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A Lojas Renner (LREN3) lucrou R$ 187,1 milhões no terceiro trimestre de 2026 sem contar efeitos que não se repetem, 24,5% menos que os R$ 247,7 milhões de um ano antes. O balanço saiu nesta quinta-feira (5), depois do fechamento da bolsa, e veio com um corte: a empresa deixou de divulgar quanto espera crescer em receita em 2026 e de 2027 a 2030.
O lucro caiu, mas a parte das lojas ganhou mais dinheiro que no ano passado. Quem puxou o número para baixo foi a Realize, o braço que cuida do Cartão Renner e do crédito ao cliente: o resultado dela caiu 49%, para R$ 40,7 milhões, com mais calote de cliente endividado, segundo a Exame.

O cartão que comeu o ganho das lojas da Renner
O Ebitda é o lucro da operação antes de juros, impostos e depreciação. O do varejo, que são as lojas e o site, subiu 3,2%, para R$ 530,3 milhões. Isso dá cerca de R$ 16 milhões a mais que no terceiro trimestre de 2025, mesmo com a receita do varejo caindo 1,6%, para R$ 3,029 bilhões.
Na Realize, a conta foi no sentido contrário. Cair 49% até R$ 40,7 milhões significa que um ano antes ela entregava perto de R$ 80 milhões. São cerca de R$ 39 milhões a menos, mais do dobro do que as lojas acrescentaram. Por isso o Ebitda total ajustado recuou 3,9%, para R$ 570,9 milhões, e a margem passou de 19,3% para 18,8%.
A empresa disse que ficou mais seletiva para dar crédito por causa do endividamento das famílias. Na prática, ela perdeu mais dinheiro com cliente que não pagou a fatura, segundo o Money Times, que atribui a queda principalmente ao aumento das perdas com crédito.
Os números do 3T26 da Renner, linha a linha
| Indicador | 3T26 | Variação em 1 ano |
|---|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 187,1 milhões | −24,5% |
| Lucro líquido contábil | R$ 246,4 milhões | −11,8% |
| Receita líquida do varejo | R$ 3,029 bilhões | −1,6% |
| Vendas nas mesmas lojas | −2,5% | eram +3,1% um ano antes |
| Margem bruta do varejo | 55,5% | +0,4 ponto (recorde para um 3º trimestre) |
| Vendas pela internet (GMV) | R$ 705,1 milhões | +3,7% |
| Caixa líquido | R$ 1,17 bilhão | −6,9% |
O lucro contábil caiu menos porque inclui ganhos que não se repetem, como juros sobre créditos tributários, segundo o Money Times. Vestuário, o principal negócio, faturou R$ 2,703 bilhões, 0,7% a menos. A Renner tem mais dinheiro em caixa (R$ 2,02 bilhões) do que dívida (R$ 847,1 milhões).
O que o balanço muda para quem tem LREN3
A ação chega ao balanço já machucada. Fechou a R$ 14,58 em 23 de outubro, antes do segundo turno, e caiu a R$ 9,68 no pregão seguinte, de 26 de outubro, segundo o histórico de cotações da B3. Nesta quinta-feira terminou em R$ 9,53. Quem tinha R$ 10 mil em LREN3 antes da eleição está hoje com cerca de R$ 6.540.
A retirada da projeção de receita tira do investidor a régua que a própria empresa dava para 2027 a 2030. O presidente, Fabio Faccio, disse que o cenário “aumentou o grau de incerteza”. Ficaram de pé as outras metas, como abrir de 50 a 60 lojas em 2026. Os investimentos do trimestre somaram R$ 236,7 milhões, 18,4% a mais.
Para quem compara com renda fixa, a calculadora de renda fixa do site mostra quanto o mesmo dinheiro rende com a Selic em 13,75%, taxa mantida pelo Copom em 4 de novembro de 2026. A C&A, rival direta, também divulgou o 3T26 nesta semana, e a CEAB3 subiu 8% depois do balanço.
Se as lojas ganharam mais, por que a ação não reage só ao varejo?
Porque a Realize divide o mesmo lucro e é ela que sente primeiro o aperto das famílias. Enquanto o calote no cartão subir, um trimestre bom nas lojas pode sumir no resultado final, como aconteceu agora.
A Renner corre risco por causa da dívida?
Não pelos números do trimestre. Ela terminou setembro com R$ 1,17 bilhão de caixa líquido e gerou R$ 423,4 milhões de caixa livre no trimestre, 10,6% menos que um ano antes.



