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A conta de luz de novembro não terá cobrança extra. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (30) que mantém a bandeira tarifária verde pelo segundo mês seguido. Antes disso, de maio a setembro, a bandeira amarela acrescentou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Numa casa que gasta 200 kWh por mês, a amarela somou R$ 3,77 em cada conta, ou R$ 18,85 nos cinco meses. É pouco no orçamento de uma família. No índice de inflação, o efeito aparece mais: a energia residencial pesa 4,2% na cesta do IBGE, e a primeira conta verde, em outubro, já puxou esse item para baixo.

Chuva nas hidrelétricas segura a bandeira verde em novembro
A cor da bandeira depende de quanto custa gerar energia no mês. Com reservatório cheio, as hidrelétricas dão conta e a conta fica sem acréscimo. Com pouca água, o sistema liga as termelétricas, que queimam gás, óleo ou carvão e cobram mais caro por megawatt-hora. Essa diferença vai para o consumidor pela bandeira.
Segundo a Aneel, as chuvas voltaram às regiões das principais usinas e equilibraram os reservatórios. “Nesse cenário, não haverá necessidade de maior acionamento de termelétricas”, disse a agência. O sistema existe desde 2015 e vale para todos os consumidores ligados ao Sistema Interligado Nacional.
Quanto cada bandeira pesa numa conta de 150, 200 ou 300 kWh
A Aneel cobra por megawatt-hora: R$ 18,85 na amarela, R$ 44,63 na vermelha 1 e R$ 78,77 na vermelha 2, segundo os valores em vigor. Convertido para três tamanhos de casa, fica assim:
| Consumo no mês | Amarela | Vermelha 1 | Vermelha 2 |
|---|---|---|---|
| 150 kWh | R$ 2,83 | R$ 6,69 | R$ 11,82 |
| 200 kWh | R$ 3,77 | R$ 8,93 | R$ 15,75 |
| 300 kWh | R$ 5,66 | R$ 13,39 | R$ 23,63 |
A vermelha 2 custa quatro vezes a amarela. Uma casa de 300 kWh que passasse um ano inteiro nela pagaria R$ 283,57 a mais. Os cinco meses de amarela deste ano custaram a essa mesma casa R$ 28,28.
Em julho, o medo era o contrário: o Super El Niño ameaçava trazer a bandeira vermelha para o fim do ano. A chuva de outubro adiou esse risco, ao menos por um mês.
O que a conta de luz verde faz com o IPCA e o Tesouro IPCA+
A energia elétrica residencial tem peso de 4,22% no IPCA-15 de outubro, segundo o IBGE. Em outubro, com a troca da amarela pela verde, ele caiu 0,89% na prévia da inflação, que fechou o mês em 0,32%.
Com a verde mantida, novembro começa sem essa pressão na conta. Para quem tem renda fixa, a inflação mais baixa age em duas direções. No CDB e no Tesouro Selic, o ganho acima da inflação aumenta, porque o juro nominal não muda. No Tesouro IPCA+, a parte do rendimento que acompanha o IPCA encolhe no mês, enquanto a taxa real contratada continua a mesma. Dá para simular os dois casos com prazos e taxas diferentes na calculadora de renda fixa do site.
Nada disso garante uma conta barata em dezembro. A Aneel define a cor mês a mês, com base na previsão de custo de geração, e volta a anunciar a bandeira no fim de novembro.
Se a bandeira é verde, por que minha conta de novembro pode vir mais alta?
A bandeira é só o acréscimo pelo custo de geração. A conta também muda com o consumo do mês, com os reajustes anuais de cada distribuidora e com os impostos, que seguem valendo com qualquer cor.
Conta de luz mais barata faz o Tesouro IPCA+ render menos?
No mês em que a energia cai, a correção pela inflação do título fica menor, e o valor do papel cresce um pouco menos. A taxa real acertada na compra não muda, então quem leva o título até o vencimento continua ganhando a inflação do período mais essa taxa.
Dados: Agência Brasil · g1 · IBGE/Sidra



