Vale vê lucro cair pela metade no 3º tri; cada tonelada de minério deixa US$ 24,70

A Vale (VALE3) lucrou US$ 1,255 bilhão no 3º trimestre de 2026, queda de 53%, com minério 10% mais barato e frete caro; o Ebitda do cobre subiu 66%.

⏰ 4 min de leitura

A Vale (VALE3) lucrou US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, 53% menos que um ano antes. Em reais, o lucro foi de R$ 6,4 bilhões, contra R$ 14,6 bilhões no mesmo período de 2025: são R$ 8,2 bilhões a menos em três meses, perto de R$ 89 milhões por dia. O balanço saiu nesta quinta-feira (29), depois do fechamento da bolsa, e ficou abaixo dos US$ 1,508 bilhão do consenso compilado pela Bloomberg, segundo o Seu Dinheiro.

Gráfico de barras da Vale no 3º trimestre de 2026 contra o 3º trimestre de 2025: Ebitda do cobre subiu 66%, receita líquida subiu 2%, Ebitda do minério de ferro caiu 34% e lucro líquido caiu 53%
Fonte: Vale, resultado do 3º trimestre de 2026, divulgado em 29/10/2026.

O minério barato e o frete caro que derrubaram o lucro da Vale

A receita até subiu 2%, para US$ 10,6 bilhões. O problema foi o que sobrou dela. A Vale recebeu em média US$ 85,10 por tonelada de minério de ferro, 10% menos que um ano antes. Ao mesmo tempo, o custo total por tonelada, que inclui o frete de navio até o cliente, subiu 21%, para US$ 60,40. Na conta simples, cada tonelada vendida deixou US$ 24,70 entre o preço e o custo.

Três coisas pesaram ao mesmo tempo. O minério está mais barato no mercado internacional. O petróleo caro encareceu o combustível dos navios que levam o minério. E o real mais forte diminui o valor em reais de uma venda feita em dólar. O custo de produção até o porto, chamado de C1, subiu 12%, para US$ 23,10 por tonelada, por causa do câmbio e do diesel.

A produção também encolheu. Foram 88,4 milhões de toneladas de minério no trimestre, 6% menos que um ano antes, por falta de minério bruto em Serra Norte, no Pará. A empresa vendeu 86,3 milhões de toneladas, praticamente o mesmo volume de 2025, usando estoque acumulado, como contou o InfoMoney.

O cobre foi para o lado contrário. O preço médio recebido pela tonelada subiu 56%, para US$ 15.314, e o Ebitda do metal cresceu 66%, para US$ 1,021 bilhão, mesmo com 6% menos produção. A divisão de metais básicos inteira gerou US$ 1,1 bilhão, quase um terço dos US$ 3,5 bilhões de Ebitda proforma da companhia.

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Os números do balanço da Vale no 3º trimestre

Indicador 3º tri 2026 Contra 3º tri 2025
Lucro líquido (US$) US$ 1,255 bilhão −53%
Lucro líquido (R$) R$ 6,4 bilhões −56%
Receita líquida (US$) US$ 10,6 bilhões +2%
Ebitda proforma US$ 3,5 bilhões −20%
Ebitda do minério de ferro US$ 2,63 bilhões −34%
Ebitda do cobre US$ 1,021 bilhão +66%
Preço médio do minério US$ 85,10/t −10%
Custo all-in do minério US$ 60,40/t +21%
Dívida líquida expandida US$ 16,4 bilhões −1%

Os números em reais estão no Valor Investe. A queda em reais é maior que em dólar justamente porque o real se valorizou no período.

VALE3 com margem menor e o dividendo extra mais longe

Para quem tem a ação, o ponto mais concreto do balanço está na dívida. A Vale trabalha com uma faixa de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões para a dívida líquida expandida, que soma as obrigações de Brumadinho e Samarco. Segundo a própria companhia, acima de US$ 15 bilhões fica menos provável pagar dividendo extraordinário. O trimestre fechou em US$ 16,4 bilhões, US$ 1,4 bilhão acima dessa linha.

O caixa continua de pé. O fluxo de caixa livre recorrente foi de US$ 1,4 bilhão, só US$ 200 milhões abaixo de um ano antes, ajudado por proteção contra a alta do petróleo: cerca de 70% do combustível de navio de 2026 está travado, e 67% do de 2027, a um Brent médio de US$ 78 o barril. O presidente Gustavo Pimenta atribuiu a essas proteções e à contratação de fretes a preservação das margens.

Na bolsa, o balanço chega depois de um ano ruim. A VALE3 fechou esta quinta a R$ 60,05, segundo a B3. Quem pôs R$ 10 mil na ação no último pregão de 2025, a R$ 71,96, tem hoje R$ 8.345 em preço de tela, sem contar os dividendos recebidos. Desde o pico de fevereiro, de R$ 90,09, a queda passa de 33%, como mostramos quando a Vale acumulou 32% de queda desde o topo. A reação ao resultado só aparece no pregão desta sexta-feira (30).

A Vale manteve a meta de produzir de 335 milhões a 345 milhões de toneladas de minério em 2026, mirando a parte de baixo da faixa, e de 360 mil a 380 mil toneladas de cobre.

Se o cobre subiu 66%, por que ele não segurou o lucro?

Porque o minério ainda é bem maior. No trimestre, ele gerou US$ 2,63 bilhões de Ebitda, mais que o dobro do US$ 1,021 bilhão do cobre. Uma queda de 34% no negócio grande come o ganho de 66% no negócio menor. A meta da Vale é chegar a 500 mil toneladas de cobre por ano até 2030.

O que mais mexe no lucro da Vale daqui para a frente?

O preço do minério, o dólar e o petróleo. Cada um deles já pesou neste trimestre, e a empresa não controla nenhum. Para saber quanto dessa oscilação cabe na sua carteira, o quiz do site sobre tolerância a risco ajuda a medir quanto de queda cabe no seu bolso.

Dados: InfoMoney · InvestNews · B3 (COTAHIST de 30/12/2025 e 29/10/2026)

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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