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https://youtu.be/M04cBAu54LU?si=1AmtfgFXlEil05pjETF de guerra (ou ETF de defesa, ETF militar) é um fundo de índice que compra, de uma vez só, ações de quem fabrica avião militar, míssil, motor de caça, satélite e sistema de segurança. Os mais conhecidos são o ITA (iShares), o XAR (State Street), o PPA (Invesco) e o SHLD (Global X), todos negociados nos Estados Unidos. Na B3, o caminho mais curto é o SHLD39, BDR do SHLD que estreou em maio de 2026, ou os BDRs de empresas como Lockheed Martin (LMTB34) e Northrop Grumman (NOCG34). Dados abaixo conferidos em 28/09/2026.
Antes da lista, um detalhe que muda a leitura de tudo: no ITA, o maior ETF do setor, a maior posição não é uma fábrica de tanque. É a GE Aerospace, que faz motor de avião, com 21,26% da carteira. As fabricantes de arma de fogo propriamente ditas, Smith & Wesson e Ruger, pesam 0,05% cada. Em cada R$ 10 mil aplicados, dá R$ 5 em cada uma.
Por que o ETF de guerra voltou a ser buscado
O mundo gastou US$ 2,887 trilhões com defesa em 2025, o 11º ano seguido de alta, segundo o SIPRI, instituto sueco que mede gasto militar. Só que o dinheiro trocou de endereço: os EUA, que são um terço desse gasto, cortaram 7,5%, enquanto a Europa subiu 14% e chegou a US$ 864 bilhões. Quem compra só ETF americano está apostando no país que freou.
Os principais ETFs de guerra e defesa (setembro de 2026)
| Ticker | O que compra | Taxa ao ano | Patrimônio | Maior posição |
|---|---|---|---|---|
| ITA | Defesa e aeroespacial dos EUA, pesado nas gigantes | 0,37% | US$ 12,56 bi | GE Aerospace (21,26%) |
| XAR | Defesa e aeroespacial dos EUA, pesos quase iguais | 0,35% | US$ 5,74 bi | Rocket Lab (3,41%) |
| PPA | Defesa dos EUA e de aliados | 0,58% | US$ 7,56 bi | RTX (7,95%) |
| SHLD | Tecnologia de defesa global (software, míssil, radar) | 0,50% | US$ 6,87 bi | Palantir (11,70%) |
| NATO | Defesa dos EUA e da Europa | 0,35% | US$ 94 mi | RTX (8,32%) |
| EUAD | Defesa só da Europa | 0,50% | US$ 1,09 bi | MTU Aero Engines |
| FITE | Cibersegurança e segurança digital | 0,45% | US$ 152 mi | Okta (2,20%) |
| ARKX | Espaço e aeroespacial, gestão ativa | 0,75% | US$ 774 mi | SpaceX (10,35%) |
| DFEN | 3 vezes o índice de defesa, por dia (alavancado) | 0,96% | US$ 302 mi | Contratos de swap |
Fontes: páginas das gestoras (iShares, State Street e Global X, dados de 25/09/2026) e stockanalysis.com (PPA, NATO, EUAD, ARKX e DFEN, consulta em 28/09/2026).
Como investir em ETF de guerra pela B3
SHLD39: o BDR do ETF de defesa
O SHLD39 começou a ser negociado na B3 em 27 de maio de 2026 e replica o SHLD, da Global X. Você compra em real, na mesma corretora onde tem ações brasileiras, e leva junto a variação do dólar. Em 28/09/2026 ele era cotado a R$ 39,88. Antes de comprar, olhe o volume do dia no home broker: BDR novo costuma ter pouco negócio, e aí a diferença entre o preço de compra e o de venda come parte do resultado.
BDRs das empresas de defesa
Quem prefere escolher a empresa encontra na B3 os BDRs de Lockheed Martin (LMTB34), Northrop Grumman (NOCG34), RTX, antiga Raytheon (RYTT34), General Dynamics (GDBR34), Boeing (BOEI34) e GE (GEOO34). E tem uma empresa de defesa brasileira listada direto: a Embraer, que desde 3 de novembro de 2025 negocia como EMBJ3 (antes era EMBR3).
Conta no exterior
Para comprar ITA, XAR, PPA ou DFEN do jeito que eles são, só abrindo conta em corretora nos EUA. O lucro de investimento direto no exterior paga 15% de imposto, apurado uma vez por ano na declaração. No BDR, a venda com lucro também paga 15%, e aqui tem uma pegadinha: BDR não entra na isenção de R$ 20 mil por mês que vale para ações brasileiras. Tem mais detalhe sobre imposto de BDR no nosso texto sobre BDR de dividendo como a COCA34, e sobre o efeito do dólar em ETFs internacionais na B3.
ETF militar: os ETFs de defesa um por um
ITA (iShares U.S. Aerospace & Defense ETF)
O ticker é ITA, e é o maior do setor, com US$ 12,56 bilhões. Segue o índice Dow Jones U.S. Select Aerospace & Defense e compra pelo tamanho de cada empresa, então as grandes mandam: GE Aerospace (21,26%), RTX (15,99%) e Boeing (7,72%) somam 45% do fundo. Quem compra ITA achando que comprou 50 empresas de defesa comprou, na prática, quase metade em três. E duas delas vendem muito para avião de passageiro, não só para caça.
XAR (State Street SPDR S&P Aerospace & Defense ETF)
O XAR tem o mesmo tema e o método oposto: dá peso quase igual para cada empresa. A maior posição, Rocket Lab, tem 3,41%, e as dez maiores somam menos de 30%. Na prática, uma empresa média de peças pesa o mesmo que a Lockheed Martin. Menos risco de uma gigante afundar o fundo, mais exposição às empresas pequenas, que balançam mais.
PPA (Invesco Aerospace & Defense ETF)
Fica no meio do caminho: RTX, GE Aerospace, Boeing e Lockheed lideram, mas nenhuma passa de 8%. Tem 63 empresas e inclui aliados dos EUA, como a israelense Elbit Systems. A taxa é de 0,58% ao ano, das mais caras entre os não alavancados.
SHLD (Global X Defense Tech ETF)
É o ETF de “defesa moderna”: a maior posição é a Palantir, empresa de software de análise de dados, com 11,70%, seguida de RTX, General Dynamics e Lockheed. Também tem europeias e asiáticas, como BAE Systems, Rheinmetall e Hanwha Aerospace. É o único da lista com BDR na B3 (SHLD39). A Palantir no topo quer dizer que o fundo sobe e desce junto com uma ação de tecnologia cara; já falamos dela no texto sobre as apostas de Michael Burry contra Nvidia e Palantir.
NATO e EUAD: a defesa europeia
Com a Europa gastando 14% a mais em 2025, surgiram ETFs focados no continente. O NATO (Themes Transatlantic Defense) mistura EUA e Europa, com Rolls-Royce, Safran e Airbus entre as maiores. O EUAD (Select STOXX Europe Aerospace & Defense) fica só na Europa, com MTU, Airbus, Leonardo, Saab e Thales. Os dois são de outubro de 2024 e ainda pequenos: o NATO tem US$ 94 milhões.
FITE (State Street SPDR S&P Kensho Future Security ETF)
Aqui a guerra é digital. As maiores posições são Okta, Rapid7, Cloudflare e CrowdStrike, todas de cibersegurança, com cerca de 2% cada. Se a ideia é “defesa” no sentido de míssil e caça, o FITE não é isso.
ARKX (ARK Space Exploration & Innovation ETF)
Gestão ativa da ARK, focada em espaço. A maior posição é a SpaceX (10,35%), seguida de L3Harris, Rocket Lab e Kratos, e a carteira ainda leva Deere, AMD, Amazon e Nvidia. Taxa de 0,75%. É mais um fundo de tecnologia com tema espacial do que um ETF de guerra.
DFEN (Direxion Daily Aerospace & Defense Bull 3X)
O DFEN tenta entregar três vezes o movimento de um dia do índice de defesa, usando contratos de swap. Em semanas de sobe e desce, essa conta diária corrói o resultado, mesmo que o índice termine no mesmo lugar. Em 28/09/2026 ele estava 50% abaixo da máxima dos últimos 12 meses, enquanto o ITA, que segue o mesmo índice sem alavancagem, estava 18% abaixo. É produto para operação curta, não para guardar na carteira.
Existe ETF de armas ou de armamento?
Não um ETF só de fabricante de arma de fogo entre os grandes. Os ETFs de armamento militar compram a cadeia inteira de defesa e aeroespacial: motor, míssil, radar, satélite, avião. Como mostramos no começo, Smith & Wesson e Ruger aparecem no ITA com 0,05% cada. Quem busca “ETF de armamento” normalmente quer mesmo o ITA, o XAR ou o SHLD.
Quanto custa ter um ETF de defesa
A taxa sai todo ano, com o fundo subindo ou caindo. Entre o mais barato e o mais caro da lista, a diferença é de R$ 61 por ano a cada R$ 10 mil. Em 10 anos, sem contar o que esse dinheiro renderia, são R$ 610.
Riscos de investir em ETF de guerra
- Orçamento de governo: o cliente é o Estado. Em 2025 os EUA cortaram 7,5% do gasto militar, e o ITA e o XAR são 100% americanos.
- Concentração: no ITA, três empresas são 45% do fundo. Um problema na GE Aerospace ou na Boeing aparece direto na cota.
- Dólar: no BDR ou lá fora, o resultado em real depende do câmbio. Se o dólar cai, o ganho em reais encolhe. Explicamos o mecanismo em o que é taxa de câmbio.
- Alavancagem: o DFEN pode perder muito mais que o setor, como mostra a queda de 50% desde a máxima.
- Liquidez do BDR: o SHLD39 é novo; confira o volume antes de comprar.
Perguntas frequentes sobre ETF de guerra
Qual é o ETF de guerra mais conhecido?
O ITA, da iShares, é o maior, com US$ 12,56 bilhões em 25/09/2026. Segue o índice Dow Jones U.S. Select Aerospace & Defense.
Qual o ticker do iShares Aerospace & Defense?
ITA. O nome completo é iShares U.S. Aerospace & Defense ETF, negociado nos EUA desde maio de 2006, com taxa de 0,37% ao ano.
Dá para comprar ETF de defesa na B3?
Sim, pelo BDR SHLD39, que replica o SHLD da Global X desde maio de 2026. Também dá para comprar BDRs de empresas do setor (LMTB34, NOCG34, RYTT34, GDBR34) e a Embraer (EMBJ3).
Existe ETF militar só de armas?
Entre os grandes, não. Os ETFs militares compram a cadeia de defesa e aeroespacial. Fabricantes de arma de fogo como Smith & Wesson e Ruger têm 0,05% cada no ITA.
Qual a diferença entre ITA e XAR?
Os dois compram defesa americana. O ITA dá mais peso às maiores empresas (três delas são 45% do fundo); o XAR dá peso quase igual a todas (as três maiores somam 9,6%).
ETF de defesa alavancado vale para longo prazo?
O DFEN busca três vezes a variação diária do índice, e essa conta diária corrói o resultado com o tempo. Em 28/09/2026 ele estava 50% abaixo da máxima de 12 meses, contra 18% do ITA.
Denis Miyabara é sócio da EQI Investimentos. Este conteúdo é educacional e não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.



