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O Santander Brasil (SANB11) lucrou R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, 28% menos que um ano antes, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (28). O número ficou abaixo dos R$ 3,161 bilhões que o mercado esperava, pelo consenso da Bloomberg citado pelo Money Times. A rentabilidade sobre o patrimônio caiu para 11,9% ao ano, menos do que o CDI paga hoje.

Calote de grandes clientes e menos baixa renda puxam o lucro do Santander para baixo
Dois movimentos explicam a queda. O primeiro é o calote. A despesa com provisões para perdas de crédito chegou a R$ 7,4 bilhões, 14,3% acima do mesmo trimestre de 2025. Segundo o banco, pesaram casos específicos de grandes empresas, operações ligadas ao agronegócio e pessoas físicas de baixa e média renda. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4% da carteira, 0,6 ponto a mais em um ano.
O segundo é escolha do próprio banco. O Santander vem trocando crédito caro e arriscado, como o da baixa renda, por empréstimo com garantia: imóvel, veículo novo e cliente de renda maior. Isso reduz o calote no futuro, mas encolhe a margem agora. A margem com clientes caiu 4,2% em um ano, de acordo com o Seu Dinheiro.
“Nossos números refletem esse contexto, mas também mostram um banco que está realizando ajustes importantes”, disse o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, em nota à imprensa.
Os números do Santander no 3º trimestre de 2026
| Indicador | 3º tri 2026 | Variação em 12 meses |
|---|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 2,9 bilhões | -28% |
| Retorno sobre o patrimônio (ROAE) | 11,9% | -5,6 pontos |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 721 bilhões | +4,7% |
| Provisões para calote (PDD) | R$ 7,4 bilhões | +14,3% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 3,4% | +0,6 ponto |
| Margem financeira total | R$ 14,9 bilhões | -1,6% |
| Despesas gerais e administrativas | R$ 6,3 bilhões | -0,6% |
Dados: balanço do Santander Brasil do 3º trimestre de 2026, via InfoMoney e Money Times.
O crédito cresceu onde o banco quis: imobiliário subiu 10,3% em 12 meses, pequenas e médias empresas 8,5% e financiamento ao consumo 9,1%. O lado das despesas ajudou, com fechamento de agências e corte de pessoal compensando o gasto maior com tecnologia.
SANB11 rende menos que o CDI e a unit acumula queda de 24% em 2026
O ROAE mostra quanto o banco gera de lucro para cada real que pertence aos acionistas. Com 11,9% ao ano, cada R$ 100 de patrimônio do Santander produz R$ 11,90 de lucro em 12 meses. No mesmo período, R$ 100 aplicados a 100% do CDI, que estava em 13,65% ao ano em 26 de outubro de 2026 pelo Banco Central, renderiam R$ 13,65 brutos. Há um ano, o banco entregava R$ 17,50.
Na bolsa, a conta já aparece. A unit SANB11 fechou 2025 a R$ 34,06 e terminou a terça-feira (27) a R$ 25,87, segundo o fechamento oficial da B3. Quem tinha R$ 10 mil na unit no último pregão de 2025 ficou com R$ 7.595 no fechamento de terça, sem contar os juros sobre capital próprio recebidos no caminho. A comparação dos bancos antes da temporada de balanços está em Itaú subiu 40% em 1 ano, Santander 5,6%.
Para quem quer medir quanto um título atrelado ao CDI renderia no mesmo prazo, já com o imposto descontado, a calculadora de renda fixa do site faz a conta.
A troca de SANB11 por BDRs da matriz espanhola continua de pé
O balanço sai no meio da oferta de permuta anunciada em 30 de julho pela matriz, o Banco Santander S.A.: 0,4056 BDR do banco espanhol por unit SANB11. A adesão é voluntária, o Santander Brasil segue listado na B3 e a matriz espera concluir a operação no primeiro semestre de 2027. Os detalhes estão no resumo da OPA do Santander.
Se o banco rende menos que o CDI, por que alguém fica com a ação?
Porque o ROAE de um trimestre não é o do ano inteiro. O banco aposta que a carteira com garantia derruba o calote nos próximos trimestres e devolve a rentabilidade para perto dos 17,5% de um ano atrás. Quem fica na ação compra essa aposta; quem fica no CDI recebe os 13,65% sem depender dela.
O resultado fraco muda a troca pela ação da matriz?
Não muda a proporção. A troca é fixa em 0,4056 BDR por unit, então o que o acionista recebe em reais depende do preço do BDR espanhol no dia da liquidação, não do lucro do Santander Brasil neste trimestre.



