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Em um dia, o mercado trocou de aposta sobre a Selic. Até sexta-feira (23), 76% das opções de Copom negociadas na B3 apontavam para mais um corte de 0,25 ponto na reunião da semana que vem. Na terça-feira (27), depois da reeleição de Lula e da alta do dólar, essa chance caiu para 28%, e a manutenção da taxa em 13,75% ao ano passou a ser o cenário de 62% das apostas, segundo o Termômetro do Copom do Valor Investe.

Por que o dólar virou o assunto do Copom de novembro
O Banco Central corta a Selic desde março, sempre em 0,25 ponto por reunião: a taxa saiu de 15% em janeiro e chegou a 13,75% em 17 de setembro. A sexta redução seguida parecia certa até o fim de semana do segundo turno.
O que mudou foi o câmbio. O dólar PTAX, cotação oficial do BC, passou de R$ 5,04 na sexta (23) para R$ 5,50 na segunda (26), alta de 9,2% em um pregão. Na terça (27) devolveu parte e fechou a R$ 5,33, ainda 5,9% acima da semana anterior. Dólar mais caro encarece importados e combustível, e isso chega à inflação com alguns meses de atraso.
“O Copom olha mais a dinâmica da inflação, que piorou”, disse Samuel Pessôa, do FGV Ibre, ao InfoMoney. Ele espera a Selic parada em 13,75% nas próximas duas reuniões. A gestora ASA, do Safra, ainda conta com um último corte em novembro, para 13,50%, e depois a taxa parada até meados de 2027, com a Selic terminando o ano que vem em 13%, segundo o Valor Investe.
Termômetro do Copom, dólar e inflação em números
| Indicador | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Chance de corte de 0,25 ponto (opções na B3) | 76% (23/10) | 28% (27/10) |
| Chance de Selic parada em 13,75% | 17,5% (23/10) | 62% (27/10) |
| Dólar PTAX | R$ 5,04 (23/10) | R$ 5,33 (27/10) |
| Selic (meta) | 15,00% (janeiro) | 13,75% (desde 17/09) |
| IPCA em 12 meses | 4,58% (setembro) | |
Com a Selic em 13,75% em outubro de 2026 e o IPCA de 12 meses em 4,58%, o juro real fica em cerca de 8,8% ao ano: é quanto a taxa básica paga acima da inflação passada. A ASA projeta o IPCA de 2026 em 5,1%, puxado por petróleo e alimentos.
O que a pausa faz com o Tesouro Selic e o CDB de 100% do CDI
Os títulos pós-fixados acompanham o CDI, em 13,65% ao ano em 26 de outubro de 2026, pelo Banco Central. Quem tem R$ 50 mil no Tesouro Selic ou num CDB de 100% do CDI recebe hoje perto de R$ 536 por mês, antes do imposto. Se o Copom cortar mais 0,25 ponto, esse valor cai para uns R$ 527. A diferença de uma decisão isolada é pequena, uns R$ 9 por mês.
O peso está no tempo. Antes da eleição, o mercado discutia até onde a Selic cairia em 2027. Agora a conta da ASA é de taxa em 13,5% ou mais por boa parte do ano que vem. Em 12 meses a 13,65%, os mesmos R$ 50 mil rendem R$ 6.825 brutos, ou cerca de R$ 5.630 depois do IR de 17,5%. Dá para refazer essa conta com o seu valor e o seu prazo na calculadora de renda fixa.
Do outro lado ficam os títulos de prazo longo. Juro alto por mais tempo pressiona o preço do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+, que já tiveram dias de queda forte nesta semana, como mostramos em quanto o Tesouro IPCA+ perdeu depois da eleição. Na bolsa, varejistas e empresas dependentes de crédito são as mais sensíveis a juro alto por mais tempo.
Copom de 4 de novembro e o Fed nesta quarta
Antes do Copom, o mercado olha o Federal Reserve, que anuncia nesta quarta-feira (28) os juros dos Estados Unidos, hoje entre 3,75% e 4% ao ano. A expectativa, segundo o Money Times, é de taxa mantida. A decisão do Copom sai na quarta-feira, 4 de novembro, depois do fechamento do mercado. O comunicado vai dizer se uma eventual parada é só uma pausa ou o fim do ciclo de cortes.
Se a Selic parar em 13,75%, o Tesouro Selic rende mais?
Rende o mesmo de hoje, em vez de cair um pouco. O ganho só fica visível se a taxa permanecer alta por meses: cada 0,25 ponto mantido por um ano vale R$ 125 brutos a mais para cada R$ 50 mil aplicados.
O dólar mais caro já entrou no IPCA de 12 meses?
Ainda não. O índice de 4,58% é de setembro, antes da eleição. O repasse do câmbio aparece nos preços de importados e combustíveis nos meses seguintes, e é isso que o Banco Central tenta antecipar.



