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A Raízen (RAIZ4) fechou nesta quarta-feira (28) um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal para quitar R$ 22,4 bilhões em débitos tributários do grupo. Na parte que cabe à própria empresa, R$ 16,7 bilhões, a União deu R$ 8,5 bilhões de desconto em multas e juros. Para comparar: no fechamento oficial de terça (27), a Raízen inteira valia R$ 3,4 bilhões na bolsa.

Como a Raízen transformou R$ 16,7 bilhões de imposto em R$ 2,5 bilhões de caixa
O acordo, anunciado em fato relevante, divide a conta em duas partes. R$ 5,7 bilhões ficam, em última instância, com as controladoras Cosan (CSAN3) e Shell. Os outros R$ 16,7 bilhões são da Raízen, e é aí que entra o desconto, segundo a Reuters.
Depois de tirar R$ 8,5 bilhões de multas e juros, sobram R$ 8,2 bilhões. A empresa paga R$ 5,7 bilhões com prejuízos fiscais, que são perdas antigas que a lei deixa usar para abater imposto, e só R$ 2,5 bilhões saem do caixa, à vista. De cada R$ 100 que a Receita cobrava da Raízen, R$ 15 viram dinheiro de verdade.
O acordo não é um fim em si. A Raízen diz que ele é uma das condições para pôr em prática o plano de recuperação extrajudicial, homologado pela Justiça de São Paulo, que renegocia cerca de R$ 61,4 bilhões com bancos e investidores, de acordo com o g1.
Os números do acordo da Raízen com a Receita
| Item | Valor |
|---|---|
| Débitos tributários do grupo | R$ 22,4 bilhões |
| Parte das controladoras (Cosan e Shell) | R$ 5,7 bilhões |
| Parte da Raízen | R$ 16,7 bilhões |
| Desconto em multas e juros | R$ 8,5 bilhões |
| Pago com prejuízo fiscal | R$ 5,7 bilhões |
| Pago à vista | R$ 2,5 bilhões |
O desconto equivale a 51% do que a Raízen devia ao Fisco. Os valores batem nas matérias da Money Times e do g1, que repetem os números do fato relevante.
O que o desconto da Receita representa para cada ação RAIZ4
A Raízen tem cerca de 10,35 bilhões de ações. Dividido por ação, o desconto da Receita dá R$ 0,82. A RAIZ4 fechou a terça-feira (27) a R$ 0,33. A União abriu mão, por ação, de duas vezes e meia o que o mercado paga pelo papel.
O pagamento à vista pesa do outro lado. Os R$ 2,5 bilhões que saem do caixa equivalem a 73% do valor de mercado da empresa e a 71% dos R$ 3,5 bilhões que a Raízen pede, no mínimo, no aumento de capital a R$ 0,25 por ação, que os acionistas votam nesta semana. E os R$ 5,7 bilhões de prejuízo fiscal usados agora deixam de ficar guardados para abater imposto sobre lucros futuros.
Para quem tem a ação, o ano já foi pesado. Quem pôs R$ 1.000 na RAIZ4 no primeiro pregão de 2026, a R$ 0,80, tinha R$ 412 no fechamento de terça. O acordo tira uma pendência grande do caminho da reestruturação, mas não muda a conta de quem precisa decidir se acompanha o aumento de capital. Quanto risco desse tipo cabe na carteira é o que o quiz Perfil de Cagaço mede em 2 minutos.
As datas da Raízen até 8 de dezembro
Em 30 de outubro, a assembleia de acionistas vota o aumento de capital. Em 3 de novembro, a RAIZ4 passa a ser negociada como RAIZ55, cotada por lote de 100 ações. Quem estiver com a ação no fechamento de 6 de novembro leva o direito de subscrever as novas, e o prazo para exercer esse direito vai de 9 de novembro a 8 de dezembro, segundo o aviso da companhia.
O desconto de R$ 8,5 bilhões entra como lucro no balanço da Raízen?
O fato relevante não diz como o acordo será contabilizado. A redução de multas e juros diminui a dívida com a União, e o efeito no resultado do trimestre só aparece quando a empresa publicar o balanço.
Por que a ação não sobe com um desconto maior que o valor da empresa?
Porque o acordo é uma condição para a reestruturação, e não dinheiro novo. Os cerca de R$ 61,4 bilhões renegociados com bancos e investidores continuam na conta, e o aumento de capital a R$ 0,25 pode multiplicar o número de ações, o que dilui quem não acompanhar.



