PRIO3 segue com o imposto de 12% até dezembro, que levou 23% do lucro do 3º trimestre

A Camex prorrogou até 31 de dezembro o imposto de 12% sobre petróleo exportado. Na PRIO, ele somou US$ 119 milhões no 3º trimestre, o equivalente a 23% do lucro e R$ 0,74 por ação.

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A Câmara de Comércio Exterior (Camex) prorrogou até 31 de dezembro o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, que venceria antes do fim do ano. A nova etapa começa neste sábado (7). Para a PRIO3, que vende para fora praticamente todo o óleo que tira do mar, o imposto já levou no 3º trimestre o equivalente a 23% do lucro.

Em reais, foram cerca de R$ 650 milhões em três meses, ou R$ 0,74 por ação. É 1,2% do preço de fechamento da PRIO3 na quinta-feira (5), R$ 61,54, saindo do caixa a cada trimestre em que a cobrança fica de pé.

Gráfico de barras: impostos sobre vendas da PRIO subiram de US$ 9 milhões no 3º trimestre de 2025 para US$ 119 milhões no 3º trimestre de 2026, com o imposto de exportação de petróleo
Fonte: releases de resultados da PRIO (2T26 e 3T26).

A Camex estica a cobrança sobre o petróleo exportado até 31 de dezembro

O comitê executivo da Camex aprovou a prorrogação na quinta-feira (5), a pedido do Ministério da Fazenda, e o Ministério do Desenvolvimento anunciou a decisão nesta sexta-feira (6), segundo o Money Times. A justificativa oficial é manter o óleo no país para abastecer as refinarias e garantir diesel enquanto dura a guerra no Oriente Médio.

O imposto nasceu em março, por medida provisória, num pacote para segurar o preço dos combustíveis. Quando a MP perdeu a validade, o governo passou a renovar a cobrança por resoluções da Camex. Em agosto, uma liminar chegou a suspender o imposto para as associadas da ABEP, a associação das petroleiras independentes, mas o TRF-1 derrubou a decisão dias depois. Para o Tesouro, a conta é boa: o imposto arrecadou R$ 12,86 bilhões em 2026 até setembro, com dados da Receita citados pelo g1.

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Quanto o imposto já tirou do lucro da PRIO em 2026

No release do 3º trimestre, a PRIO informa que a linha de impostos sobre vendas no Brasil e exportação somou US$ 119 milhões, contra US$ 9 milhões um ano antes. A própria empresa atribui o salto ao imposto de exportação. No 2º trimestre, a mesma linha já tinha somado US$ 114 milhões.

Trimestre Impostos sobre vendas Lucro líquido (ex-IFRS 16) Imposto em relação ao lucro
3T25 US$ 9 milhões US$ 91,6 milhões 10%
2T26 US$ 114 milhões US$ 413 milhões 28%
3T26 US$ 119 milhões US$ 521 milhões 23%

Em seis meses de cobrança cheia, são US$ 233 milhões, perto de R$ 1,27 bilhão no dólar Ptax de quinta (R$ 5,4621). O lucro do 3º trimestre ainda subiu 468% em um ano, puxado pela produção recorde de 191,6 mil barris por dia. Sem o imposto, a alta teria sido maior.

O que a prorrogação custa por ação da PRIO3, e por que a PETR4 sente menos

A prorrogação cobre 55 dias, de 7 de novembro a 31 de dezembro. No ritmo do 3º trimestre, que teve 92 dias, isso dá US$ 71 milhões, cerca de R$ 389 milhões, ou R$ 0,45 por ação da PRIO3. É o mesmo valor que a empresa gastou entre julho e setembro para recomprar 6,1 milhões de ações próprias. Na prática, o imposto do fim do ano consome o equivalente a um trimestre inteiro de recompra.

A exposição muda de empresa para empresa. O JPMorgan, em relatório citado pelo InfoMoney, coloca a PRIO como a mais atingida, porque quase toda a receita vem de petróleo bruto exportado. Na Brava (BRAV3), de 30% a 40% da produção vai para fora. Na Petrobras (PETR4), cerca de 20% da receita vem de exportação de óleo. O banco calcula que, com a cobrança mantida durante todo o ano de 2027 e o Brent a US$ 82, a geração de caixa da PRIO equivaleria a 27% do valor da empresa na bolsa, contra 32% sem o imposto. Na Petrobras, cairia de 19% para 15%.

A ação já vinha em queda antes da prorrogação. A PRIO3 fechou a quinta (5) a R$ 61,54, 13,9% abaixo dos R$ 71,49 de 30 de outubro, a última sexta antes do dia em que o barril caiu 4,2%. Para quem tem a ação, o imposto é mais um peso que depende de decisão do governo, não do campo de petróleo. O teste de perfil do site ajuda a medir quanto desse tipo de risco cabe na carteira.

31 de dezembro decide se o imposto entra em 2027

A cobrança vence no último dia do ano, e o governo não disse o que fará depois. O JPMorgan vê nessa falta de prazo o maior risco para o setor, porque pode desanimar investimento em novos campos. O Bradesco BBI espera que os subsídios ao diesel, que o imposto ajuda a pagar, durem pelo menos até maio de 2027.

Por que a PRIO3 paga mais imposto que a Petrobras, se a Petrobras produz muito mais petróleo?

Porque o imposto incide só sobre o óleo bruto vendido ao exterior. A Petrobras refina boa parte do que produz e vende combustível no Brasil. A PRIO não tem refinaria, então exporta quase todo o barril e paga os 12% sobre quase tudo.

Se o imposto cair em janeiro, a PRIO recupera o que pagou?

Não. O valor recolhido desde março não volta, a menos que a Justiça derrube a cobrança e mande devolver, e até agora o TRF-1 manteve o imposto. O fim do imposto só melhora os resultados a partir do trimestre seguinte.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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