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A Tenda (TEND3) informou nesta quarta-feira (4) lucro líquido de R$ 57,3 milhões no 3º trimestre, 48,7% abaixo do mesmo período de 2025 e menos da metade dos R$ 136 milhões esperados por analistas, segundo a LSEG. Sem a despesa com swap, o número seria R$ 106,4 milhões, alta de 3,7%.
O problema está nessa segunda conta. A projeção de lucro para 2026, de R$ 600 milhões a R$ 660 milhões, não considera o swap e foi mantida. Para chegar só ao piso, faltam R$ 180,1 milhões em um trimestre, 69% acima do que a construtora acabou de entregar.

O swap da TEND3 que tirou R$ 49,1 milhões do lucro da Tenda
A Tenda tem contratos de swap presos às próprias ações. Quando a TEND3 sobe, o contrato dá ganho no balanço; quando cai, dá despesa. Entre 30 de junho e 30 de setembro, a ação foi de R$ 36,55 para R$ 27,01 no fechamento oficial da B3, queda de 26,1%, e a conta veio em R$ 49,1 milhões.
Esse dinheiro não saiu do caixa: a empresa prevê liquidar os contratos em abril e setembro de 2027. Até lá, o preço da própria ação continua mexendo no lucro de cada trimestre.
E o preço seguiu caindo. Em 3 de novembro, último fechamento oficial disponível, a TEND3 valia R$ 19,40, outros 28,2% abaixo do fim de setembro, em meio ao pior mês do Ibovespa desde 2022. Quem tinha R$ 10.000 na ação em 30 de junho estava com R$ 5.308, sem contar proventos. O release não informa quanto cada real de queda custa no swap, então não dá para cravar o tamanho da despesa do 4º trimestre.
R$ 180 milhões em três meses: o que a projeção da Tenda ainda pede
A construtora divulga três projeções principais para 2026. O lucro é a que ficou mais longe do ritmo atual, nos dados do release publicado em 4 de novembro de 2026:
| R$ milhões | Feito em 9 meses | Falta para o piso | Entregue no 3º tri |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido consolidado sem swap | 419,9 | 180,1 | 106,4 |
| Ebitda ajustado da marca Tenda | 811,1 | 288,9 | 227,8 |
| Vendas líquidas da marca Tenda | 3.960,5 | 1.539,5 | 1.214,4 |
Fonte: Tenda, release do 3T26, com dados até 30/09/2026. A coluna do que falta é a diferença entre o piso da projeção e os 9 meses.
Ebitda e vendas pedem um 4º trimestre cerca de 27% maior que o 3º. O lucro pede 69%, e o melhor trimestre de 2026 até aqui, o 2º, ficou em R$ 161,3 milhões. Para o teto, a distância sobe a R$ 240,1 milhões, mais que o dobro do último trimestre.
A margem da Tenda perdeu 5,3 pontos em três meses
A margem bruta ajustada da marca caiu de 39,9% para 34,6%. A maior fatia, 2,6 pontos, veio do preço: cada unidade vendida saiu R$ 11,5 mil mais barata que no 2º trimestre, a maior parte porque a empresa reduziu o crédito que dá ao comprador depois da entrega das chaves, de 10% para 7,1% do preço. O diretor financeiro, Luiz Maurício Garcia, disse ao Money Times que esse patamar menor é o mais prudente, o que indica uma mudança para ficar.
Os distratos pesam de outro jeito. Foram 1.231 unidades devolvidas, 52% a mais que no trimestre anterior: de cada cinco vendas brutas, quase uma foi desfeita. A Tenda atribui parte disso à greve de quase 20 dias na Caixa, em setembro, e espera normalização gradual. A empresa também diz que a margem do trimestre está mais perto do piso da faixa em que opera do que de um novo patamar, sem projetar um número.
O que sustenta a TEND3 além do lucro contábil
O caixa é o argumento da administração. A geração operacional foi positiva pelo 14º trimestre seguido, com R$ 82,4 milhões, 28,5% menos que um ano antes. Outros R$ 45 milhões de parcelas do programa Pode Entrar atrasaram, e a empresa os trata como adiamento. A dívida líquida corporativa equivale a 0,1% do patrimônio.
“Num cenário de juros mais altos o lucro caixa se torna mais importante do que o contábil”, disse Garcia. Os juros aparecem também na dívida da Tenda, que custa em média 13,78% ao ano, praticamente a Selic de 13,75% mantida pelo Copom em 4 de novembro de 2026. Essa é a régua de quem compara a ação com renda fixa, e a calculadora de renda fixa mostra quanto o dinheiro renderia no período.
A queda da TEND3 em outubro e novembro já está neste balanço?
Não. O trimestre fechou em 30 de setembro, a R$ 27,01. O que acontecer com a ação daí em diante entra no resultado do 4º trimestre, para mais ou para menos, conforme o preço do fim de dezembro.
Cumprir a projeção garante R$ 600 milhões de lucro no balanço?
Não, porque a projeção exclui o swap. Nos 9 meses, os ganhos de R$ 49 milhões do 1º semestre e a despesa de R$ 49,1 milhões do 3º trimestre praticamente se anularam: o lucro foi de R$ 419,8 milhões com swap e R$ 419,9 milhões sem ele. Uma nova despesa no 4º trimestre abriria essa diferença no número final do ano.



