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A Porto (PSSA3), antiga Porto Seguro, lucrou R$ 839 milhões no 3º trimestre de 2026, alta de 0,9% em um ano, e superou os R$ 797,6 milhões que os analistas esperavam. Só que R$ 135,4 milhões desse lucro vieram de créditos tributários que estavam provisionados para perda, liberados pela reorganização da Porto Serviço. Tirando os efeitos que não se repetem, o lucro recorrente caiu 14%, para R$ 713 milhões, e perto do meio-dia desta quinta-feira (5) a ação valia R$ 44,25, contra R$ 44,89 no fechamento de quarta.
O crédito de R$ 135 milhões que transforma queda em alta na PSSA3
O crédito derrubou a taxa efetiva de imposto do trimestre para 6,7%, contra 30,7% um ano antes. Sem ele, os R$ 839 milhões virariam cerca de R$ 704 milhões, mais perto do número recorrente que a empresa divulgou. A superação da expectativa, de R$ 41 milhões, cabe três vezes nesse crédito.
A receita não explica a queda: cresceu 10%, para R$ 11 bilhões, com alta em todas as divisões. O problema está abaixo dela, em três linhas: calote no cartão do banco, gasto maior com a saúde e aplicações financeiras rendendo menos.
Lucro, ROAE e calote da Porto no 3T26
| Porto, 3º trimestre de 2026 | 3T26 | Em um ano |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 839 milhões | +0,9% |
| Lucro recorrente | R$ 713 milhões | −14% |
| Retorno sobre o patrimônio recorrente (ROAE) | 17,6% | −5,4 pontos |
| Resultado financeiro | R$ 309 milhões | −19% |
| Perdas de crédito do Porto Bank | R$ 843 milhões | +48% |
| Lucro da Porto Saúde | R$ 84 milhões | −34% |
Balanço da Porto divulgado em 5 de novembro de 2026, comparação com o 3º trimestre de 2025. Dados: Exame · Valor Investe
No Porto Bank, o calote levou 4,9 vezes o que sobrou de lucro
O banco da Porto faturou R$ 2 bilhões e perdeu R$ 843 milhões com crédito: de cada R$ 100 de receita, cerca de R$ 42 viraram perda de crédito, número que já inclui o reforço das provisões. O lucro da vertical ficou em R$ 171 milhões. Os atrasos acima de 90 dias subiram de 7,2% para 10,2% em um ano, e a empresa diz que o aperto está concentrado no cartão de crédito.
Na saúde, o lucro caiu um terço porque a sinistralidade chegou a 82%, 4,7 pontos acima de um ano antes. Segundo a companhia, cerca de dois terços dessa alta vieram de problemas na cadeia de atendimento oncológico e de uma sazonalidade fora do padrão entre o 2º e o 3º trimestres.
A carteira da Porto rendeu 63% do CDI, e a projeção de 2026 encolheu R$ 600 milhões
Com a Selic parada em 13,75%, a tesouraria da seguradora rendeu R$ 355 milhões, ou 63% do CDI. A conta simples: a 100% do CDI, seriam cerca de R$ 563 milhões, R$ 208 milhões a mais. A empresa culpa a inflação baixa, que reduz a correção das NTN-B, e a parte em ações, que ficou atrás do Ibovespa. Quem quiser medir o próprio CDB contra essa régua pode usar a calculadora de renda fixa.
As novas projeções somam esse aperto. No meio das faixas, as perdas de crédito de 2026 sobem de R$ 3,3 bilhões para R$ 3,6 bilhões, e o resultado financeiro desce de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,3 bilhão. São R$ 600 milhões a menos antes de imposto, o equivalente a 84% do lucro recorrente deste trimestre. O seguro e o Porto Serviço mantiveram as metas.
Quanto ficou com quem tinha mil ações de PSSA3 há um ano
Mil ações custavam R$ 48.930 no fechamento de 5 de novembro de 2025. No fechamento de 4 de novembro de 2026 valiam R$ 44.890, ou R$ 4.040 a menos. Os proventos com data-com nesse período somam cerca de R$ 2.999 antes do imposto sobre o JCP, com parte do pagamento marcada só para 2027. Dá R$ 47.889. O mesmo dinheiro a 100% do CDI, também antes do imposto, viraria R$ 55.895: uma diferença de R$ 8 mil. A BB Seguridade, outra seguradora da bolsa, aparece na comparação BBSE3 ou BBAS3.
O crédito de imposto volta nos próximos trimestres?
Esse crédito vem de uma reorganização específica, por isso a empresa o trata como não recorrente. A previsão de taxa efetiva para 2026 caiu de 23% a 27% para 17% a 21%, efeito ligado à incorporação de uma subsidiária, o que ajuda o ano.
Provisão maior quer dizer que o calote já piorou tudo o que vai piorar?
Não dá para cravar. A Porto trata o reforço como preventivo, para um cenário que ainda não apareceu inteiro nos indicadores. Os atrasos de 15 a 90 dias, que costumam antecipar os seguintes, melhoraram pelo segundo trimestre seguido, mas o orçamento de 2027 parte de crescimento zero do PIB. “Estamos considerando como premissa um crescimento zero do PIB”, disse o CEO Paulo Kakinoff.



