Suzano fatura 36% mais com a Arbex, e a margem da SUZB3 cai de 43% para 34% no 3T26

A Suzano (SUZB3) faturou R$ 16,5 bilhões no 3T26, alta de 36% puxada pela Arbex, e lucrou R$ 2,08 bilhões. A margem Ebitda caiu de 43% para 34% e a dívida líquida subiu R$ 10,2 bilhões em três meses.

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A Suzano (SUZB3) faturou R$ 16,5 bilhões no terceiro trimestre de 2026, 36% mais que um ano antes, e lucrou R$ 2,08 bilhões, alta de 6%. Os números saíram nesta quinta-feira (5), depois do fechamento da bolsa, no release de resultados da empresa. O primeiro trimestre com a Arbex, a sociedade com a Kimberly-Clark, trouxe quase todo o aumento de receita, mas puxou a margem Ebitda de 43% para 34%.

O motivo está no tipo de negócio. Na celulose, de cada R$ 100 vendidos sobraram R$ 50 de Ebitda ajustado no trimestre. No papel higiênico e nos lenços da Arbex, somados à operação de tissue no Brasil, sobraram R$ 16. Como esse negócio passou a responder por 30% da receita, a média da empresa caiu.

Gráfico de barras: de cada R$ 100 de receita no 3T26, a celulose da Suzano deixa R$ 50 de Ebitda ajustado, bens de consumo R$ 16, papel e embalagem R$ 11 e a empresa inteira R$ 34, contra R$ 43 no 3T25
Ebitda ajustado por R$ 100 de receita no 3T26. Fonte: Suzano, release do 3T26 (Anexo 6).

A Arbex põe R$ 4,3 bilhões a mais na receita da Suzano em um trimestre

A Arbex começou a operar em 1º de julho. A Suzano tem 51% da sociedade, mas lança 100% dos números no próprio balanço, como manda a regra contábil para quem controla. Por isso a linha de bens de consumo saltou de R$ 717 milhões de receita no 3T25 para R$ 5,02 bilhões agora. São R$ 4,30 bilhões a mais, quase tudo dos R$ 4,36 bilhões que a receita total cresceu.

Desses R$ 5,02 bilhões, R$ 4,22 bilhões vieram de vendas fora do Brasil. O volume vendido de bens de consumo foi de 299 mil toneladas, contra 64 mil um ano antes. Quem quiser o histórico do negócio encontra aqui no site a explicação de como a Suzano virou sócia da Kleenex.

A celulose, que continua sendo o grosso do lucro, ficou praticamente parada em volume: 3,19 milhões de toneladas, 1% a menos que no 3T25. O que ajudou foi o preço. A tonelada vendida no exterior saiu, em média, a US$ 591, 13% acima de um ano antes. O custo caixa de produção subiu 3%, para R$ 825 por tonelada, com madeira e energia mais caras.

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Os números do 3T26 da Suzano

Indicador 3T26 3T25 Variação
Receita líquida R$ 16,52 bi R$ 12,15 bi +36%
Ebitda ajustado R$ 5,67 bi R$ 5,20 bi +9%
Margem Ebitda ajustada 34% 43% −8 p.p.
Lucro antes do IR R$ 2,75 bi R$ 3,02 bi −9%
Lucro líquido R$ 2,08 bi R$ 1,96 bi +6%
Dívida líquida / Ebitda (em US$) 3,7 vezes 3,3 vezes +0,4

A linha que chama atenção é a do lucro antes do imposto: caiu 9%. O lucro final só subiu porque a conta de IR e CSLL foi de R$ 1,06 bilhão para R$ 666 milhões, uma diferença de R$ 394 milhões.

O que a Arbex muda no lucro e na dívida da SUZB3

Antes da depreciação, o negócio de bens de consumo gerou R$ 803 milhões de Ebitda ajustado, sendo R$ 694 milhões da Arbex. Depois de descontar depreciação e amortização, ficou no vermelho: prejuízo operacional de R$ 121 milhões no trimestre, segundo a tabela por segmento do release. Na celulose, o lucro operacional foi de R$ 1,77 bilhão.

A compra também pesou na dívida. A dívida líquida foi de R$ 66,1 bilhões em junho para R$ 76,3 bilhões em setembro, R$ 10,2 bilhões a mais em três meses. Em dólar, chegou a US$ 14,7 bilhões, pelo desembolso de US$ 1,3 bilhão na Arbex e por cerca de US$ 0,9 bilhão de dívida que já estava na sociedade. A relação entre dívida e Ebitda subiu para 3,7 vezes. A empresa diz que, contando 12 meses de Ebitda da Arbex, e não só um trimestre, a conta fica em 3,4 vezes.

Para quem tem SUZB3, a leitura do trimestre é esta: a receita ficou maior e mais espalhada pelo mundo, mas cada real vendido rende menos caixa, e a empresa carrega mais dívida enquanto a Arbex não mostra lucro operacional. Até 30 de setembro, a ação acumulava queda de 11% em 12 meses, contra alta de 28% do Ibovespa, pelo gráfico do próprio release. Em 30 de setembro, a SUZB3 valia R$ 44,20.

Teleconferência nesta sexta (6) e Suzano Day em 4 de março

A Suzano comenta o resultado com analistas nesta sexta-feira (6), às 10h, em inglês com tradução simultânea. A empresa também marcou o Suzano Day 2027 para 4 de março.

A Suzano pode pagar menos dividendos por causa da dívida?

O release do 3T26 não fala em mudança na política de proventos. O que ele mostra é a alavancagem em 3,7 vezes o Ebitda, acima das 3,3 vezes de um ano antes, e um fluxo de caixa livre ajustado de R$ 2,6 bilhões no trimestre. Dívida mais alta costuma deixar menos espaço para distribuir, mas a decisão ainda não foi anunciada.

Por que a Suzano soma 100% da Arbex se tem só 51%?

Porque quem controla a sociedade consolida o balanço inteiro, e a fatia dos outros sócios, no caso a Kimberly-Clark, aparece separada como participação de não controladores. Na prática, a receita de R$ 5 bilhões não é toda da Suzano: perto da metade do resultado da Arbex pertence à sócia.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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