767 mil clientes novos.
Na outra ponta, a Movida vendeu 20.051 carros usados no trimestre, 18,1% a menos, e a receita com seminovos caiu 16,2%, para R$ 1,47 bilhão. Segurar o carro na frota por mais tempo faz sentido num mercado em que os chineses derrubaram o preço do usado. O presidente da empresa, Gustavo Moscatelli, disse à Broadcast que 90% da frota vale menos de R$ 90 mil, faixa em que, segundo ele, o carro chinês ainda não compete.
Outra mudança foi trazer a manutenção para dentro de casa. A Movida tem hoje 11 oficinas rápidas em shoppings e supermercados e quer passar de 50 no ano que vem.
Lucro, Ebitda e dívida da Movida no 3º trimestre
| Indicador | 3º tri 2025 | 3º tri 2026 |
|---|---|---|
| Lucro líquido | cerca de R$ 70 milhões | R$ 152 milhões (+117%) |
| Ebitda consolidado | cerca de R$ 1,48 bilhão | R$ 1,795 bilhão (+21,4%) |
| Margem Ebitda do aluguel | 72,6% | 74,2% |
| Dívida líquida | R$ 15,5 bilhões | R$ 17,5 bilhões |
| Dívida líquida / Ebitda | 2,74 vezes | 2,56 vezes |
| Custo médio da dívida | CDI + 1,9% ao ano | CDI + 1,8% ao ano |
Os valores de 2025 para lucro e Ebitda foram calculados a partir das variações informadas no balanço. A dívida cresceu R$ 2 bilhões em um ano, mas o Ebitda cresceu mais rápido, e por isso a alavancagem caiu. O prazo médio de pagamento também subiu de 3,2 para 4,2 anos.
Por que o lucro da MOVI3 cabe seis vezes na conta de juros
O resultado financeiro, que na Movida é basicamente o custo da dívida, somou R$ 900 milhões no trimestre, 13,3% a mais que um ano antes. É quase seis vezes o lucro de R$ 152 milhões: para cada R$ 1 que sobrou para o acionista, R$ 5,90 foram para quem emprestou dinheiro à empresa.
É por isso que a ação da locadora reage tanto aos juros. Com a dívida corrigida pelo CDI, cada 1 ponto percentual a mais na taxa custaria cerca de R$ 175 milhões por ano, se os R$ 17,5 bilhões estivessem todos atrelados ao CDI e sem proteção. Essa conta é uma simplificação, mas o tamanho assusta: é mais do que todo o lucro do terceiro trimestre. A Selic estava em 13,75% ao ano em 27 de outubro de 2026, e os juros futuros subiram depois da eleição. Quem quer ver quanto o CDI rende do lado de quem empresta pode usar a calculadora de renda fixa do site.
O que o tombo pós-eleição fez com quem tem MOVI3
Pelos fechamentos oficiais das cotações históricas da B3, a MOVI3 saiu de R$ 10,10 em 1º de outubro para R$ 18,67 na sexta-feira (23), uma alta de 85% durante a campanha. Na segunda-feira (26), primeiro pregão depois do segundo turno, fechou a R$ 7,75, queda de 58,5% num dia. Nesta terça, antes do balanço, terminou a R$ 7,88.
Quem tinha R$ 10 mil em MOVI3 no fechamento de sexta tem hoje R$ 4.221. Em relação ao último pregão de 2025 (R$ 9,76), a ação acumula queda de 19,3% no ano, mesmo com o lucro mais que dobrando.
Com 425,1 milhões de ações (dado do Fundamentus), a Movida vale R$ 3,35 bilhões na bolsa ao preço desta terça. A dívida líquida de R$ 17,5 bilhões é 5,2 vezes esse valor. Com o valor das ações tão pequeno perto do que a empresa deve, uma mudança pequena no custo da dívida mexe muito no que sobra para o acionista. A Movida é controlada pela Simpar, que também convive com dívida alta e já vendeu um porto para fazer caixa.
O lucro de R$ 152 milhões muda o preço justo da ação?
O número já era conhecido desde a prévia do começo do mês, então não é surpresa para o mercado. O que pesa no preço agora é a trajetória dos juros, porque a despesa financeira é seis vezes o lucro.
Por que a Movida vende menos carros usados se isso derruba a receita?
Porque o carro rende mais alugado do que vendido num momento em que o preço do seminovo caiu com a chegada dos chineses. A empresa casa a venda com a época de maior aluguel para tirar mais dinheiro de cada carro antes de revender.


