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As ações da C&A (CEAB3) subiam 8,2% nesta quinta-feira (5), a R$ 7,37 às 12h45, segundo a B3, um dia depois do balanço do terceiro trimestre. A alta devolve R$ 0,56 por ação. Desde 23 de outubro, último pregão antes do 2º turno, o papel havia perdido R$ 7,03: o balanço repôs 8% do tombo até aqui.
Quase toda a perda veio num dia só. Em 26 de outubro, a CEAB3 fechou em R$ 7,27, queda de 47,5%, enquanto o BOVA11 perdeu 14,5% no mesmo pregão. A ação caiu 3,3 vezes mais que o índice, e o resultado da empresa só saiu nove dias depois.

Lucro da C&A salta 145% com crédito fiscal e cai 23% sem ele
A C&A informou lucro líquido de R$ 170,3 milhões entre julho e setembro, contra R$ 69,5 milhões um ano antes. O salto de 145% veio do reconhecimento de créditos de PIS e Cofins. Na conta ajustada, o lucro foi de R$ 56,5 milhões, 23,3% menor. De cada R$ 100 do lucro divulgado, R$ 67 ficam de fora dessa conta.
Mesmo menor, o número veio acima do previsto. Analistas ouvidos pela LSEG esperavam R$ 45,5 milhões, e o lucro ajustado superou a previsão em 24%. O Ebitda ajustado também ficou 20% acima do esperado.
Receita, Ebitda e lucro da CEAB3 no 3T26 contra a previsão
| Indicador | 3T26 | Contra o 3T25 | Previsão (LSEG) |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 1,88 bilhão | +2,3% | R$ 1,87 bilhão |
| Ebitda ajustado | R$ 317,6 milhões | -4,7% | R$ 264,7 milhões |
| Lucro líquido ajustado | R$ 56,5 milhões | -23,3% | R$ 45,5 milhões |
| Lucro líquido divulgado | R$ 170,3 milhões | +145,1% | não informada |
Fonte: InfoMoney e LSEG, balanço do 3T26 divulgado em 04/11/2026; lucro divulgado: Money Times.
A loja vendeu pouco mais, com margem maior. As vendas de vestuário em lojas abertas há pelo menos um ano cresceram 1%, contra 8,1% no terceiro trimestre de 2025. A margem bruta de vestuário chegou a 56%, a 21ª alta trimestral seguida. O Ebitda recuou com os gastos de marketing dos 50 anos da marca e do Rock in Rio, classificados como não recorrentes.
Quanto o tombo de outubro tirou de quem tem CEAB3
Quem tinha mil ações via R$ 13.840 na tela em 23 de outubro. No pregão seguinte eram R$ 7.270. No fechamento de ontem, R$ 6.810. Com a cotação das 12h45 de hoje, R$ 7.370.
O ponto de partida também pesa. Os R$ 13,84 vinham de uma subida de 39% em três semanas, desde os R$ 9,93 de 1º de outubro. Contra esse preço, a ação está 26% abaixo, e contra o de 23 de outubro, 47%. Para voltar aos R$ 13,84, precisaria subir mais 88%.
Na conta da empresa inteira, com cerca de 308 milhões de ações, a queda desde 23 de outubro equivale a R$ 2 bilhões a menos em valor de mercado, que está em R$ 2,27 bilhões. O lucro ajustado deste trimestre levaria 35 trimestres para somar esses R$ 2 bilhões. Com o do segundo trimestre, de R$ 130,1 milhões, seriam 15.
Quem quer saber quanto de oscilação aguenta antes de viver uma dessas pode fazer o teste do site.
O crédito de PIS e Cofins vira dinheiro para o acionista?
O crédito entra no lucro quando é reconhecido, e as fontes consultadas não dizem quando ele vira caixa. A medida mais próxima do dinheiro que sobrou é o caixa livre do trimestre, de R$ 152 milhões, segundo o Money Times: 2,7 vezes o lucro ajustado.
O que o balanço ainda deixa em aberto para o 4º trimestre?
Os estoques seguem altos, segundo analistas, e a empresa disse ter visto o movimento nas lojas melhorar só em meados de setembro. O próximo balanço mostra se essa melhora virou venda. A comparação será com um 4T25 fraco, o que ajuda, mas a Selic de 13,75%, mantida pelo Copom em 4 de novembro de 2026, continua pesando sobre o consumo.
Dados: Money Times · InfoMoney · B3 (COTAHIST)



