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A Motiva, dona de concessões de rodovias e trilhos que até 2025 se chamava CCR, fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de cerca de R$ 3,45 bilhões, alta de 142,9% sobre um ano antes, segundo os números do balanço compilados pelo TradeMap. Desse total, R$ 2,72 bilhões vieram de uma vez só: a venda dos 20 aeroportos do grupo. Sem esse ganho, o lucro ajustado ficou em R$ 750 milhões, 9,8% acima do terceiro trimestre de 2025, de acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira (28).
Venda dos aeroportos responde por 79% do lucro da Motiva
A venda da plataforma de aeroportos foi concluída em setembro por R$ 12,21 bilhões, depois de ajustes monetários sobre o valor de R$ 11,5 bilhões anunciado em novembro do ano passado. O ganho com o negócio entrou inteiro no resultado do trimestre e explica por que o lucro contábil mais que dobrou.
A conta muda a leitura do número. De cada R$ 100 de lucro que a Motiva registrou entre julho e setembro, R$ 79 vieram de um ativo que a empresa não tem mais. Esse dinheiro não volta no próximo trimestre. O que se repete é o lucro das rodovias e dos trilhos, e é por isso que o mercado olha para o ajustado de R$ 750 milhões.
Esse ajustado veio acima do que os analistas esperavam: a média das projeções compiladas pela LSEG era de R$ 627 milhões, segundo a InfoMoney/Reuters. A receita, por outro lado, ficou abaixo: R$ 3,8 bilhões contra R$ 4,44 bilhões previstos.
Os números do 3º trimestre de 2026
| Indicador | 3º tri 2026 | 3º tri 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido (contábil) | R$ 3,45 bi | — | +142,9% |
| Lucro líquido ajustado | R$ 750 mi | R$ 683 mi | +9,8% |
| Ebitda ajustado | R$ 2,521 bi | — | +13,4% |
| Margem Ebitda ajustada | 66,2% | 66,4% | -0,2 ponto |
| Receita líquida ajustada | R$ 3,806 bi | — | +13,6% |
| Investimentos (rodovias e trilhos) | R$ 2,275 bi | — | +2,9% |
O crescimento veio das praças de pedágio que começaram a cobrar no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e de uma base fraca de comparação: a gestão da Fernão Dias, entre São Paulo e Minas Gerais, só começou em abril de 2025. A empresa também citou reajustes de tarifa e o desempenho dos trilhos. As receitas complementares subiram 23%, para R$ 92 milhões, segundo o Times Brasil. No acumulado do ano, os investimentos somam R$ 5,579 bilhões, 10,8% a mais que em 2025.
Quanto do lucro cabe em cada ação MOTV3
A MOTV3 tem cerca de 2,01 bilhões de ações, número que sai do último provento: em setembro a empresa pagou R$ 1,454 bilhão em juros sobre capital próprio, ou R$ 0,7233 por ação. Com essa base, o lucro ajustado do trimestre dá R$ 0,37 por ação. O contábil, com os aeroportos, dá R$ 1,72.
A diferença aparece no bolso de quem tem a ação. Quem comprou R$ 1.000 em MOTV3 no fechamento de sexta-feira (23), a R$ 20,20, comprou o equivalente a 49,5 ações. A parte desse investidor no lucro recorrente do trimestre é de R$ 18,47. Somando a venda dos aeroportos, sobe para R$ 84,96, mas R$ 66,49 disso é dinheiro de um negócio que não se repete.
O balanço chega depois de dois pregões duros para a ação. Na segunda-feira (26), primeiro dia de negócios após o segundo turno, a MOTV3 fechou a R$ 14,76, queda de 27% em um dia, e terminou a terça-feira (27) a R$ 14,90, segundo o fechamento oficial da B3. Os mesmos R$ 1.000 de sexta valiam R$ 737,62 na terça. A Motiva inteira passou a valer cerca de R$ 30 bilhões na bolsa, e o ganho com os aeroportos equivale a 9% disso. A queda acompanhou a do Ibovespa, que recuou pelo terceiro pregão seguido com o temor fiscal depois da eleição.
O provento de setembro também ajuda a medir a ação pelo preço novo. Os R$ 0,7233 por ação, pagos depois da conclusão da venda dos aeroportos, equivalem a 4,9% do preço de terça. Em outubro de 2026 a Selic está em 13,75% ao ano, e quem quiser comparar esse retorno com um título de renda fixa pode fazer a conta na calculadora de renda fixa do site.
Por que o lucro de R$ 3,45 bilhões não vira um dividendo do mesmo tamanho?
Parte do dinheiro da venda dos aeroportos já saiu do caixa em setembro, nos R$ 1,454 bilhão de juros sobre capital próprio. O resto disputa espaço com os investimentos em estradas e trilhos, que passaram de R$ 5,5 bilhões em nove meses.
A margem caiu, então a operação piorou?
Quase nada mudou: a margem Ebitda ajustada passou de 66,4% para 66,2%. A Motiva informou ainda que as despesas operacionais em dinheiro, sem os aeroportos, caíram de 35,9% para 34,4% da receita em 12 meses.
Dados: InfoMoney/Reuters · Times Brasil · TradeMap · B3 (cotações de fechamento de 23, 26 e 27/10/2026) · Banco Central (Selic)



