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O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira (28) os juros americanos entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão saiu por 10 votos a 2: duas dirigentes queriam subir a taxa de novo. No Brasil, a Selic segue em 13,75% desde 17 de setembro, e a alta do dólar nos três pregões depois do segundo turno já equivale a sete meses e meio dessa diferença de juros.

Fed para de subir os juros, mas Cook e Hammack pediam mais 0,25 ponto
A pausa já era esperada. Pela manhã, 92,8% das apostas na ferramenta FedWatch, do CME Group, indicavam manutenção, segundo o Money Times. A novidade ficou nos votos contrários. A diretora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, preferiam elevar a taxa em 0,25 ponto já nesta reunião, como registra o comunicado oficial.
Em setembro, o Fed tinha subido os juros pela primeira vez em mais de três anos. O motivo é a inflação: o índice de preços ao consumidor dos EUA acelerou para 3,7% em 12 meses até setembro, perto do dobro da meta de 2%, segundo o g1. O comunicado diz que “a inflação continua elevada” e que o comitê quer mais dados antes do próximo passo. Foi a quarta reunião com Kevin Warsh na presidência do banco.
Juros dos EUA, Selic e dólar lado a lado
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Juros nos EUA (teto da faixa) | 4% ao ano |
| Selic | 13,75% ao ano |
| Diferença entre as duas | 9,75 pontos |
| Inflação ao consumidor nos EUA (12 meses até setembro) | 3,7% |
| Dólar PTAX, sexta-feira (23) | R$ 5,0377 |
| Dólar PTAX, quarta-feira (28) | R$ 5,3420 |
A PTAX é a cotação oficial calculada pelo Banco Central. Ela chegou a R$ 5,5007 na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da eleição, e fechou esta quarta 6% acima do nível de sexta. Na bolsa, o Ibovespa caía perto de 3% à tarde, aos 170 mil pontos, com bancos entre as maiores quedas, segundo o Valor Investe.
Dólar contra Selic: o que a decisão do Fed muda para quem tem renda fixa em reais
A diferença de juros entre os dois países é o prêmio de deixar o dinheiro em reais. Uma conta simples mostra quanto ele vale. Quem tinha US$ 10 mil na sexta precisava de R$ 50.377 para comprá-los. Na quarta, os mesmos US$ 10 mil valiam R$ 53.420, R$ 3.043 a mais.
Agora o outro lado. Os mesmos R$ 50.377 rendendo 9,75 pontos acima dos juros americanos durante um ano dão R$ 4.912 de vantagem, ou cerca de R$ 409 por mês. Os R$ 3.043 que o dólar subiu em três pregões equivalem a sete meses e meio dessa vantagem. A conta compara as duas taxas básicas, antes de imposto e de custos, e não considera a variação do dólar daqui para frente.
Na prática, quem tem dólar, ETF de bolsa americana como o IVVB11 ou BDRs viu a carteira em reais subir nesses dias por causa do câmbio. Quem está na renda fixa em reais continua recebendo juros de dois dígitos, e a calculadora de renda fixa do site mostra quanto um CDB ou um título do Tesouro rende líquido no prazo escolhido. A semana mostrou que o prêmio de um ano pode sumir em dias quando o câmbio dispara, como já aconteceu em outros sustos da bolsa analisados em vender ações e ir pro dólar na queda.
Copom em 4 de novembro, Fed em 8 e 9 de dezembro
O próximo teste é aqui. O Copom decide a Selic em 4 de novembro, e o mercado passou a apostar em pausa nos cortes depois da alta do dólar, como mostramos em Copom de 4 de novembro. Nos EUA, as eleições de meio de mandato acontecem em 3 de novembro. O Fed volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro, encontro que traz as novas projeções dos dirigentes para juros e inflação.
A diferença de 9,75 pontos entre Selic e juros americanos segura o dólar?
Ajuda, mas não manda sozinha. A diferença era a mesma na sexta e na quarta, e mesmo assim o dólar subiu 6% no meio, puxado pela reação à eleição. O juro alto atrai dinheiro quando o investidor de fora confia que vai conseguir sair sem perder no câmbio.
O Fed parado facilita um novo corte da Selic em novembro?
Tira uma pressão a mais, já que uma alta nos EUA tenderia a fortalecer o dólar. Mas o que pesa no Copom é o dólar a R$ 5,34 e o efeito dele sobre a inflação brasileira, que é o motivo pelo qual as apostas migraram para a manutenção em 13,75%.



