Vivara lucra R$ 16,60 a cada R$ 100 vendidos, contra R$ 28,20 há um ano: por que o ouro pesou

A Vivara (VIVA3) lucrou R$ 114,8 milhões no 3º trimestre de 2026, 38,7% menos que um ano antes, depois de segurar reajustes com o ouro cerca de 24% mais barato.

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A Vivara (VIVA3) lucrou R$ 114,8 milhões no terceiro trimestre de 2026, 38,7% menos que os R$ 187,4 milhões de um ano antes, segundo o release divulgado na quinta-feira (5). A cada R$ 100 de receita líquida, sobraram R$ 16,60 de lucro; no 3º trimestre de 2025 sobravam R$ 28,20. Nesta sexta-feira (6), a ação chegou a cair 8,25%, a R$ 16,68, o preço de março de 2025, segundo a Reuters.

O motivo principal está no ouro. A própria empresa conta que o metal recuou cerca de 24% entre fevereiro e julho, a maior correção desde 2013. A Vivara tinha estoque comprado com o ouro caro e, com o metal mais barato lá fora, diminuiu o ritmo dos reajustes nas vitrines para não perder cliente. Vendeu mais, mas ganhou menos em cada peça.

Como o ouro mais barato apertou a margem da Vivara

As joias respondem por cerca de metade da receita da Vivara e cresceram só 2,1% sobre o 3º trimestre de 2025. Nas alianças e nos itens mais sensíveis ao preço do metal, a empresa preferiu segurar o preço. O resultado aparece na margem bruta: de cada R$ 100 vendidos, o lucro antes das despesas caiu de R$ 71,30 para R$ 65.

Parte da queda do lucro vem de base de comparação. No 3º trimestre de 2025 a Vivara registrou créditos tributários que inflaram o número, e neste ano a subvenção fiscal da fábrica de Manaus caiu 21,7%, para R$ 62,4 milhões. Tirando esses efeitos e R$ 5,1 milhões de ajustes contábeis em estoque deste trimestre, o lucro ajustado foi de R$ 119,9 milhões, 22,2% abaixo dos R$ 154 milhões ajustados de um ano antes.

Do outro lado, as despesas com vendas subiram 14%, para R$ 277,6 milhões, puxadas por marketing, pessoal e lojas novas. Com a receita subindo 4,3% e essa despesa subindo 14%, o lucro encolheu.

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Os números do 3º trimestre da Vivara

Indicador 3T26 3T25 Variação
Receita líquida R$ 692,9 mi R$ 664,5 mi +4,3%
Margem bruta 65,0% 71,3% -6,3 p.p.
Ebitda ajustado R$ 132,7 mi R$ 170,9 mi -22,4%
Lucro líquido R$ 114,8 mi R$ 187,4 mi -38,7%
Lucro ajustado R$ 119,9 mi R$ 154,0 mi -22,2%
Vendas nas mesmas lojas +4,4% +10,7% –

A parte que cresceu foi a Life, marca de prata da empresa: receita 10,3% maior, e as lojas Life faturaram 19,5% mais com 53 aberturas em doze meses. Os relógios subiram 15,5%. O canal digital cresceu 25%.

O que o balanço muda para quem tem VIVA3

O ponto que mais pesa no bolso do acionista está no fluxo de caixa: nos nove primeiros meses de 2026 a Vivara não pagou dividendo nem juros sobre capital próprio. Nos mesmos nove meses de 2025, tinha distribuído R$ 155,2 milhões. Com o lucro menor, a fatia que pode ir para o acionista também encolhe.

A empresa trata a pressão na margem como temporária e diz que já subiu preços nos últimos meses. Analistas ouvidos pela Reuters disseram que “a dinâmica de preços e margens no quarto trimestre será o ponto-chave” a acompanhar. O Itaú BBA apontou a desaceleração das vendas nas mesmas lojas como sinal de perda de competitividade e citou a preocupação com um consumo mais fraco em 2027.

O ouro também mexe em outro ativo da bolsa: o ETF de ouro, que ainda vale 20% menos que no pico de janeiro. Para a Vivara, o metal mais barato só vira margem de volta quando o estoque caro sair das prateleiras. Outra varejista que viu o lucro cair no mesmo trimestre foi a Renner, em que o cartão pesou mais que as lojas.

Se o ouro caiu, a joia da Vivara não deveria ficar mais barata?

Não de imediato. A empresa ainda vende peças feitas com metal comprado no preço alto e reajusta de forma gradual, olhando estoque e custo médio. Por isso ela segurou os aumentos, em vez de cortar preço, e a margem ficou no meio do caminho.

O lucro caiu 38,7% ou 22,2%?

Os dois números estão certos. O contábil caiu 38,7% porque o 3º trimestre de 2025 tinha créditos tributários que não se repetem. Comparando trimestres sem esses efeitos, a queda é de 22,2%, que mostra melhor o que mudou na operação.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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