Meta vende ações a US$ 625 para levantar US$ 97,5 bi, e a Nvidia entra com US$ 3 bi

A Nvidia vai investir US$ 3 bilhões na oferta de ações da Meta, que quer captar até US$ 97,5 bilhões (R$ 536 bi) para centros de dados de IA. O plano dilui em cerca de 5,8% quem já tem a ação ou o BDR M1TA34.

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A Nvidia vai colocar US$ 3 bilhões, cerca de R$ 16,5 bilhões, na venda de ações que a Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, abriu na segunda-feira (26). O cheque da fabricante de chips é só uma fatia de um plano bem maior: a Meta quer levantar até US$ 97,5 bilhões vendendo ações, o equivalente a R$ 536 bilhões pelo dólar oficial (Ptax) de R$ 5,5007 do dia 26, para pagar a construção de centros de dados de inteligência artificial.

Gráfico de barras com o plano de captação da Meta: US$ 60 bi em venda gradual na bolsa, US$ 25 bi em ações comuns e US$ 12,5 bi em preferenciais conversíveis
Fonte: Meta Platforms, prospectos registrados na SEC em 26 e 27/10/2026.

Por que a Nvidia compra ações de quem já compra os chips dela

O comunicado da Nvidia amarra o investimento a uma parceria em torno do Muse, o agente de IA que a Meta lançou no mês passado. A Meta promete ampliar o uso dos processadores Vera Rubin e Vera CPU, da própria Nvidia. Ou seja: parte do dinheiro que entra pela venda de ações tende a voltar para a Nvidia na forma de pedido de chip.

O movimento repete um padrão. Segundo a Dealroom, citada pelo Times Brasil, a Nvidia participou de 121 rodadas de investimento em 2026, contra 13 em 2022, com cheques em OpenAI, xAI e Anthropic, que acaba de pedir para abrir capital. Os US$ 3 bilhões na Meta valem mais de cinco vezes os R$ 2,9 bilhões que o Itaú pagou pela startup de IA NeoSpace.

No prospecto entregue à SEC, a xerife do mercado americano, a Meta conta que Nvidia, AMD e Broadcom, as três vendedoras de chip, mostraram interesse em comprar juntas até US$ 5 bilhões em ações, pelo mesmo preço dos demais compradores.

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Os US$ 97,5 bilhões da Meta, divididos em três pedaços

O termo de preço registrado na SEC mostra que a empresa aumentou a oferta na própria noite de segunda e fixou o preço em US$ 625 por ação, 0,9% abaixo do fechamento de US$ 630,56 na Nasdaq.

Pedaço do plano Valor Como funciona
Ações comuns (classe A) US$ 25 bi 40 milhões de ações a US$ 625, liquidação em 29/10
Preferenciais conversíveis US$ 12,5 bi Pagam 6,5% ao ano e viram ações em agosto de 2029
Venda gradual na bolsa (ATM) US$ 60 bi Sem data; depende da criação das ações classe C
Total US$ 97,5 bi Cerca de R$ 536 bi pela Ptax de 26/10

A pressa tem conta por trás. A Meta prevê gastar de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões em investimento só em 2026. O caixa gerado pela operação nos nove primeiros meses do ano foi de US$ 97 bilhões, perto de US$ 10,8 bilhões por mês. No ritmo atual, o ano fecha em torno de US$ 129 bilhões, abaixo até do piso do orçamento de obras. A diferença vem do caixa de US$ 82 bilhões, de dívida e, agora, de sócios novos.

O que a diluição faz com quem tem META ou o BDR M1TA34

Vender ação nova significa dividir a empresa em mais pedaços. Em 30 de setembro, a Meta tinha 2,556 bilhões de ações (2,214 bilhões classe A e 342 milhões classe B, com 10 votos cada). Pelas contas do Investir e Coçar, o plano inteiro acrescenta perto de 156 milhões: 40 milhões da oferta comum, até 20 milhões quando as preferenciais virarem ação e cerca de 96 milhões se os US$ 60 bilhões da venda gradual saírem ao mesmo preço de US$ 625.

Para quem tem R$ 10 mil em Meta, direto em Nova York ou pelo BDR M1TA34 na B3, a fatia da empresa encolhe cerca de 5,8%. De cada R$ 100 de lucro que caberiam a esse investidor, R$ 5,75 passam para os novos sócios, a menos que os centros de dados façam o lucro da Meta crescer mais que isso. Só com as duas ofertas já precificadas, sem a venda gradual, a diluição fica em 2,3%.

A Nvidia, com US$ 3 bilhões, fica com 4,8 milhões de ações: menos de 0,2% da Meta. O peso do cheque está no recado, não no tamanho.

As datas da oferta da Meta

As ações comuns e as preferenciais são liquidadas na quinta-feira (29). O primeiro dividendo das preferenciais está marcado para 15 de fevereiro de 2027, e a conversão em ações acontece em agosto de 2029. A venda gradual de US$ 60 bilhões só começa quando as ações classe C, sem direito a voto, passarem a ser negociadas, em data que a empresa ainda não definiu.

A preferencial da Meta paga 6,5% ao ano. Dá para tratar como renda fixa?

O papel paga US$ 3,25 por ano para cada cota de US$ 50, mas não é renda fixa: em 2029 vira ação. Se a ação da Meta estiver abaixo de US$ 625, o dono da preferencial recebe ações que valem menos do que pagou; acima de US$ 734,21, fica com só parte da alta.

Quem tem o BDR precisa fazer alguma coisa?

Não. O BDR acompanha a ação negociada em Nova York e o dólar. A diluição já entra no preço que o mercado paga pela Meta, e o dono do M1TA34 não é chamado a comprar ações novas.

Dados: Meta, anúncio da oferta (SEC) · InfoMoney/Reuters · Banco Central (Ptax)

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

Artigos: 571

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