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A seis dias do segundo turno, marcado para domingo (25), um estudo do IBEVAR com a FIA Business School mediu o que move os juros futuros no Brasil. Em 94 pregões, o dólar teve o maior peso: cada 1% de alta da moeda empurrou o DI de janeiro de 2029 em 13,4 pontos-base. As pesquisas de segundo turno não deixaram marca detectável na curva.
Resposta curta: quem tem Tesouro Prefixado 2029 sente o dólar mais do que a pesquisa. Em R$ 100 mil aplicados no título, 1% de alta do dólar equivale, pela conta do estudo, a cerca de R$ 266 a menos no valor de resgate.
O que aconteceu
O estudo, publicado pelo Times Brasil nesta segunda-feira (19), montou uma equação com quatro peças: o dólar, o petróleo Brent, o pregão seguinte ao primeiro turno e a variação do próprio DI no dia anterior. Juntas, elas explicam 78% das oscilações diárias do contrato com vencimento em janeiro de 2029.
O petróleo pesa bem menos que o câmbio: 1,5 ponto-base para cada 1% de alta do Brent. A vantagem de Flávio Bolsonaro nas pesquisas foi testada de várias formas e não apareceu nos juros. Os autores dizem que isso não prova que pesquisa não importa. Uma explicação é que o mercado antecipa a tendência antes da divulgação; outra é que a reação passa primeiro pelo dólar e só depois chega aos juros.
“Dólar manda nos juros; urnas deixam marca”, resumiu Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR.
A marca das urnas foi o pregão de 5 de outubro, depois do primeiro turno. O DI de 2029 caiu 116 pontos-base naquele dia. Pelos cálculos do estudo, cerca de 59 pontos vieram da queda do dólar e cerca de 51 ficaram por conta do resultado da votação.
Nesta segunda, o mercado seguia o roteiro: às 12h05, o dólar à vista caía 0,27%, a R$ 5,059, com duas pesquisas novas mostrando disputa apertada. No começo da manhã, o Ibovespa subia 0,81%, aos 207,1 mil pontos.
Os números do Tesouro Prefixado 2029
O Tesouro Prefixado 2029 vence no mesmo dia do DI usado no estudo, 1º de janeiro de 2029. Quem pôs R$ 100 mil no título na sexta-feira antes do primeiro turno (2 de outubro) comprou 133,3 títulos a R$ 750,25 cada. O caminho do dinheiro, pelo preço de resgate do Tesouro:
| Data | Taxa de compra | Dólar (Ptax) | R$ 100 mil viraram |
|---|---|---|---|
| Sex 02/10 | 13,83% ao ano | R$ 5,2238 | R$ 99.715 (resgate no mesmo dia) |
| Seg 05/10 | 12,74% ao ano | R$ 4,9859 | R$ 101.917 |
| Sex 09/10 | 12,30% ao ano | R$ 4,9892 | R$ 102.995 |
| Qui 15/10 | 12,64% ao ano | R$ 5,0521 | R$ 102.458 |
Num pregão, os R$ 100 mil ganharam R$ 2,2 mil de valor de resgate. No pico, em 9 de outubro, o ganho chegava a R$ 2.995 sobre o valor aplicado. Até 15 de outubro, R$ 537 voltaram.
O que muda para quem investe
Entre 9 e 15 de outubro, o dólar Ptax subiu 1,26%. Pela regra do estudo, isso puxaria a taxa de 2029 em cerca de 17 pontos-base. A taxa do Tesouro subiu 34. O câmbio explica perto de metade do recuo; o resto vem de outras forças, como a própria inércia do mercado.
A conta de bolso fica assim: com o título valendo cerca de R$ 102,5 mil, 13,4 pontos-base a mais de taxa tiram 0,26% do preço, uns R$ 266. Um dólar 4% mais caro numa semana, se a regra valer, leva perto de R$ 1.060 do valor de resgate. Quem segura o título até 2029 recebe a taxa contratada de qualquer jeito; o sobe e desce só pesa para quem precisar vender antes.
Para comparar com o pós-fixado: a Selic está em 13,75% ao ano em outubro de 2026, e R$ 100 mil no CDI não oscilam com pesquisa nem com dólar. Dá para simular as duas rotas na calculadora de renda fixa do site. O mesmo sobe e desce bateu mais forte nos títulos longos, como mostramos em quanto sobrou de R$ 100 mil no Tesouro IPCA+ depois das pesquisas. Na bolsa, o efeito do primeiro turno está em por que o Ibovespa subiu 7,7% no dia seguinte.
Próximos passos
O segundo turno é no domingo (25). O primeiro pregão com o resultado conhecido é na segunda-feira (26), e o Tesouro Direto atualiza os preços na manhã desse dia. Pelo estudo, a reação deve chegar aos juros pelo dólar: se o câmbio andar muito naquele pregão, a taxa de 2029 anda junto. Entre a terça (13) e a sexta (16), o estudo registrou alta de 50 pontos-base no DI.
Perguntas frequentes
O que são juros futuros (DI)?
São contratos negociados na B3 que mostram a taxa que o mercado espera para os próximos anos. Os títulos prefixados e IPCA+ do Tesouro Direto acompanham essas taxas: quando elas sobem, o preço de resgate cai.
Por que o dólar mexe com o Tesouro Prefixado?
Dólar mais caro encarece importados e pressiona a inflação, e o mercado passa a cobrar juro maior. No estudo do IBEVAR-FIA, cada 1% de alta do dólar subiu o DI de janeiro de 2029 em 13,4 pontos-base, o que tira cerca de 0,26% do preço do Prefixado 2029.
Perco dinheiro no Tesouro Prefixado se o dólar subir?
Só se vender antes do vencimento. Quem fica até 1º de janeiro de 2029 recebe a taxa combinada na compra, seja qual for o dólar. A oscilação aparece no extrato e vira perda ou ganho de verdade só na venda antecipada.
Fontes: Times Brasil (estudo IBEVAR-FIA) · InfoMoney · g1 · Tesouro Transparente (preços e taxas do Tesouro Direto) · Banco Central, SGS (Ptax e Selic)



