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A Raízen (RAIZ4) quer levantar de R$ 3,5 bilhões a R$ 39,8 bilhões com os próprios acionistas, vendendo ação nova a R$ 0,25. A proposta saiu na noite desta segunda-feira (26), no mesmo pregão em que a RAIZ4 fechou a R$ 0,34 na B3. Quem quiser o direito de comprar precisa estar com a ação na carteira no fechamento de 6 de novembro.

Por que a Raízen pede até R$ 39,8 bilhões a quem já é sócio
O aumento de capital é privado: só quem já tem ação ganha o direito de preferência para comprar as novas, na proporção do que tem. Não haverá rodada de sobras, ou seja, o que um acionista deixar de comprar não vai para os outros. O dinheiro fica todo na empresa e segue o plano de recuperação extrajudicial homologado em junho de 2026, o acordo com credores para reorganizar a dívida da empresa que opera os postos Shell no Brasil.
O teto de R$ 39,8 bilhões considera que a Cosan, uma das controladoras, não exerça o direito nas ações preferenciais classe B. A operação pode ser aprovada mesmo pela metade, desde que saiam ao menos 14 bilhões de ações novas. O máximo é de 159,2 bilhões de papéis, segundo o detalhamento das condições publicado pela companhia.
Três papéis novos, um preço só: R$ 0,25 por ação
A Raízen vai emitir ao mesmo tempo três tipos de papel. O acionista escolhe um, dois ou os três, até o limite da sua participação:
| Papel | Preço na subscrição | Vai ser negociado na bolsa? |
|---|---|---|
| Ação ordinária (ON, com voto) | R$ 0,25 | Sim, em data a divulgar |
| Ação preferencial classe B (PNB) | R$ 0,25 | Não, nem em balcão |
| Unit (1 ON + 1 PN classe A) | R$ 0,50 | Sim, em data a divulgar |
A própria empresa sugere a unit: “se espera que representem o valor mobiliário de maior liquidez da companhia”, diz a Raízen no aviso. A PNB é o caso oposto. Quem comprar esse papel não terá onde vendê-lo na B3.
Tem também troca de código. A partir de 3 de novembro, a RAIZ4 vira RAIZ55 (preferencial classe A) e passa a ser cotada por lote de 100 ações. Com o preço de segunda, a tela da corretora mostraria cerca de R$ 34 em vez de R$ 0,34. O valor da posição não muda: muda só o jeito de escrever o preço.
O que o preço de R$ 0,25 faz com quem tem RAIZ4
A ação nova sai 26,5% abaixo do fechamento oficial de segunda (R$ 0,34). Com R$ 1.000, o acionista compra 4.000 ações novas na subscrição. Na bolsa, o mesmo valor compraria cerca de 2.940 ações.
O desconto chega depois de um ano duro. Quem pôs R$ 1.000 na RAIZ4 no primeiro pregão de 2026, a R$ 0,80, tem hoje R$ 425. Só entre sexta (R$ 0,43) e segunda (R$ 0,34), na queda geral da bolsa depois da eleição, foram 20,9% a menos.
Quem não exercer o direito continua com as mesmas ações, mas numa empresa com até 159,2 bilhões de papéis a mais. A fatia de cada ação antiga no lucro futuro encolhe. Quem acompanha mantém a proporção, mas precisa pôr dinheiro novo numa empresa ainda em reestruturação. Quanto desse tipo de risco cabe na carteira de cada um é a pergunta do quiz Perfil de Cagaço, em 2 minutos.
A operação lembra a da Meta, que vendeu ações novas para levantar US$ 97,5 bilhões, com uma diferença de rota: lá, o dinheiro vai para investimento em inteligência artificial; aqui, para arrumar o balanço. A Cosan, sócia da Raízen, tem página própria no site: CSAN3.
As datas da subscrição da Raízen até 8 de dezembro
- 30 de outubro: assembleia geral extraordinária e assembleia especial dos preferencialistas votam a proposta.
- 3 de novembro: a RAIZ4 passa a ser negociada como RAIZ55, cotada por lote de 100.
- 6 de novembro: data de corte (quem tiver a ação no fechamento leva o direito) e reunião do conselho que delibera o aumento.
- 9 de novembro: a ação passa a ser negociada sem o direito de subscrição.
- 9 de novembro a 8 de dezembro: prazo para exercer o direito de preferência.
Comprar RAIZ4 depois de 6 de novembro dá direito às ações a R$ 0,25?
Não. Quem comprar a partir de 9 de novembro leva a ação já sem o direito de subscrição. O direito fica com quem estava posicionado no fechamento de 6 de novembro, e os próprios direitos também serão negociados em lote de 100.
Se a ação na bolsa cair abaixo de R$ 0,25, ainda faz sentido subscrever?
Pela conta, não: ninguém paga R$ 0,25 por algo que compra mais barato na tela. Com o papel a R$ 0,34, a margem até o preço de emissão é de R$ 0,09 por ação, e a RAIZ4 caiu R$ 0,09 só no pregão de segunda. É essa distância que o acionista acompanha até 8 de dezembro.
Dados: B3, cotações históricas · InfoMoney · Money Times



