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A Procuradoria-Geral do Distrito Federal pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, nesta quinta-feira (5), que o Banco de Brasília (BSLI4) receba R$ 2,2 bilhões de indenização pelas fraudes do Banco Master. O dinheiro viria do patrimônio bloqueado de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Master. Se o pedido for aceito, o valor cobre 81% dos R$ 2,7 bilhões de perdas que a Polícia Federal já deu como certas no BRB.
A diferença entre as duas contas mostra o tamanho do buraco. Pela investigação, o grupo de Vorcaro repassou ao BRB R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito com ativos que não existiam. Os R$ 2,2 bilhões pedidos agora equivalem a 18% disso. Quem tem a ação sente o resto no preço: a BSLI4 fechou a quarta-feira (5) a R$ 2,06, contra R$ 9,00 um ano antes.
O pedido do Distrito Federal ao STF por causa do Master
O governo do DF é o acionista controlador do BRB e entrou na ação como vítima ao lado do banco. Na petição, a procuradoria diz que o ente distrital sofre no próprio patrimônio “a desvalorização de sua participação acionária, a redução dos resultados e dividendos” e corre o risco de ter de recapitalizar o banco com dinheiro do Tesouro distrital.
O caminho do prejuízo, segundo os investigadores, passou pela compra de carteiras de crédito do Master. Parte delas estava em nome da Tirreno, empresa de fachada operada pelo banco de Vorcaro. O BRB chegou a anunciar a compra do próprio Master, mas o Banco Central anulou a operação. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está entre os investigados, e a apuração aponta R$ 146 milhões em imóveis comprados por Vorcaro que teriam Costa como beneficiário final.
Em 28 de outubro, a PF indiciou Daniel Vorcaro e mais 14 pessoas por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. No relatório, a polícia escreveu que os R$ 2,7 bilhões são perdas “já formalizadas e reconhecidas”, e não uma estimativa. O caso está com a Procuradoria-Geral da República, e a PF pediu mais 60 dias ao STF para terminar as perícias.
Os números do rombo no BRB
| Item | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Carteiras com ativos inexistentes repassadas ao BRB | R$ 12,2 bilhões | Investigação |
| Perdas já formalizadas pela PF | R$ 2,7 bilhões | Relatório da PF (28/10) |
| Indenização pedida ao STF | R$ 2,2 bilhões | Petição da PGDF (5/11) |
| Imóveis ligados ao ex-presidente do BRB | R$ 146 milhões | Investigação |
Lida de cima para baixo, a tabela mostra que o pedido cobre quase todo o prejuízo já reconhecido, mas menos de um quinto do valor das carteiras sem lastro. Se as perícias que faltam acharem mais perdas, a distância entre o que o BRB perdeu e o que tenta recuperar aumenta.
Quanto a BSLI4 e a BSLI3 perderam desde o caso Master
Pelo fechamento oficial da B3, a preferencial BSLI4 valia R$ 9,00 em 5 de novembro de 2025 e R$ 2,06 em 5 de novembro de 2026, uma queda de 77%. A ordinária BSLI3 foi de R$ 8,69 para R$ 2,00, também 77% a menos. Quem pôs R$ 1.000 na BSLI4 um ano atrás e só segurou as ações tem hoje R$ 229, sem contar proventos.
É uma ação de pouca liquidez: na quarta-feira (5), a BSLI4 teve 15 negócios e girou R$ 11,3 mil no pregão inteiro. Num papel assim, qualquer notícia sobre dinheiro recuperado ou sobre um novo aporte do DF pode mexer muito com o preço, para os dois lados, porque há pouca gente comprando e vendendo.
A indenização, se sair, entra como dinheiro recuperado e reduz a necessidade de capital novo. Sem ela, o controlador segue como a principal fonte de reforço do banco, e cada aporte por emissão de ações dilui quem não acompanha. O efeito para quem tem conta ou CDB no BRB é outro assunto: depósitos até R$ 250 mil por CPF e por instituição têm a garantia do FGC, como explicamos ao tratar das falhas de fiscalização no caso Master.
O dinheiro de Henrique Vorcaro já vai direto para o BRB?
Não. O patrimônio está bloqueado, e a petição pede que o STF determine a indenização com esses bens. Até a decisão, o valor não entra no balanço do banco.
Se o BRB recuperar os R$ 2,2 bilhões, a ação volta ao preço de antes?
A conta não fecha assim. O dinheiro cobriria 81% das perdas já reconhecidas, mas as carteiras sem lastro somam R$ 12,2 bilhões e as perícias da PF ainda não terminaram. O preço de R$ 9,00 de um ano atrás refletia um banco antes de tudo isso.



