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A ação da Magazine Luiza (MGLU3) subiu 7,7% nesta terça-feira (27) e fechou a R$ 5,71, um dia depois de perder 58,2% no primeiro pregão após a reeleição de Lula. A alta parece grande, mas recompõe pouco: quem tinha R$ 10 mil no papel na sexta-feira (23) ficou com R$ 4.177 na segunda e chega ao fim desta terça com R$ 4.500. Para voltar aos R$ 12,69 de sexta, a ação precisa subir mais 122%.

Magalu, Hapvida e Tenda puxam o repique depois do tombo de segunda
O Ibovespa fechou esta terça em queda preliminar de 0,44%, aos 175.831 pontos, segundo o acompanhamento do InfoMoney. Por baixo do índice parado, as ações que mais apanharam na segunda tiveram o dia de alívio. A Tenda liderou as altas do índice durante a tarde, seguida por Ecorodovias e Intelbras. Hapvida, Direcional e Magalu também estavam entre os destaques.
O ponto comum é o juro. Varejo, plano de saúde e construtora vendem a prazo ou dependem de crédito barato para o cliente comprar. Na segunda, a curva de juros futuros disparou e essas ações foram as que mais caíram. Nesta terça, o dólar caiu 0,97%, a R$ 5,35, os juros futuros recuaram depois de nova recompra de títulos pelo Tesouro, e parte do dinheiro voltou.
A volta foi desigual. Cyrela e MRV, que tinham caído mais de 40% na segunda, terminaram o dia em queda de novo. Os grandes bancos também recuaram.
O preço de MGLU3, HAPV3 e das construtoras em três pregões
| Ação | Sexta (23/10) | Segunda (26/10) | Terça (27/10) | Terça no dia | Falta para voltar a sexta |
|---|---|---|---|---|---|
| Magazine Luiza (MGLU3) | R$ 12,69 | R$ 5,30 | R$ 5,71 | +7,7% | +122% |
| Hapvida (HAPV3) | R$ 8,83 | R$ 3,98 | R$ 4,19 | +5,3% | +111% |
| Cyrela (CYRE3) | R$ 35,57 | R$ 19,63 | R$ 19,22 | -2,1% | +85% |
| MRV (MRVE3) | R$ 8,23 | R$ 4,73 | R$ 4,50 | -4,9% | +83% |
| Direcional (DIRR3) | R$ 11,56 | R$ 8,78 | R$ 9,19 | +4,7% | +26% |
| Tenda (TEND3) | R$ 28,36 | R$ 20,88 | R$ 22,83 | +9,3% | +24% |
Sexta e segunda são fechamentos oficiais da B3 (arquivo COTAHIST). Terça é o fechamento do pregão informado pelo Yahoo Finance, ainda sem o arquivo oficial da B3, que sai à noite.
A Tenda é o caso oposto ao da Magalu. Caiu 26% na segunda, subiu 9,3% nesta terça e já está a 24% do preço de sexta. Quem tinha R$ 10 mil em TEND3 viu o valor ir a R$ 7.362 e voltar a R$ 8.050. Na Magalu, os mesmos R$ 10 mil foram a R$ 4.177 e só chegaram a R$ 4.500.
Por que 7,7% de alta em MGLU3 não desfazem 58% de queda
A porcentagem de alta é calculada sobre um preço menor. Quando uma ação perde 58%, sobra 42% do valor. Subir 7,7% em cima desses 42% devolve cerca de 3 pontos do que se perdeu. Para recuperar tudo, a alta tem que ser de 122%, ou seja, a ação tem que mais que dobrar.
É a mesma conta para qualquer ativo: queda de 20% pede alta de 25% para empatar; queda de 50% pede 100%; queda de 58% pede 138% a partir do fundo. Por isso, um dia de repique forte depois de um tombo desse tamanho mexe pouco no extrato de quem ficou no papel. Na Hapvida, que fechou a R$ 4,19, faltam 111%.
A régua também vale para quem compara com renda fixa. No mesmo período, R$ 10 mil aplicados no CDI não perderiam nada e renderiam alguns reais por dia útil. Quem quer ver quanto um valor rende parado em CDB, LCI ou Tesouro pode simular na calculadora de renda fixa do site. A queda de segunda nas outras ações está detalhada no fechamento do Ibovespa de 26/10 e no texto sobre as exportadoras que subiram com o dólar.
Fed e juros futuros nesta quarta (28) definem o próximo pregão
O Federal Reserve divulga a decisão de juros dos Estados Unidos nesta quarta-feira (28). Por aqui, o Tesouro já fez três intervenções em dois dias para segurar as taxas dos títulos longos. Para varejo e construtoras, o que pesa é a curva de juros: se as taxas futuras continuarem caindo, o repique tem espaço; se voltarem a subir, essas ações costumam ser as primeiras a sentir.
Se a Magalu subir 7,7% todo dia, quanto tempo leva para voltar ao preço de sexta?
Seriam 11 pregões seguidos de alta de 7,7%, já que os ganhos se acumulam (1,077 elevado a 11 dá 2,26). Na segunda, bastou um pregão para a ação perder mais da metade do valor.
Por que Cyrela e MRV caíram de novo se o juro futuro recuou?
Recuo de um dia não muda a conta do financiamento imobiliário, que depende do juro de vários anos. As duas tinham caído mais de 40% na segunda, e as fontes consultadas não trouxeram um motivo específico para a nova queda.



