Ibovespa fecha o pior mês desde 2022, e o CDI já rende 2,8 vezes mais em 2026

O Ibovespa caiu 9,88% em outubro de 2026, a maior perda mensal desde junho de 2022, e perdeu 18,12% só na semana após o 2º turno. No ano, a bolsa sobe 4,22% e o CDI, 11,63%.

⏰ 5 min de leitura

O Ibovespa fechou outubro de 2026 aos 167.922 pontos nesta sexta-feira (30), queda de 9,88% no mês e a maior perda mensal desde junho de 2022. A conta veio quase toda na semana depois do segundo turno: em cinco pregões, o índice perdeu 18,12%. Com isso, o ganho da bolsa no ano encolheu para 4,22%, enquanto o CDI acumula 11,63% até a quinta (29), 2,8 vezes mais.

Gráfico de linha do Ibovespa em outubro de 2026: sobe de 186,3 mil pontos em 30 de setembro para 209,1 mil em 9 de outubro, despenca para 176,6 mil em 26 de outubro e fecha o mês em 167,9 mil
O Ibovespa ganhou 12% até o dia 9 e terminou o mês abaixo do ponto de partida. Fonte: B3, fechamentos de 30/09 a 30/10/2026.

Do recorde de 209 mil pontos ao circuit breaker de 26 de outubro

O mês começou com a bolsa apostando em troca de governo. Do fechamento de setembro, em 186,3 mil pontos, o Ibovespa subiu até 209.067 pontos no dia 9, alta de 12%, puxado por bancos, varejo e construtoras, as ações que mais dependem de juro em queda.

A virada veio com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25). Na segunda (26), a B3 acionou o circuit breaker na abertura, o primeiro desde março de 2020, e o índice fechou em queda de 13,88%, a 176.608 pontos. Foi a maior perda num único dia desde 16 de março de 2020, segundo o InfoMoney. Depois disso foram mais quatro quedas seguidas.

Pelo levantamento da Elos Ayta com dados da B3, publicado pelo g1, os 18,12% da semana empatam, até a segunda casa decimal, com a semana do 11 de setembro de 2001. É a quinta pior semana desde o Plano Real. Só perdem para a crise asiática de 1997, a crise global de 2008 e o começo da pandemia, em 2020.

Newsletter do Investir e Coçar Análises e ferramentas novas no seu e-mail. Sem spam, sai quando quiser.

Quanto R$ 10 mil viraram no Ibovespa, no CDI e no Tesouro em outubro

A conta abaixo usa R$ 10 mil num fundo que copia o Ibovespa, antes de taxa e imposto, contra o mesmo valor aplicado a 100% do CDI. O CDI de outubro vai até a quinta (29), último dado do Banco Central.

Onde estavam os R$ 10 mil Variação Valor no fim
Ibovespa, de 30/09 a 30/10 −9,88% R$ 9.012
Ibovespa, comprado no pico de 09/10 −19,68% R$ 8.032
CDI em outubro (até 29/10) +1,02% R$ 10.102
Ibovespa em 2026 (desde 30/12/2025) +4,22% R$ 10.422
CDI em 2026 (até 29/10) +11,63% R$ 11.163

No mês, a diferença entre a bolsa e o CDI deu R$ 1.090 em cada R$ 10 mil. Quem entrou no dia 9, no auge do otimismo, perdeu quase R$ 2 mil em três semanas. No ano, a bolsa ainda está no positivo, mas o CDI pagou R$ 741 a mais por cada R$ 10 mil, sem um dia de susto.

O CDI não foi o único a escapar. No ranking mensal do Seu Dinheiro, citado pelo Money Times, o dólar à vista liderou com alta de 5,20%, e o Tesouro Selic 2031 rendeu 0,92%. Já o Tesouro IPCA+ 2050 caiu 6,59% com a alta dos juros futuros, o IFIX perdeu 2,84% e o bitcoin, 3,11%. Para comparar o CDI de outros prazos e produtos, a calculadora de renda fixa do site faz a conta com IR.

Só 11 das 76 ações do Ibovespa subiram em outubro

A queda não foi igual para todo mundo. Segundo o InfoMoney, apenas 11 ações do índice fecharam o mês no azul, quase todas com receita em dólar ou dividendo alto, entre elas PRIO, Suzano, Petrobras, Embraer, Gerdau, Brava, Caixa Seguridade, BB Seguridade, TIM e Vivo. A PRIO liderou com o Brent 15,7% mais caro no mês, como mostramos na análise da PETR4 em outubro.

Na outra ponta, 26 ações caíram mais de 20%. A Vamos (VAMO3) perdeu quase 45% no mês, e a Magazine Luiza (MGLU3), que chegou a cair 58% num só pregão, fechou outubro com queda de 30,78%. Bancos, varejo e construtoras, os mesmos que puxaram a alta até o dia 9, viraram as maiores perdas. Quem tinha um ETF de ações pequenas sentiu mais: o HIGH11 perdeu 38% no dia seguinte à eleição.

O dólar fechou a sexta a R$ 5,4442. Para quem tem dinheiro no Brasil, isso explica a troca: empresa que vende em dólar e gasta em real passa a ganhar mais por cada exportação, e a que depende de crédito barato passa a pagar mais caro.

Copom de 4 de novembro decide o próximo passo da Selic

O primeiro teste de novembro é o Copom de quarta-feira (4). Antes do segundo turno, as opções de Copom da B3 davam 75,9% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic, hoje em 13,75%. Na atualização de quarta (28), a aposta virou: 66,5% de chance de manutenção, segundo o Money Times. A escolha da nova equipe econômica do governo também entra na conta dos próximos pregões.

Por que o CDI rendeu mais que o Tesouro IPCA+ num mês de juros subindo?

O CDI rende a taxa do dia e não tem preço de mercado: juro mais alto só faz ele render mais daqui pra frente. Já o Tesouro IPCA+ 2050 tem taxa travada até o vencimento, e quando a taxa nova sobe, o preço do título antigo cai. Quem levar o título até 2050 recebe o combinado; quem vendeu em outubro realizou a perda de 6,59%.

Uma queda de 18% numa semana costuma ser recuperada logo?

Não há regra fixa. O Bradesco BBI avalia que choques eleitorais em mercados emergentes costumam levar meses, às vezes anos, para serem absorvidos pelos preços, e que parte das estimativas de lucro para 2027 ainda pode ser revisada para baixo, segundo o InfoMoney.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

Artigos: 621

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *