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A PRIO3 divulgou nesta quarta-feira (4), depois do fechamento, lucro líquido de US$ 521 milhões no 3º trimestre, contra US$ 91,6 milhões um ano antes, segundo o InfoMoney. A receita subiu 146%, a US$ 1,37 bilhão. Pela conta do site, a alta do Brent responde por cerca de 23% desse salto.
O resto veio de barril a mais. A produção média chegou a 191,6 mil barris por dia, 117% acima de um ano antes, e é isso que não some quando o petróleo cai, como caiu nos dois últimos pregões.
Wahoo dobra a produção da Prio em um ano
A empresa atribui o resultado à entrada dos quatro poços de Wahoo, a um poço novo em Frade e a Peregrino acima de 80 mil barris por dia na parte que lhe cabe, informou o Money Times. Foram 17,2 milhões de barris vendidos em três meses.
O custo de extração caiu junto: US$ 7,90 por barril, 11% abaixo do trimestre anterior e 55% abaixo de um ano antes. Mais barris dividindo a mesma estrutura deixam cada um mais barato de tirar do mar.
Só o Brent levaria a receita a US$ 746 milhões, não a US$ 1,37 bilhão
A conta abaixo parte da receita de um ano antes, deduzida da alta de 146%, e aplica só os 34% de valorização do Brent, mantendo os mesmos barris. O barril teve média de US$ 68,17 no 3º trimestre de 2025 e de US$ 91,50 no de 2026, nos fechamentos do contrato futuro.
| Cenário | Receita no trimestre |
|---|---|
| 3º tri de 2025 | cerca de US$ 557 milhões |
| Mesmos barris, só com o Brent 34% mais caro | cerca de US$ 746 milhões |
| 3º tri de 2026, o que a Prio entregou | US$ 1,37 bilhão |
Conta do site, aproximada: ignora desconto de venda, frete e hedge.
O Brent responde por US$ 189 milhões dos US$ 813 milhões de aumento. Os outros US$ 624 milhões vieram do volume maior e do que mudou na venda. A Prio vendeu com desconto médio de US$ 7,45 por barril sobre o Brent, num trimestre em que o frete marítimo encareceu.
O que o balanço muda para quem tem PRIO3 depois da queda de 13,1%
A ação fechou esta quarta a R$ 62,14, na B3, com queda de 8,7% no dia. Desde sexta (30), quando valia R$ 71,49, são R$ 9,35 a menos por ação. Quem tem 100 ações viu R$ 935 sumirem da tela em dois pregões, na queda que o site acompanhou à tarde.
O mesmo lote de 100 ações gerou cerca de R$ 327 de lucro no trimestre, usando a Ptax desta quarta, de R$ 5,4778, e as 872,5 milhões de ações da empresa. Lucro não é dinheiro no bolso do acionista, mas dá a escala: a bolsa cortou quase 3 trimestres iguais a esse.
O balanço olha para trás, e o barril que caiu é o de agora. Às 14h desta quarta, o Brent valia US$ 94,29. Tirando o desconto e o custo de extração do trimestre, sobram cerca de US$ 79 por barril antes de impostos e demais despesas. Cada US$ 1 no preço muda a receita em cerca de US$ 17 milhões por trimestre, com o volume vendido agora.
A dívida líquida também foi na direção contrária da ação: caiu de US$ 4,04 bilhões para US$ 3,46 bilhões em três meses. São US$ 580 milhões a menos, mais do que todo o lucro do período, e a dívida passou de 1,5 para 1,1 vez o Ebitda ajustado. Quem quer medir quanto sobe e desce aguenta na carteira pode usar o teste de perfil do site.
Teleconferência da Prio nesta quinta-feira (5)
A empresa comenta os números na teleconferência de resultados desta quinta-feira (5), o primeiro pregão em que a ação reage ao balanço. No radar da Prio ficam ainda os blocos de Magnetita e Hematita, comprados em outubro no leilão da ANP, que podem ser ligados depois à plataforma já em operação.
Por que os portais trazem lucros diferentes para a Prio?
O InfoMoney informa US$ 521 milhões e alta de 468%, os mesmos números das manchetes de UOL e Estadão. O Money Times traz US$ 516,6 milhões e alta de 707%, citando as demonstrações em IFRS, e os dois também divergem no Ebitda ajustado (US$ 1,07 bilhão e US$ 1,09 bilhão). O site usa o número da maioria das fontes; o release não estava disponível na central de resultados do RI no fechamento deste texto.
Se o Brent voltar ao nível de um ano atrás, o lucro volta a US$ 91 milhões?
A produção não volta junto, porque os poços de Wahoo seguem em operação. Com o dobro de barris e o custo de extração 55% menor, a mesma cotação de 2025 daria outro resultado, embora o balanço não permita dizer qual. A resposta depende também de câmbio, impostos e frete.



